CIDADES Bom Senso
Duplicação da BR-369 em Cambará Gera Protestos e Impasse com Concessionária
Reunião com a EPR termina sem acordo; comerciantes temem impactos econômicos com limitações de acesso e estacionamento
18/10/2025 15h51 Atualizada há 5 meses
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Da redação
Empresário Marcelo Papa na Rádio CirculandoFM - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

Por Carlos Roberto Francisquini

 

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A duplicação da BR-369 no perímetro urbano de Cambará, no Norte Pioneiro do Paraná, tem gerado apreensão entre comerciantes locais e provocado uma série de protestos. O motivo é o projeto apresentado pela concessionária EPR Litoral Pioneiro, responsável pela obra, que impõe restrições ao estacionamento em algumas quadras da via — afetando diretamente o funcionamento de estabelecimentos que margeiam a rodovia, especialmente borracharias e oficinas mecânicas.

Na semana passada, uma reunião entre representantes da empresa, autoridades políticas e empresários foi realizada em Cambará. A expectativa era de ajustes no projeto ou a apresentação de alternativas. No entanto, o encontro terminou sem avanços. De acordo com participantes, o clima foi tenso, e não houve qualquer sinalização de flexibilização por parte da concessionária.

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“Estamos cumprindo o contrato”, limitaram-se a afirmar os engenheiros da EPR durante uma audiência pública realizada na cidade.

 

Comércio em risco

Empresário Marcelo Papa na Rádio CirculandoFM - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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Um dos comerciantes afetados é o empresário Marcelo Papa, que comanda um empreendimento nas margens da BR-369. Em entrevista concedida à Rádio Circulando FM na manhã desta sexta-feira (17), Papa expressou preocupação com o impacto direto no comércio local. Para ele, a duplicação, da forma como está sendo planejada, representa uma ameaça à sobrevivência dos negócios que dependem do acesso direto de clientes à rodovia.

“O perímetro urbano, que tem no máximo dois quilômetros, poderia perfeitamente permanecer com pista simples. É uma questão de bom senso. Do jeito que está, o projeto mata o comércio local”, argumentou o empresário.

Papa também apresentou sugestões para mitigar os efeitos da duplicação, como a criação de marginais com acesso facilitado e a manutenção de espaços para estacionamento ao longo do trecho urbano.

 

Mobilização política

 

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Empresário Marcelo Papa na Rádio CirculandoFM - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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Diante do impasse, uma comissão formada por comerciantes e lideranças políticas de Cambará foi até Curitiba para buscar diálogo com representantes da EPR e do Governo do Estado. Entre os presentes estava o vereador Paulo Bacana (PL), que também participou da entrevista na rádio, ainda que por telefone.

Segundo o parlamentar, uma nova reunião está agendada para o próximo dia 23 de outubro, desta vez em Cambará. Bacana não descarta recorrer à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília, como tentativa de reverter ou ao menos adaptar o projeto à realidade local.

“A luta agora é para garantir que o comércio não seja sufocado por uma obra que deveria trazer progresso, e não prejuízos”, disse o vereador.

 

Contrato x realidade

 

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Empresário Marcelo Papa na Rádio CirculandoFM - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

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A EPR Litoral Pioneiro, por sua vez, sustenta que o projeto segue estritamente o que está estabelecido no contrato de concessão, assinado com o governo federal. A empresa afirma que o objetivo é garantir segurança viária e fluidez no tráfego, especialmente em trechos de maior movimento.

Apesar disso, moradores e empresários locais seguem pressionando por ajustes. Eles temem que, sem mudanças, a duplicação da BR-369 — inicialmente vista como avanço — se transforme em um retrocesso para a economia da cidade.

A próxima semana será decisiva para o futuro do projeto. A expectativa é de que o novo encontro entre concessionária, comerciantes e autoridades locais aponte algum caminho para conciliar desenvolvimento com a preservação dos negócios locais.

 

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