
Por Carlos Roberto Francisquini
Há entrevistas que funcionam como manifesto. Outras, como confissão. A conversa de Benedito Moreira Neto ou simplesmente Bene, como é conhecido na cena cult de Curitiba, com o jornalista Roberto Francisquini, na manhã desta quinta-feira, na Rádio Circulando, foi um pouco das duas coisas. Ao vivo, sem filtros, Neto Moreira abriu o jogo sobre projetos no cinema, a paixão pelo rock pesado, a importância da família e a relação visceral com Cambará, sua cidade natal.
Filho mais velho de uma família de artistas, Bene construiu sua trajetória a partir de uma linha do tempo marcada por inquietação criativa. Na entrevista, ele costurou memórias da infância e da juventude com os caminhos que o levaram ao audiovisual e à música — territórios onde a urgência estética e a atitude sempre falaram mais alto do que fórmulas prontas.
Mas foi ao falar do pai, Benedito Moreira Junior, já falecido, que a entrevista ganhou densidade emocional.
“O Benê era um cara extraordinário. Ele sabia o que falar pra gente. Na dose certa, no momento oportuno. E nos deu liberdade para sonhar. Muito do que sou hoje, devo a ele”, disse, visivelmente emocionado.
O relato revelou não apenas a admiração filial, mas a origem de uma filosofia de vida baseada na escuta, no afeto e na autonomia criativa.
Entre referências ao rock de peso, mais atitude do que pose, e aos novos projetos no cinema, Neto Moreira mostrou que sua arte nasce do atrito entre passado e futuro. Cambará aparece como ponto de partida, Curitiba como laboratório criativo e o mundo como horizonte possível. Nada soa nostálgico demais; tudo pulsa como obra em andamento.
A entrevista foi transmitida ao vivo pela Rádio Circulando e está disponível na íntegra no canal da emissora no YouTube, em youtube.com/@circulandoplay. Para quem busca entender como se constrói um artista sem abrir mão das próprias raízes, vale apertar o play.
Rádio Circulando