
Por Carlos Roberto Francisquini
Um episódio de violência dentro de uma escola pública transformou indignação em mobilização social no norte do Paraná. A professora de Libras Jéssica Rosso, conhecida como Keka Rosso, apoia a organização de um ato público pacífico marcado para esta segunda-feira, em Andirá, com o objetivo de chamar a atenção da população para o que classifica como a crescente normatização da violência no cotidiano.
A iniciativa ganhou força após a repercussão nacional de um caso ocorrido recentemente no município. Durante uma discussão sobre o uniforme de um aluno, uma mãe invadiu a escola e agrediu funcionárias. Segundo relatos, a mulher desferiu socos, puxões de cabelo e golpes com um capacete, além de morder a vice-diretora da instituição — uma cena que chocou testemunhas e rapidamente se espalhou pelo país.
Na manhã do último sábado, 21, Keka Rosso detalhou a mobilização em entrevista à rádio Circulando FM, de Cambará. Durante a conversa, fez um convite direto à população regional para que participe do ato, ressaltando o caráter pacífico da manifestação e a necessidade de uma resposta coletiva.
“O que está em jogo não é apenas um caso isolado, mas um comportamento que começa a ser tolerado. Precisamos reagir enquanto sociedade”, afirmou.
Para a professora, o protesto tem duplo propósito: prestar solidariedade aos profissionais da educação, frequentemente expostos a situações de e insegurança, e provocar reflexão pública sobre os limites da convivência social. A expectativa é reunir moradores de Andirá e cidades vizinhas em uma manifestação silenciosa, marcada mais pelo simbolismo do que pelo confronto.
Em um cenário em que episódios de agressão ganham visibilidade crescente, a mobilização organizada por Keka Rosso se insere em um movimento maior de resistência à banalização da violência. Mais do que um ato pontual, a manifestação pretende lançar um alerta: quando a agressão deixa de causar estranhamento, o tecido social começa a se romper.
Na avaliação dos organizadores, o momento exige posicionamento claro, tanto da sociedade quanto das autoridades.
E, para eles, o primeiro passo já foi dado: transformar indignação em ação.
Rádio CirculandoFM