
C.Roberto Francisquini
A queda de braços entre prefeitura municipal e os estudantes universitários de Cambará ganhou um novo capítulo na noite desta segunda-feira (24). Parte dos acadêmicos que compõem a Associação dos Estudantes da cidade lotou a Câmara de vereadores para pedir providências na elaboração do projeto de lei que viabilize o transporte dos estudantes para as diversas faculdades da região.
Os estudantes lotaram o plenário da câmara municipal munidos com cartazes com frases de impacto e nariz de palhaço para protestar contra a classe política local, pelo que consideram descaso com os universitários da cidade, pela ausência do transporte escolar.
A queda de braços com a associação dos estudantes teve início desde que o prefeito José Salim Haggi Neto assumiu a prefeitura de Cambará. O Alcaide sustenta que houve alteração na lei que viabiliza a liberação de recursos púbicos para o transporte de estudantes da cidade e que diante disto não pode fazer muita coisa.
Nivea Bregiatto, Presidente da Associação dos Estudantes de Cambará, questiona a postura do atual prefeito, alegando que na gestão passada, havia o repasse na casa de R$ 15 mil mensais para ajuda de custo com combustível para a associação. Outro ponto questionado pela presidente da associação é o fato de o prefeito enviar para a Câmara uma decisão que poderia ter sido tomada no gabinete. “O prefeito pode, se quiser, baixar um decreto e apoiar os estudantes”, pondera a presidente.
A argumentação de Nivea faz sentido. Na Câmara de vereadores o projeto leva tempo para ser analisado, discutido e posteriormente, se tudo estiver dentro das normalidades, evidentemente, aprovado. No projeto enviado pela prefeitura para entrar na pauta de discussão da última sessão, por exemplo, ficou barrado por falta de documentação. “Não há uma previsão para que o projeto seja analisado pela Câmara, tendo em vista, que tudo que temos são copias de projetos existentes em outras cidades, mas que precisam ser analisados com clareza para ver se se adaptam a nossa realidade”, disse Walcir Joaquim, Presidente da Câmara local.
Para Angélica Moreira, estudante presente na sessão da Câmara, a morosidade para resolver a questão pode comprometer o ano letivo dos acadêmicos. “Estamos há pelo menos cinco dias com dificuldades para ir para a faculdade e este problema se arrasta desde o início do ano letivo”, questiona. Ela também lamenta que este assunto, aparentemente fácil de ser resolvido, tenha que mobilizar vereadores para outras cidades da região para estudar programas de sucesso, como acontece em Andirá, por exemplo, em que os estudantes pagam parcos R$20 por mês para se locomoverem para outros centros em busca de formação universitária. “É uma pena que gastam com diárias entre outros custos para analisar uma questão simples, facilmente pesquisada na internet, facilitaria a vida de quem precisa do transporte escolar”, afirma Angélica.

A declaração da estudante repercutiu na cidade e mexeu com ânimos dos integrantes da Câmara. O primeiro a se manifestar foi o presidente do Parlamento local, W.Joaquim (PSDB), que esteve na redação do Circulandoaqui na tarde desta quarta-feira (25) acompanhado dos vereadores Gil dos Santos (PSC) e Marcio Albertini (PR) para falar do assunto. O presidente disse que o problema é da gestão do prefeito Neto, mas entende que a Câmara possa ajudar. Walcir disse que apoia o posicionamento da estudante, porém discordou que a Câmara esteja bancando diárias para os vereadores dispostos a visitar as cidades da região em busca de informações sobre o assunto.
W.Joaquim afirmou que nesta terça-feira (25) esteve em Andirá onde conheceu in loco o que a prefeita Ione Abib está fazendo para os estudantes universitários andiraenses.
“O que encontramos lá, foi uma pasta organizada e um interesse muito grande da gestão pública pela educação dos jovens da cidade. Acho que se nos esforçássemos um pouco mais, e tivermos um pouco mais de boa vontade, poderemos, sim, oportunizar um transporte adequado para nossos estudantes cambaraenses”, finalizou.
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