
Por Carlos Roberto Francisquini
Em meio a um cenário de aperto fiscal e decisões impopulares, a Prefeitura de Cambará tenta virar a página com um anúncio de peso: o início das operações da Yazaki Corporation no município. A notícia, oficializada na manhã desta terça-feira durante entrevista à Rádio Circulando FM, foi tratada como um divisor de águas pelo prefeito Walcir Joaquim. “Grande dia”, resumiu, em tom de alívio.
Acompanhado do secretário de Indústria e Comércio, Junior Fantinelli, o prefeito detalhou que a chegada da multinacional segue o cronograma previamente estabelecido pela gestão para a geração de empregos. Em uma cidade pressionada por medidas de contenção de despesas, o anúncio surge como resposta direta à cobrança popular.
“É difícil tomar medidas amargas, mas é preciso”, disse Walcir, referindo-se ao recente decreto de corte de gastos que provocou desgaste político.
“Estamos trabalhando para superar este momento difícil.”
A estratégia, ao que tudo indica, é clara: segurar as contas no curto prazo enquanto prepara o terreno para uma retomada sustentada pela indústria.
A Yazaki Corporation, gigante global do setor de componentes automotivos, inicia suas atividades em Cambará cercada de expectativa. Para o prefeito, trata-se de mais do que um investimento: é um sinal concreto de recuperação econômica.
“Isso vem ao encontro daquilo que acreditamos ser o melhor para nossa gente: geração de emprego, renda e melhoria na autoestima do cambaraense”, afirmou.
Fantinelli, por sua vez, adotou um discurso pragmático, com foco no médio prazo. Segundo ele, a presença da empresa abre portas sobretudo para os jovens da cidade, mas exige preparação.
“A Yazaki é uma ótima oportunidade para quem busca crescer dentro da empresa. A prefeitura vai trabalhar para oportunizar que nossos jovens tenham acesso a cursos profissionalizantes”, disse.
A meta é antecipar uma demanda que, segundo o secretário, ainda deve crescer à medida que a operação da multinacional se expanda.
O pacote de otimismo não se restringe à indústria automotiva. Durante a entrevista, o secretário citou outros investimentos em andamento, como a duplicação da BR-369 e a construção do trevo de acesso à empresa Certano, obras que, além de melhorar a infraestrutura, já aquecem o mercado de trabalho local.
“São duas grandes obras que demandam muita mão de obra e isso impacta positivamente na economia municipal”, avaliou.
Há, contudo, um pano de fundo que não pode ser ignorado. Cambará atravessa um momento de ajuste, com limitações orçamentárias e pressão por resultados rápidos. Nesse contexto, o discurso da gestão mistura realismo e esperança.
“Estamos enfrentando dificuldades, não há como negar”, reconheceu Fantinelli. “Mas estou vendo o copo meio cheio.”
Ele também destacou o crescimento de uma empresa têxtil local, apontando o empreendedorismo como peça-chave na diversificação econômica do município. A aposta da administração é combinar atração de grandes empresas com o fortalecimento de iniciativas locais, uma equação que, se bem executada, pode reduzir a dependência de ciclos políticos e ampliar a resiliência econômica.
No fim das contas, o “grande dia” celebrado pelo prefeito representa mais do que o início de uma operação industrial. É, sobretudo, um teste para a capacidade de Cambará transformar promessa em resultado, e de convencer sua população de que o sacrifício presente pode, de fato, render dividendos no futuro.