
Por Carlos Roberto Francisquini
Na manhã desta sexta-feira, 13, o secretário municipal de Saúde, Leandro Moreira, foi à Rádio CirculandoFM para apresentar o que classificou como “um bom início de ano” à frente da pasta e sinalizar o que pode ser uma mudança estrutural no atendimento público local.
Ao lado da diretora do Hospital Municipal, Izabel Pucci, e do diretor da pasta da Saúde, Emerson Francisquine, o secretário adotou um tom confiante. O trio detalhou investimentos, metas e ajustes operacionais que, segundo eles, marcam o começo de uma nova etapa.
O principal anúncio foi o convênio firmado com a Santa Casa de Cambará no valor de R$ 960 mil. O acordo garante que gestantes do município possam dar à luz na própria cidade, uma reivindicação antiga das famílias, que até então precisavam se deslocar para municípios vizinhos.
“Estamos entrando numa nova realidade na saúde pública de Cambará. Tudo está sendo feito com muito zelo, com muito respeito para atender as demandas e as expectativas da população”, afirmou Leandro Moreira.
A declaração sintetiza o discurso da atual gestão: proximidade, eficiência e humanização.
Se o convênio simboliza o avanço político, a estrutura física ainda exige ajustes técnicos. Izabel Pucci explicou que o Hospital Municipal passa por adequações finais para obter as liberações oficiais da 19ª Regional de Saúde. Segundo ela, faltam apenas detalhes burocráticos e técnicos para que a instituição esteja plenamente apta a realizar todos os serviços previstos.
A fala da diretora sugere que o município busca não apenas ampliar o atendimento, mas fazê-lo dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos reguladores, um ponto sensível em tempos de fiscalização rigorosa e judicialização crescente da saúde pública.
Emerson Francisquine, por sua vez, ampliou o foco para além da estrutura hospitalar. Ele destacou as políticas públicas de prevenção de doenças e reforçou a ideia de trabalho coletivo dentro da secretaria.
“Somos um time e estamos juntos para melhorar o atendimento ao público, especialmente em situação de vulnerabilidade. Quem procura pela saúde pública precisa de atenção”, afirmou, em tom sereno, mas firme.
Francisquine também abordou um tema que extrapola planilhas e protocolos – o ambiente de pressão nas redes sociais. Para ele, é preciso distinguir crítica construtiva de ataques pessoais.
“Precisamos separar a crítica do ataque. Tem coisas que não saem como gostaríamos e receber crítica faz parte da circunstância. Agora, quando a pessoa passa a agredir os profissionais da saúde nas redes sociais, isso não é crítica. A crítica nos ajuda a resolver os problemas; a agressão não. A agressão, o ataque, só provoca tumulto”, frisou.
Ao final da entrevista, os convidados responderam perguntas enviadas pela audiência, em um gesto que reforça a estratégia de comunicação direta adotada pela pasta. Em cidades de porte médio como Cambará, onde a política se mistura ao cotidiano e a cobrança é personalizada, a exposição pública pode ser tão estratégica quanto arriscada.
O que se desenha, por ora, é um esforço para reorganizar a rede municipal com investimentos pontuais, adequação técnica e discurso alinhado. Se a “nova realidade” anunciada se consolidará, dependerá menos das palavras e mais da capacidade de transformar convênios e promessas em atendimento efetivo — especialmente para quem mais depende do sistema público.
Em Cambará, a saúde volta ao centro do debate. E, ao que tudo indica, sob vigilância permanente da população.
Rádio CirculandoFM