
Por Carlos Roberto Francisquini
A crise política instalada em Cambará ganhou novos capítulos nesta quarta-feira após as declarações de Wellington Mello durante entrevista ao vivo na rádio Circulando. Em tom defensivo, Mello afirmou que não pretende atingir entidades filantrópicas do município, hoje no centro das discussões após a abertura de uma comissão na Câmara para investigar atos administrativos da gestão do prefeito Walcir Joaquim.
A fala ocorre em meio ao desgaste provocado pelo pedido de cassação protocolado recentemente no Legislativo municipal. Embora a iniciativa tenha sido apresentada por Mello como uma ação “em defesa do povo”, os desdobramentos políticos passaram a provocar apreensão entre instituições que dependem diretamente de repasses públicos para manter atividades sociais consideradas essenciais na cidade.
O principal símbolo dessa preocupação é o Lar Anália Franco, instituição tradicional que atende diariamente mais de 120 crianças e atua há mais de cinquenta anos no município. Integrantes ligados à entidade afirmam que a diretoria trabalha para regularizar documentações e evitar qualquer risco de interrupção nos convênios com a prefeitura.
Nos bastidores, o temor se espalhou para outras entidades assistenciais. Informações obtidas junto a fontes próximas às instituições indicam que a APAE de Cambará e o Asilo São Vicente de Paulo acompanham com preocupação os possíveis desdobramentos da investigação política em andamento.
A repercussão negativa atingiu diretamente Wellington Mello, que afirmou durante a entrevista ter se tornado alvo de ataques nas redes sociais após intensificar críticas ao governo municipal. Antigo aliado do atual prefeito, Mello participou da campanha eleitoral vitoriosa de Walcir Joaquim, mas acabou afastado do núcleo do governo após a eleição. Desde então, passou a utilizar as redes sociais como principal plataforma de oposição à administração municipal, adotando um discurso cada vez mais contundente contra a condução política e administrativa da prefeitura.
A percepção predominante entre parte da população, porém, é de que o embate político ultrapassou os limites da fiscalização administrativa e passou a ameaçar estruturas sociais historicamente consolidadas no município. Nas ruas e nas redes sociais, moradores demonstram receio de que o acirramento da crise provoque efeitos colaterais justamente sobre instituições que atendem famílias em situação de vulnerabilidade.
Apesar da pressão, Wellington Mello insistiu que não possui qualquer intenção de inviabilizar as entidades filantrópicas da cidade. Segundo ele, o objetivo das denúncias e da investigação é garantir transparência e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos.
Ainda assim, a crise evidencia um cenário delicado em Cambará: enquanto o embate político se intensifica dentro da Câmara e nas redes sociais, entidades assistenciais tentam se blindar do conflito para preservar atendimentos que, há décadas, funcionam como uma das principais redes de apoio social do município.
Prefeito Walcir Joaquim se manifestou oficialmente na tarde desta quarta-feira tranquilizando a população.
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