Por Carlos Roberto Francisquini
No último sábado, 8 de novembro, Cambará amanheceu sob uma atmosfera diferente, uma mistura de solenidade e expectativa. Dentro da Templo da Loja Maçônica Jacques de Molay, o som pausado das vozes ecoava em tom cerimonial, enquanto a luz das velas acesas no salão davam o tom para mais um momento marcante para a organização juvenil patrocinada pela Loja Maçônica Jacques de Molay. Este foi o cenário perfeito para um momento de iniciação de quatro novos membros na Ordem DeMolay. Os jovens Vinicius Ahmad dos Reis Lopes, Otávio Miguel de Mello Campagnoni, Pablo Elidio Francisquini e João Moraes Michelato foram iniciados e agora fazem parte de uma tradição centenária que atravessa gerações e fronteiras.
O Capítulo Jacques de Molay de Cambará, responsável pela cerimônia, é liderado por Fernando Mafra de Almeida (Mestre Conselheiro), ao lado de Miguel Di Nizo Guilhen (Primeiro Conselheiro), Henrico Dariva Francica (Segundo Conselheiro), João Augusto Romano Albertini (Escrivão) e Pedro Henrique Marcusso Pires (Mestre de Cerimônias). Mais do que cargos, são funções que se misturam à ideia de serviço, responsabilidade e exemplo, palavras raras, mas necessárias, em tempos de ruído e pressa.
Entre os momentos mais marcantes da manhã, a Cerimônia da Luz, conduzida por Miguel, Kadu e João, trouxe um clima de introspecção e beleza. Em meio à penumbra ritualística, o significado era claro: a luz representa o conhecimento, a sabedoria e a verdade, elementos que guiam o jovem DeMolay em sua jornada de crescimento moral e espiritual.
“É uma experiência que transcende o ritual”, comentou Aelson Michelato. “A gente sente o que está sendo dito” , acrescentou,
E talvez seja esse o segredo da longevidade da Ordem. Falar ao coração através de símbolos.
O Venerável Mestre da Loja Maçônica Jacques de Molay, Alessandro Luz, reforçou em seu discurso o papel transformador da instituição.
“A DeMolay é uma escola de valores. Aqui, eles aprendem sobre liderança, ética e fraternidade, virtudes que não se ensinam em sala de aula, mas se constroem na convivência e no exemplo”, afirmou.
A plateia, composta por familiares, maçons e amigos, ouviu com atenção. Era fácil perceber o orgulho estampado nos rostos dos pais, a emoção contida dos jovens e o respeito coletivo por uma tradição que sobrevive não pela rigidez, mas pela capacidade de inspirar.
Na sequência, Claudemir Teceron, um dos mentores e incentivadores da instalação do Capítulo em Cambará, emocionou ao falar sobre confiança e propósito.
“Nosso papel é lapidar o que já é bom. Esses jovens chegam com potencial e coração abertos, nós apenas ajudamos a transformá-los em líderes, em cidadãos melhores”, frisou.
Entre discursos e aplausos, uma fala chamou atenção pelo contraste entre tamanho e significado. O pequeno Benjamin Francisquini, Mestre Escudeiro do recém-criado Castelinho, uma ramificação da Ordem que acolhe crianças de 7 a 11 anos, pediu para falar e com segurança surpreendente, deu o recado.
“Estou representando os meus irmãos Escudeiros e trago as nossas felicitações. Parabéns aos novos membros DeMolay e a todos aqui presentes”, disse.
A simplicidade do gesto arrancou sorrisos e admiração dos presentes. Um menino de poucos anos lembrava a todos que o futuro da fraternidade já está sendo preparado e que as sementes da virtude, quando plantadas cedo, florescem com força.
Quando as luzes se acenderam e os abraços começaram a preencher o salão, ficou claro que aquele sábado foi mais do que uma cerimônia. Foi uma reafirmação de que, mesmo em tempos de conexões rápidas e valores voláteis, ainda há espaço para rituais que ensinam paciência, respeito e significado.
A Ordem DeMolay, com sua estética antiga e seus princípios sólidos, resiste ao tempo, não como uma relíquia, mas como um lembrete. Em Cambará, essa chama segue viva. E enquanto houver jovens dispostos a buscar luz em meio à pressa, ela continuará iluminando caminhos.
Um juramento de cada vez.
Rádio CirculandoFM