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Assembleia Legislativa debate formas de combater a violência em competições esportivas infantojuvenis
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, na manhã desta segunda-feira (27), a audiência pública “Combate à Violência no Desporto Infantojuvenil...
27/04/2026 13h41
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná

A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, na manhã desta segunda-feira (27), a audiência pública “Combate à Violência no Desporto Infantojuvenil”, reunindo educadores e especialistas no tema. Proposto pelo deputado Evandro Araújo (PSD), o encontro serviu como uma importante troca de informações entre profissionais ligados ao esporte nessa faixa etária e contribuiu para o aprimoramento do projeto de lei sobre o assunto apresentado pelo parlamentar.

“Como presidente da Comissão da Criança, do Adolescente e da Pessoa com Deficiência, tenho recebido provocações acerca desse tema do projeto, que é de minha autoria, e trata da violência no âmbito das competições infantojuvenis. As crianças estão lá disputando essas competições e a gente percebe que o que deveria ser uma competição saudável, lúdica, uma experiência pedagógica bonita, de formação, acaba se tornando uma experiência constrangedora e violenta para a criança”, afirma o deputado.

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Diante desse quadro, Araújo apresentou o Projeto de Lei nº 990/2025, que já foi aprovado pelas comissões de Constituição e Justiça e de Esportes da Casa. A proposta institui diretrizes para a Política Estadual de Prevenção e Combate à Violência em Competições Esportivas Infantojuvenis, destinada a garantir um ambiente seguro, respeitoso, educativo e saudável para crianças e adolescentes participantes de eventos esportivos em todo o estado.

De acordo com o deputado, os jovens muitas vezes são submetidos a situações humilhantes, sendo alvo de xingamentos ou mesmo de cobranças exageradas vindas das arquibancadas.

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“O adulto muitas vezes traz as suas frustrações, os seus sonhos, as suas expectativas para dentro do ambiente da quadra esportiva, da arquibancada, e há gritaria, xingamentos, enfrentamentos e, às vezes, até enfrentamento físico entre pais e responsáveis, na relação com o técnico do time ou com o adversário. Estamos criando um ambiente que não é saudável, que não é bom para crianças e adolescentes. Então, nós resolvemos levantar esse assunto”, complementa, destacando que a gravidade dessa situação impacta até mesmo a forma de organização das competições de crianças e jovens.

“Recentemente, a Federação Paulista de Futebol tomou a decisão de proibir a presença de pais por seis meses em competições de futebol sub-9, sub-10 e sub-11, justamente por esses episódios que têm se tornado algo muito triste no ambiente dessas competições. Claro que é normal a rivalidade dentro de uma perspectiva de competição saudável. Mas o que acontece hoje é ruim para as crianças. A gente percebe que o excesso é o que está predominando, e esse excesso está causando violência. Eu vi relatos de crianças dizendo que só queriam se divertir, mas aquela diversão passou e ficou a obrigação de ter desempenho, a proibição de errar, a expectativa de uma performance que não é própria da idade da criança”, disse Araújo.

Com a audiência pública, o deputado pretende estimular o debate e ampliar a participação da sociedade, inclusive para aprimorar o projeto de lei.

“A gente quer a contribuição da sociedade. Aqui estão atores que discutem essa temática do esporte, da educação física, e também da infância, para a gente chegar a um acordo, tentar construir um texto que possa contribuir para essa realidade no Paraná. É isso que queremos fazer com esse debate. Até porque é um projeto que já está tramitando, mas ainda não foi aprovado em plenário e pode ser aprimorado”, conclui.

Somar forças

Para a supervisora do esporte escolar da Secretaria de Esportes do Paraná, Marcia Tomadon Moreira, o problema só será resolvido a partir da união de todos os envolvidos nas competições esportivas entre crianças e adolescentes.

“Esta é uma discussão importantíssima, visto que a gente vive um mundo bastante difícil hoje. Discutir a violência, em todas as suas formas, é fundamental para somarmos forças e conseguirmos construir um projeto que chegue até as nossas crianças, para que possamos combater esse obstáculo de frente. Precisamos fazer com que crianças e adolescentes entendam que isso não leva a nada, não leva a lugar nenhum”, explica, elogiando a iniciativa do Parlamento em debater o tema e buscar soluções para o problema.

“Eu acho que o esporte tem uma função importante nesse sentido, que é o combate à violência. E precisamos apoiar isso. Fico bastante feliz que essa iniciativa venha também da Assembleia, que se fortaleça e se torne institucional em todas as secretarias. Procuramos, dentro do esporte, mostrar que o que vale mesmo são as boas virtudes e que ganhar ou perder seja um aprendizado para a vida toda. Infelizmente, vivemos esse cenário e temos o desafio de fazer com que as pessoas entendam que aquilo é apenas um evento esportivo, que vai acabar e, depois, todos devem permanecer bem e tranquilos”, complementa.

A audiência pública contou ainda com a participação da professora do Departamento de Educação Física da UFPR, Adriana Inês de Paula; da presidente da Comissão de Direitos da Criança da OAB/PR, Ana Lucia Munhoz de Oliveira; do diretor do Departamento de Esporte da Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude de Curitiba (SMELJ), José Severiano Machado Netto; do vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física da 9ª Região – Estado do Paraná (CREF9/PR), Guilherme Stival Gaspari; da defensora pública Gabriela Ruzzene, do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria Pública do Paraná; e de Paulo Schmitt, ex-procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que contribuíram com sugestões para o enfrentamento do problema.

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AUDIÊNCIA PÚBLICA: "COMBATE À VIOLÊNCIA NO DESPORTO INFANTO-JUVENIL"

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