
Por Carlos Roberto Francisquini
Em plena largada da corrida pelo Palácio Iguaçu, o pré-candidato ao governo do Paraná, Requião Filho, decidiu subir o tom. Em entrevista ao vivo concedida à Rádio Circulando FM, na manhã desta terça-feira (17), ele traçou uma linha clara de confronto com seus principais adversários e não poupou palavras.
O alvo mais direto foi o ex-juiz e senador Sergio Moro, apontado como seu principal oponente na disputa. Para Requião Filho, o discurso de Moro estaria limitado a um único eixo.
“Combater a corrupção é a única bandeira de Sergio Moro. Mas o Paraná precisa mais que isso, precisamos de políticas públicas que vão ao encontro dos anseios do paranaense”, afirmou, sinalizando que pretende deslocar o debate para temas econômicos e sociais.
Mas não foi apenas o adversário direto que entrou na mira. O atual governador, Ratinho Junior, também foi alvo de críticas contundentes, especialmente pela condução da política de privatizações. Requião Filho acusou o governo de agir contra os interesses da população ao vender ativos estratégicos, com destaque para a Copel.
]“Vamos reestatizar a nossa Copel”, prometeu, em tom enfático, uma declaração que deve acirrar ainda mais o debate sobre o papel do Estado na economia.
No campo das propostas, o pré-candidato tenta se diferenciar com uma agenda voltada ao pequeno empreendedor. Ele lançou recentemente a plataforma “ICMS Zero”, iniciativa que pretende mobilizar apoio popular para zerar o imposto estadual sobre mercadorias e serviços comercializados por micro e pequenas empresas no Paraná.
A ideia, segundo ele, é reposicionar o Estado como aliado de quem produz.
“Nós acreditamos que é preciso investir e acreditar em quem realmente gera empregos aqui no Paraná”, disse.
O raciocínio segue uma lógica clássica do liberalismo econômico aplicado à base produtiva: menos impostos, mais atividade econômica.
Requião Filho sustenta que a desoneração pode impulsionar o crescimento de negócios locais — aqueles que, nas suas palavras, “conhecem o cliente pelo nome” — e, por consequência, ampliar a geração de empregos. A proposta, no entanto, ainda deve enfrentar questionamentos sobre seu impacto nas contas públicas, especialmente em um estado que depende fortemente da arrecadação do ICMS.
A entrevista revela mais do que críticas pontuais — expõe uma disputa de modelos para o Paraná. De um lado, a ênfase de Sergio Moro no combate à corrupção; de outro, a defesa de um Estado mais ativo na economia por parte de Requião Filho, com promessas de reestatização e incentivo fiscal.
No meio desse embate, a gestão de Ratinho Junior surge como alvo e parâmetro — criticada por um, defendida por seus aliados, e inevitavelmente transformada em termômetro do debate eleitoral.
A íntegra da entrevista está disponível no canal da emissora no YouTube, @circulandoplay — onde o pré-candidato detalha suas propostas e reforça o tom combativo que deve marcar sua campanha.
Se o início já é assim, a eleição promete ser menos sobre consensos e mais sobre visões opostas de futuro.