Por Carlos Roberto Francisquini
A reforma da BR-369, no perímetro urbano de Cambará, voltou ao centro das discussões locais. Em reunião realizada na Câmara de Vereadores, na tarde desta sexta-feira (07 de novembro) a Comissão Técnica de Integração Urbana (CTIU-369) cobrou da União o reconhecimento formal dos títulos de propriedade dos imóveis localizados às margens da rodovia, condição considerada essencial para avançar no diálogo sobre as intervenções previstas no trecho.
O projeto, que integra o contrato de concessão da EPR Pioneira, tem previsão de conclusão para 2027. Entretanto, o temor de desapropriações futuras mobiliza comerciantes e proprietários, que exigem garantias documentais antes de qualquer execução.
O ato público contou com ampla presença política. Estiveram no plenário o prefeito Walcir Joaquim (PSD), o vice-prefeito Gil dos Anjos (União Brasil), o presidente da Câmara, Marcio Albertini (PSD), além dos vereadores Marcos Roberto de Oliveira (PP), Cassiano Menezes (PV), Walmir Joaquim (PSD), Paulo Nunes (Bacana – PL), Jair Eletricista (MDB), Tânia Lima (PSD) e Francisco Peres (PP).
Representando o setor empresarial, a advogada Kelly Marzenta apresentou as preocupações da categoria e reforçou as principais reivindicações, a garantia do direito de propriedade e a execução de um contorno viário, que desvie o fluxo pesado de veículos, mantendo o traçado atual da BR no perímetro urbano.
O vereador e Presidente da Câmara Marcio Albertini afirmou que o assunto está sendo levado muito a sério pelo governo local e que a Câmara está empenhada em encontrar a melhor solução. Marcio disse que a concessionária está convicta que vai concluir o projeto e que as conversas avançaram muito no objetivo de causar o menor impacto possível aos comerciantes que margeiam a rodovia.
“O governo local está empenhado em resolver a questão com o menor impacto possível para os comerciantes”, afirmou Marcio Albertini, destacando que houve avanços no diálogo com a EPR e mudanças significativas no projeto original.
O momento mais intenso da reunião veio com a abertura da palavra ao público. Moradores e empresários expressaram dúvidas sobre os impactos econômicos e estruturais que a obra pode gerar após sua conclusão. A falta de clareza da concessionária quanto à apresentação do projeto final tem alimentado o clima de incerteza.
O procurador jurídico do município, Esli Arantes, ponderou que a prefeitura tem atuação limitada no caso, já que a obra é de responsabilidade da União e da concessionária.
“O município acompanha de perto, mas as decisões principais estão nas mãos do governo federal e da empresa contratada, que afirma ter o contrato em plena vigência”, explicou.
Enquanto o impasse segue, Cambará tenta equilibrar desenvolvimento e preservação de seu tecido urbano. Entre reivindicações e promessas de diálogo, a comunidade aguarda respostas e, sobretudo, segurança jurídica antes que as máquinas entrem em cena na BR-369.
Não está descartada a realização de uma reunião em Brasília, na sede da ANTT, para discutir o assunto diretamente com representantes do governo federal e da concessionária.