

C.Roberto Francisquini
O prefeito de Cambará, José Salim Haggi Neto (PMDB) defendeu os vereadores Marcos Roberto de Oliveira (Tetinha - DEM), Raffaello Frascatti (PMDB) e Jair Antonio da Silva (Jair Eletricista – PMDB), que ingressaram na Câmara de vereadores com um projeto de lei que visa alterar o artigo 138 da lei orgânica municipal que veda a nomeação de familiares de secretários municipais.
Ele participou, por telefone, da sabatina no programa Circulando no Rádio na manhã desta quinta-feira (31). Haggi Neto assumiu que teve participação na decisão de mudança na lei e classificou a repercussão negativa do caso como ataque político.
Neto também falou que o objetivo da iniciativa é atualizar a lei municipal em paralelo a resolução nº 13 da lei federal e que não tem caráter de apoiar o nepotismo, como reza a lei orgânica atual.
O prefeito afirmou que a lei orgânica de Cambará é antiga e que precisa ser modernizada. A decisão pela mudança na lei vem no mesmo momento em que o alcaide foi obrigado pela justiça local a exonerar a Secretária de Finanças Denize de Campos Kuribayashi, por ser esposa do atual Secretário de Administração Francisco Kuribayashi. A lei, que não é tão velha, como afirmou o prefeito, foi formulada em 1990 e veda a nomeação similar. A investida dos políticos locais abre margem a dúvidas quanto a verdadeira finalidade da alteração no artigo da lei municipal, e deixa visível que o objeto seja para favorecer a recondução da profissional ao cargo, em detrimento a decisão judicial.
O prefeito se esquivou quando foi interpelado quanto ao afrouxamento da lei e os prejuízos que isto pode causar no futuro. Para ele o não haverá prejuízos. O chefe do executivo passou boa parte da entrevista atribuindo à mídia que estaria atuando para favorecer seus adversários na polêmica manobra. “Deixa a gente trabalhar em paz”, indagou.
Haggi Neto ainda afirmou que a exposição dos vereadores na mídia traz prejuízos a imagem dos políticos, os classificou como pessoas honestas e chamou a responsabilidade para si, neste caso.
Histórico ruim
O prefeito de Cambará, José Salim Haggi Neto coleciona um histórico ruim no que diz respeito a prática de nepotismo e contratação irregular. Os casos conhecidos em que o prefeito já foi condenado pela justiça envolve o atual vereador Raffaello Frascati, filho do então vice-prefeito da época e a da contratação de Graça Maria para assessoria de comunicação. No caso de Raffaello a condenação resultou em pagamento de multa, já no caso de Graça Maria o prefeito por pouco não foi impedido de concorrer a eleição de 2016.
Na ocasião Haggi Neto teve seu registro de candidatura indefiro pela justiça local. Os advogados do prefeito promoveram uma verdadeira guerra jurídica até a última instância para assegurar o direito de sua diplomação.
Outro caso conhecido pela população cambaraense diz respeito a impugnação da candidatura de Claudia Batista, ex-esposa do prefeito e atual vice-prefeita da cidade, que em 2008 se lançou candidata ao cargo de vereadora, mas foi impedida pela justiça na época de estar no páreo, pois se enquadrava no lei do nepotismo.
Com a separação do casal, ainda que mal digerida por parte da comunidade, ambos puderam se candidatar ao cargo de prefeito e vice nas eleições de 2016.
Mudança no Artigo 138
Embora o prefeito garanta que a mudança no artigo 138 da lei orgânica do município não trará malefícios para a comunidade cambaraense, a medida é vista com ceticismo por parte da população, tendo em vista que o afrouxamento da lei possa vir resultar em cabide de empregos de amigos e parentes de amigos dos prefeitos que vierem a administrar a cidade.
O pedido de alteração na lei ainda está em fase de edital. Posteriormente será formada uma comissão para avaliar a matéria e só depois, caso a comissão decida dar prosseguimento, subirá ao plenário para discussão e votação.
Nota da redação
A população brasileira, por razões bem conhecidas, está descrente da classe política atual, e as leis fundamentadas garantem ao cidadão que seus direitos não sejam usurpados e que os políticos não cometam exageros na condução dos atos públicos. Defender a soberania das nossas leis é dever de todo cidadão. O panorama político atual em Cambará sinaliza que os interesses dos políticos estão acima dos interesses públicos. Mudar a lei orgânica para beneficiar os colegas do prefeito é um afronta a população.
O jornalista Benedito Francisquini, em seu texto publicado na Tribuna do Vale desta quinta-feira (31), reforça a linha de raciocínio do Circulandoaqui.
Diz a nota: “Em Cambará, os vereadores Marcos Roberto de Oliveira (Tetinha), Raffaello Frascati e Jair Eletricista, assinaram um projeto de lei revogando um artigo da Lei Orgânica do município permitindo ao poder público municipal nomear parentes a cargos da administração. Hoje a legislação local proíbe, considerando tal prática como nepotismo. Num momento de comoção nacional, a iniciativa soa como um tapa na cara do povo!”, cravou.
Estamos de olho.
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