Por Carlos Roberto Francisquini
A APAE de Cambará atravessa um dos momentos mais delicados de sua história. Sem a formação de uma nova diretoria e diante do encerramento do prazo estatutário para inscrição de chapas, a instituição corre o risco de sofrer intervenção estadual — ou, no cenário mais extremo, ter cassada a autorização para uso do nome, sigla e símbolo APAE.
À frente da entidade por seis anos, Kelly Cristina Souza Santos Marzenta encerra seu mandato impedida de continuar no cargo, conforme determina o estatuto. O problema é que, mesmo após a publicação de editais e alertas à comunidade, nenhuma chapa se apresentou para assumir a gestão.
Em comunicado oficial classificado como “de extrema gravidade”, a presidente informou à diretoria, aos conselhos e à comunidade que o prazo final e improrrogável para inscrições terminou em 5 de fevereiro de 2026 sem qualquer candidatura. Trata-se da segunda vacância consecutiva, o que inviabiliza a eleição prevista e torna nulo o processo eleitoral.
Diante do impasse, a situação foi formalmente comunicada à FEAPAES/PR, por meio de ofício encaminhado à procuradora jurídica da entidade. A partir de agora, a definição sobre o futuro da APAE de Cambará não está mais nas mãos da diretoria local, mas sob responsabilidade da federação estadual.
Segundo as normas estatutárias, três caminhos estão sobre a mesa.
O primeiro prevê a prorrogação automática do mandato da atual presidência por mais 90 dias, com a publicação de um novo edital para tentar, mais uma vez, mobilizar a comunidade e formar uma diretoria.
O segundo cenário é mais drástico: a instauração de um processo de intervenção estadual. Nesse caso, interventores nomeados pela federação assumiriam integralmente a gestão da entidade — incluindo finanças, contratos, recursos humanos e relações com o poder público —, retirando a autonomia administrativa local.
Há ainda uma terceira hipótese, considerada a sanção máxima: caso nem mesmo a intervenção resulte na formação de uma nova diretoria, a APAE de Cambará pode perder o direito de existir como tal. A cassação da autorização do uso do nome e do símbolo implicaria, ainda, o envio do caso ao Ministério Público para as providências cabíveis.
A Assembleia Geral Ordinária marcada para o dia 25 de fevereiro de 2026 não terá caráter eletivo. A propósito, nem será realizada.
No comunicado, Kelly Marzenta faz um apelo direto à participação da sociedade local. Para ela, o momento é de assumir as consequências da falta de engajamento ou de agir para preservar o legado construído ao longo de décadas pela entidade em Cambará.
O desfecho, agora, depende menos de prazos e mais da mobilização de uma comunidade que sempre reconheceu o papel social da APAE, mas que, diante do silêncio institucional, pode assistir à perda de uma de suas mais importantes referências na área da inclusão e da educação especial.