

Augusto Berto
Com a previsão de colocar em pauta a Reforma Política, a promessa é de que a próxima semana seja agitada no Congresso Nacional. A proposta que vai alterar regras importantes do jogo eleitoral tem sido motivo de discussão acalorada entre os congressistas nos últimos meses, além de mobilizar a opinião pública.
Entre as mudanças propostas por Vicente Cândido (PT-SP), relator do texto, está o teto de gastos para as campanhas (R$ 2,5 milhões) e para o autofinanciamento (R$ 175 mil), valores estes para deputados federais. Se essas propostas estivessem vigentes no último pleito, em 2014, 11 dos 30 congressistas do Paraná não poderiam se eleger por ultrapassar o limite de despesas (ver lista abaixo).
A campanha mais cara entre os deputados eleitos foi de Alfredo Kaefer (PSL-PR), que gastou R$ 4,7 milhões. Alfredo teria que reduzir em R$ 2,2 milhões os custos se quiser concorrer ao quarto mandato consecutivo na Câmara Federal. Outro que terá de costurar o bolso é Edmar Arruda (PSD-PR), que tirou R$ 2,6 milhões da própria conta bancária para financiar a campanha em 2014. O valor é quase 15 vezes maior que o permitido pelas novas regras em aprovação no Congresso.
Contramão
Mesmo sem gastar grandes volumes de dinheiro, alguns deputados paranaenses conquistaram uma vaga em Brasília. A campanha mais econômica entre todos os 30 deputados federais foi de Diego Garcia (PHS-PR), que desembolsou R$ 117 mil.
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Dona do melhor custo-benefício entre todos os eleitos, Christiane Yared (PR-PR) teve a 2º campanha mais barata (apenas R$ 120 mil) e foi a candidata mais votada, com 200 mil votos. Em uma simulação comparativa, cada voto de Yared teria custado R$ 0,60. Em outros exemplos na mesma simulação, cada voto para Fernando Giacobo (PR-PR) custou R$ 18,92.
De olho em uma candidatura ao Senado em 2018, Yared se posicionou contra os pontos mais polêmicos da Reforma Política. Declarou oposição ao financiamento público de campanha e dá como alternativa o patrocínio privado, com limite de gastos e de candidatos que cada empresa pode apoiar."O país vive uma enorme crise econômica. Problemas sérios na segurança, falta de estrutura para a educação, mais de 13 milhões de desempregados. É inaceitável gastar bilhões de reais para financiar campanha política. Eu não concordo com essa proposta", disparou ela.
O projeto prevê o repasse de 0,5% da receita bruta do governo federal em 12 meses para o fundo, o que corresponderia, em 2018, a R$ 3,6 bilhões."Eu aposto no corpo a corpo com a população, a conversa franca, o debate de ideias. Temos sim que definir e deixar as regras claras, mas é necessário colocar um limite nos gastos de campanha. Todos precisam entender que dá para se fazer política com menos dinheiro. Campanhas milionárias dificultam o surgimento de novos candidatos e a renovação da política que o Brasil tanto precisa", completou.
Confira a lista dos atuais deputados federais do Paraná que ultrapassam os tetos sugeridos na Reforma Política:
Autofinanciamento (até R$ 150 mil)
Valdir Rossoni (PSDB-PR) - 900 mil
Fernando Giacobo (PR-PR) - 571 mil
Evandro Roman (PSD-PR) - 365 mil
Edmar Arruda (PSD-PR) - R$ 2,6 milhões
Alfredo Kaefer (PSL-PR) - R$ 997 mil
Toninho Wandscheer (PROS-PR) - R$ 1 milhão
Leopoldo Meyer (PSB-PR) - R$ 337 mil
Teto de gastos para as campanhas (R$ 2,5 milhões)
Delegado Francischini (PSDB-PR) - R$ 2,56 milhões
Fernando Giacobo (PR-PR) - R$ 2,7 milhões
Ricardo Barros (PP-PR) - R$ 3,1 milhões
Nelson Meurer (PP-PR) - 2,6 milhões
Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) - R$ 3 milhões
Edmar Arruda (PSD-PR) - R$ 2,9 milhões
Alfredo Kaefer (PSL-PR) - R$ 4,7 milhões