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Gestão Walcir Joaquim caminha para a ingovernabilidade?

Um governo que começou com todas as condições para dar certo pode se consolidar como exemplo de oportunidade desperdiçada

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Da redação
21/04/2026 às 14h30 Atualizada em 22/04/2026 às 16h58
Gestão Walcir Joaquim caminha para a ingovernabilidade?
Walcir Joaquim - Prefeito de Cambará - Fotos: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando

 

Por Carlos Roberto Francisquini

 

Eleito sob o discurso de renovação e responsabilidade administrativa, o prefeito Walcir Joaquim (PSD) chegou ao poder em 1º de janeiro de 2025 com um cenário raro e amplamente favorável. Ele iniciou sua gestão com apoio do Governo do Estado, maioria na Câmara de Vereadores e respaldo popular consistente. Em termos políticos, tinha em mãos todas as ferramentas necessárias para governar com firmeza, previsibilidade e eficiência. Ainda assim, pouco mais de um ano depois, o que se vê é um governo que patina, perde rumo e começa a flertar perigosamente com a ingovernabilidade.

A crise na saúde foi o primeiro sinal, e talvez o mais revelador, de uma gestão sem comando claro. Três secretários em menos de seis meses não representam apenas “ajustes”, mas sim desorientação administrativa. A saúde pública, que exige continuidade, planejamento e liderança técnica, tornou-se símbolo de improviso. Para a população, o resultado é direto. Falta de medicamentos, atendimento precário e sensação de abandono.

Mas o problema não se limita a uma pasta. A educação segue sem liderança definida após a saída do responsável, enquanto a Agricultura foi esvaziada por conveniências políticas, com o vice-prefeito deixando o cargo para se dedicar a projetos eleitorais. A demora em nomear substitutos não é um detalhe burocrático, é um sinal de negligência com áreas essenciais. Governo que não preenche seus próprios espaços demonstra não compreender a urgência das demandas públicas.

No campo político, o desgaste é igualmente evidente. A base aliada, antes sólida, começa a apresentar fissuras. Vereadores que sustentavam o governo agora elevam o tom, refletindo o incômodo crescente nas ruas. E não é difícil entender o porquê. A população passou a recorrer às redes sociais para denunciar o óbvio, serviços básicos que não funcionam.

Some-se a isso episódios mal explicados, como o acidente envolvendo um veículo oficial, e o cenário se agrava. Transparência, que deveria ser um pilar de qualquer gestão séria, parece ausente. Em administrações responsáveis, fatos dessa natureza são esclarecidos com rapidez e objetividade. O silêncio ou a comunicação falha apenas alimentam desconfiança.

O ponto mais preocupante, no entanto, talvez seja o comportamento do próprio prefeito. Ao se envolver em discussões em grupo de WhatsApp e reagir a críticas em tom pouco institucional, Walcir Joaquim expôs não apenas irritação, mas uma preocupante falta de postura para o cargo que ocupa. Chegar ao ponto de desafiar cidadãos a “apresentarem soluções” revela inversão de papéis. Governar não é terceirizar responsabilidade, é assumi-la integralmente.

A política exige equilíbrio, sobretudo nos momentos de crise. Um chefe do Executivo não pode agir como um cidadão comum em debates acalorados. Espera-se serenidade, liderança e capacidade de absorver críticas, não confrontá-las de forma emocional. Quando falta esse autocontrole, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ser de ordem institucional.

O conceito de ingovernabilidade não surge do acaso. Ele se instala quando um governo perde capacidade de coordenação, autoridade política e confiança pública. Cambará começa a dar sinais claros desse processo. Desorganização interna, base fragilizada, população insatisfeita e liderança questionada.

A expectativa de mudança que levou Walcir Joaquim ao poder vai se transformando, gradativamente, em frustração.

E, sob uma ótica conservadora, é preciso dizer com clareza. Governar exige responsabilidade, respeito às instituições, disciplina administrativa e compromisso real com a ordem e a eficiência. Não há espaço para improviso, vaidade ou instabilidade emocional na condução da coisa pública.

Ainda restam mais de dois anos e meio de mandato. Há tempo para corrigir rumos, recompor a autoridade e resgatar a confiança. Mas isso exigirá mais do que discursos, será necessário mudar práticas, cercar-se de competência técnica e, sobretudo, compreender que o poder não é palco de reações impulsivas, mas instrumento de serviço à população.

Se não houver essa inflexão, o risco é claro. Um governo que começou com todas as condições para dar certo pode se consolidar como exemplo de oportunidade desperdiçada.

 

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