Por Carlos Roberto Francisquini
A escalada do conflito no Oriente Médio começa a reverberar com intensidade no agronegócio brasileiro, acendendo um sinal de alerta entre produtores do Norte Pioneiro. Em uma cadeia produtiva cada vez mais sensível a oscilações globais, o aumento nos custos de insumos e a instabilidade nos mercados internacionais já se traduzem em dificuldades concretas no campo.
Em entrevista à Rádio CirculandoFM, o engenheiro agrônomo Everton Muchagata, um dos diretores da Produza em toda a região, traçou um panorama cauteloso do momento. Segundo ele, embora o conflito esteja geograficamente distante, seus efeitos econômicos são imediatos e profundos.
“A precificação dos produtos já ultrapassa 30%”, afirmou Muchagata, referindo-se principalmente ao encarecimento de insumos essenciais, como fertilizantes e combustíveis, ambos altamente dependentes de cadeias globais afetadas por tensões geopolíticas.
A preocupação, de acordo com o agrônomo, não se limita ao presente. Há um receio crescente de que a crise se prolongue, pressionando ainda mais os custos de produção e comprometendo margens já apertadas.
“O setor vê com cautela o momento vivido. A expectativa é que a crise termine sem causar maiores impactos, mas os reflexos já são sentidos de forma clara”, destacou.
No Norte Pioneiro, região com forte vocação agrícola, a elevação nos preços chega em um momento delicado, exigindo dos produtores maior planejamento e resiliência. Muitos já revisam estratégias, renegociam contratos e buscam alternativas para mitigar perdas.
Especialistas apontam que, em cenários de instabilidade internacional, o agronegócio brasileiro, apesar de sua robustez, não fica imune. A dependência de insumos importados e a volatilidade cambial tornam o setor particularmente vulnerável a conflitos externos.
Enquanto o desenrolar da crise no Oriente Médio permanece incerto, produtores seguem atentos. No campo, onde o tempo e o mercado raramente concedem pausas, a palavra de ordem é adaptação, ainda que sob pressão crescente.