
Antônio de Picolli
Quatro dias após o acidente, o caminhão bi-trem Volvo continua suspenso na Ponte Benedito Garcia Ribeiro, sobre a Represa de Chavantes, na divisa entre Carlópolis e Fartura (SP). O trânsito foi impedido na manhã de sábado. Depois de uma tentativa frustrada de remover o veículo, com dois guinchos, na tarde de sábado, uma empresa particular de Ourinhos (SP) deve usar uma máquina mais potente para içar o caminhão hoje.
A principal preocupação dos engenheiros do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Estado de São Paulo é com a estrutura da ponte. “A operação anterior foi interrompida, pois no momento em que começamos a puxar o caminhão, ocorreu um estalo forte e a emenda começou a se abrir”, contou o engenheiro Laércio Furlan.
Para não ter o mesmo problema, o DER designou o engenheiro Mário Cardoso, 69 anos, que em 1972 participou da obra de construção. Experiente, Cardoso desenhava no asfalto o esquema de sustentação da ponte para os colegas. Depois de cálculos e mais cálculos, ficou definido que a estrutura teria capacidade para suportar as 60 toneladas do guindaste, mais as 54 toneladas de contrapeso, além do peso do caminhão e a pressão exercida.
Cardoso explicou que neste tipo de remoção se faz muita pressão em cima de uma área pequena. “As patolas que sustentarão os guinchos têm que ficar sempre em cima das vigas e não na laje, porque senão há risco de a ponte desabar”, alertou. O operador do guindaste, Leandro Alves da Silva, disse que já fez este tipo de serviço, mas não conseguiu esconder o nervosismo. “É sempre arriscado, mas eu confio nas contas dos engenheiros”, disse.
O fator risco também contribui para tornar o trabalho bem caro. Segundo Carlos Valdir Zanuto, proprietário da empresa responsável pela remoção, o serviço deve custar em torno de R$ 30 mil. “É um serviço bem delicado, pois, primeiramente, vidas estão em risco e, depois, só o guindaste que vamos usar vale R$ 3 milhões”, revelou.
Com o tráfego de veículos impedido e sem previsão para ser liberado, os motoristas devem usar duas rotas alternativas: Ribeirão Claro – Chavantes (SP) ou Salto do Itararé – Barão de Antonina (SP).
Dano ambiental
Uma equipe do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) percorreu de barco a área próxima onde ocorreu o acidente. Eles avaliaram os danos causados pelo óleo diesel que escorreu no tanque de combustível do caminhão nas águas da Represa de Chavantes. O resultado preliminar será divulgado hoje.