
Por Carlos Roberto Francisquini
Em meio a um cenário político já tensionado, um episódio envolvendo o transporte escolar colocou novamente a administração municipal de Cambará no centro de um debate público que se espalhou rapidamente pelas redes sociais. O caso ganhou repercussão após a manifestação de uma estudante de 62 anos, moradora do Conjunto Votorantin, que criticou o serviço oferecido pela prefeitura.
A polêmica levou a Secretaria Municipal de Educação a se pronunciar oficialmente na manhã desta sexta-feira (13), durante entrevista concedida à Rádio Circulando FM.
No áudio que circulou nas redes e também foi reproduzido pela emissora, Dona Selma — estudante do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) — afirmou que a prefeitura estaria se recusando a buscá-la em um horário específico em um ponto de ônibus para levá-la diretamente ao Colégio Estadual Professor Silvio Tavares, onde está concluindo seus estudos.
Moradora do bairro Votorantin, ela alegou que teria dificuldades para utilizar o transporte nos moldes atuais e cobrou uma solução individual para o trajeto até a escola.
A resposta veio da diretora da pasta, Vânia Carvalho Dias, que participou da entrevista acompanhada de Ademir Arruda. Segundo eles, o sistema de transporte escolar segue operando normalmente.
De acordo com Arruda, o caso seria resultado de um mal-entendido sobre o funcionamento da logística do transporte.
Ademir Arruda Responsável pelo Transportes de Estudantes de Cambará - Foto: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando
“O serviço segue normalmente. O transporte passa no bairro às 18h20, deixa os alunos e embarca aqueles que precisam seguir para os destinos escolares. A estudante entende que o transporte deveria ser exclusivo, que o motorista deveria buscá-la e ir direto para a escola onde ela está matriculada, mas isso comprometeria toda a logística dos demais estudantes”, explicou.
Segundo o responsável pelo setor, o retorno dos estudantes para suas casas, segue a mesma dinâmica de rota coletiva.
Embora pontual, o episódio ganhou proporções maiores no ambiente digital e acabou sendo incorporado ao debate político local. O caso passou a ser explorado por críticos da atual gestão municipal.
O prefeito Walcir Joaquim, do Partido Social Democrático (PSD), enfrenta um momento delicado. A administração tem encontrado dificuldades para avançar com algumas pautas e lida com uma opinião pública cada vez mais crítica — cenário que tende a se agravar quando episódios pontuais viralizam nas redes.
A situação ocorre em um momento sensível para a área educacional do município. A Secretaria de Educação está sem titular há mais de três semanas, desde o pedido de exoneração de Diego. Até o momento, o prefeito ainda não anunciou quem assumirá oficialmente a chefia da pasta.
A ausência de um secretário definitivo tem alimentado questionamentos sobre a condução da área.
Mesmo assim, Vânia Dias garantiu que os serviços continuam funcionando normalmente. Segundo ela, a rede municipal atende atualmente mais de 1.600 alunos e a entrega de materiais escolares já foi concluída.
“Nenhum serviço foi comprometido até agora”, afirmou a diretora.
Ainda de acordo com a Secretaria, a distribuição dos uniformes escolares está prevista para ocorrer no início de abril.
A íntegra da entrevista concedida para a Rádio CirculandoFM pela equipe da Secretaria de Educação está disponível no canal da emissora no youtube.
Enquanto isso, em Cambará, um episódio aparentemente simples revela como a combinação entre redes sociais, insatisfação popular e instabilidade administrativa pode transformar uma reclamação individual em mais um capítulo do desgaste político de uma gestão municipal.
Rádio CirculandoFM