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Professora Izabel Marson alerta sobre os riscos da exploração do gás de xisto na região

“É um crime ambiental cruel, desumano”

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
01/04/2017 às 00h30
Professora Izabel Marson alerta sobre os riscos da exploração do gás de xisto na região

C.Roberto Francisquini

Ana Carolina Amaral 

 


A  cidade de Umuarama, no noroeste do Paraná, foi o cenário de uma decisão importante para o país. Numa atitude inédita no Brasil, a Câmara proibiu a extração de gás de xisto, uma atividade perigosa para o ambiente, para as pessoas e para a economia da região.


Próxima às divisas com São Paulo e Paraguai, Umuarama tem 100 mil habitantes e uma maldição: é rica em gás “de xisto”, como ficou conhecida a formação de gás metano, altamente combustível, em camadas profundas do subsolo. Sua extração tem se tornado possível com a tecnologia do fraturamento hidráulico (fracking), cujos riscos para a saúde e o ambiente são irreversíveis.

 
Eis que na última semana uma mobilização colocou um ponto final nessa ameaça. Manifestantes foram às ruas com cartazes anti-fracking, participaram de eventos e conversaram com políticos sobre a prática. Logo tiveram uma resposta positiva: no último dia 9, o prefeito encaminhou um projeto de lei à Câmara Municipal para proibir a exploração do gás. E a vitória não tardou: no último sábado, uma sessão extraordinária foi convocada exclusivamente para resolver a questão. Com a casa lotada, os vereadores foram unânimes em aprovar a lei, que proíbe a concessão de alvará ou licença para exploração do gás de xisto no município. 

 

O caso aconteceu em meados de 2016 e foi reportado pela Jornalista Ana Carolina Amaral, para a revista Época, é mais que um capítulo bem sucedido para os moradores de Umuarama, é um sinal de que a população do Paraná tem que abrir os olhos para a questão e pressionar as autoridades para trazer a luz para o assunto. A decisão da soberana da Câmara de Umuarama abriu precedentes para que outras comarcas do Brasil discutam a exploração do gás de xisto. 

 
Na região Norte do Paraná, uma professora vem lutando para expandir a informação sobre os riscos que a exploração do mineral pode causar a toda espécie de vida, vegetal, animal e humana. 

 
“Os riscos para a saúde e o ambiente são irreversíveis”, conta a professora Izabel Marson, que saiu de Cornélio Procópio e percorre toda a região mobilizando as autoridades sobre o perigo que se avizinha.Ela esteve em Cambará palestrando na Câmara de Vereadores. Relatou em vídeos e slides os maus casos pelo Fraching, que é a tecnologia usada para exploração do gás do xisto nas camadas profundas do subsolo. Para fraturar a rocha, se injeta no solo enormes quantidades de água e produtos tóxicos, contaminando a água do lençol freático, o ara, solo e alimentos. 


“O Fraching causa câncer, infertilidade e doenças neurais e também provoca alterações radicais no clima”, alerta a professora.  “Há diversas cidades na região sob a ameaça de fracking em nosso Estado”, avisa. Por isso a blindagem contra seus efeitos exigindo leis municipais que proibissem o uso da água e do transporte dentro do município para fins relacionados ao fracking. 
“Quando a Agência Nacional do Petróleo libera a atividade em território nacional e abre leilões à revelia das recomendações científicas da SBPC e da ABC, resta aos municípios se protegerem”, frisou aos vereadores. “Caberá a vocês garantir que Cambará esteja longe desta maldição”, profetizou. 

 

Confira alguns trechos da entrevista 


Circulando: Professora Izabel Marson  o que está acontecendo? Que maldição é essa que pode estar nos avizinhando?

Professora Izabel Marson: O ano passado a cidade de Cornélio Procópio foi invadida pelos caminhões de uma mineradora americana que estaria vindo ao Brasil e fazendo explorações de gás de xisto, foi a primeira vez, assim como você, que eu ouvi a palavra fracking. Fracking significa fraturamento hidráulico, que é uma perfuração que a mineradora faz no solo de mil e quinhentos metros de profundidade e na horizontal com outros braços de mesmo tamanho, e neste “buraco” ela joga milhões de litros d’água que trincam a rocha onde está o gás de xisto. Descobrimos que em Cornélio Procópio no momento em que a cidade foi ocupada pelos caminhões da mineradora que isso causava acomodações, tremores de terra e terremotos que poderiam chegar a 6 ou 7 na escala Richter que vai até 9. Ficamos muito alarmados e fizemos contato com a Câmara de Vereadores de Cornélio que prontamente nos atendeu. Os vereadores fizeram a preposição e logo em seguida tivemos o sancionamento da lei barrando a mineradora.

Circulando: Como a senhora chegou a estes números?

Profª.Izabel Marson:  O que posso adiantar é o seguinte. Somente na cidade de Nova Fátima há mais de trinta casas trincadas. Em Londrina, que já fez o sancionamento do projeto de lei, dezenas de casas estão comprometidas e outras tantas ameaçadas de cair, o mesmo acontece em Rolândia e Arapongas. Por onde os caminhões passam, causa um imenso tremor  comprometendo a estrutura física das construções das cidades.


Circulando: Eles estão fazendo este trabalho em toda região norte do Estado do Paraná?

Profª.Izabel Marson: É um trabalho de prospecção, para ver se há xisto, esse número de perfurações que fazem resultará em pouco xisto, apenas para estudar o nosso sub solo. Comprovado a existência do mineral e seu altíssimo valor para retirada eles iniciam o trabalho de persuadir os proprietários de terras, oferecendo valores pela terra muito acima do praticado no mercado. 

Circulando: Professora, se os problemas ambientais são terríveis e irreversíveis, existe também a questão dos efeitos nocivos à saúde humana. O que a senhor pode destacar a respeito?

Profª.Izabel Marson:  A região de Cornélio e do Norte Pioneiro, ela é sempre acometida por agrotóxicos e isso mascara as causas do câncer quando vem uma mineradora e começa com as perfurações e a retirar amostras de xisto. Nós temos alguns casos de cidades que tem um alto índice de câncer na região e estamos investigando se estes números coincidem com a passagem da mineradora.

Circulando: A senhora conversou com os vereadores de Cambará, qual foi a reação deles e que avaliação a senhora faz da audiência pública realizada no município?

Profª.Izabel Marson: A audiência pública de hoje que aconteceu na Câmara de Cambará é uma visão responsável dos políticos locais em relação ao território do município, com a preservação d’água, vida humana, do solo, enfim evitando problemas futuros. O que temos feito em quase 50 cidades da região é avisar vereadores e prefeitos que o capital político deles próprios que corre risco no caso da vinda de uma mineradora, pois ninguém acusará o governo federal, por exemplo, vão perguntar para o prefeito e vereadores o motivo da mineradora estar perfurando a cidade toda. Então estamos procurando todas as câmaras e prefeituras a partir rio Tibagi até a fronteira com o estado de São Paulo para falar do prolemas e como evitar. Praticamente todas prontas e podemos dizer que essa região está pronta para dizer a mineradora um sonoro não ao fracking.


Circulando: Quem quiser saber mais informação quais são os endereços?

Profª.Izabel Marson: Acesse na internet www.naofrackingbrasil.com.br que faz parte da COESUS que é uma coalisão com dezenas de instituições ambientais que vai do Maranhão ao Rio Grande do Sul respondem pela questão do não ao fracking.A gente gosta de deixar claro que sem solo, sem água e ar para respirar teremos que fazer as malas e ir embora, então quem ama seu município diz não ao fracking.

Clique e assista. 


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