
Foi incluído no debate da campanha eleitoral para prefeito em Cambará, entre o candidato da situação, vereador Marcos Roberto de Oliveira (DEM), o Tetinha, e o candidato de oposição, empresário João Mattar (PSB), um tema inesperado: a possível instalação de uma penitenciária no município.
O candidato Tetinha incluiu em seu material de campanha um adesivo com a frase “eu digo não à penitenciária, voto 25”, querendo sugerir aos eleitores que seus opositores, incluindo o candidato a vice-prefeito de João Mattar, o empresário Luís Dias (PSDB), pudessem se posicionar a favor de tal iniciativa. “Somos radicalmente contra a instalação de penitenciária em Cambará”, afirmou João Mattar em coro com seu vice, Luís Dias.
| Maria Tereza Uille Gomes, Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos |
A boataria gerada pela insinuação da campanha do candidato apoiado pelo prefeito José Salim Haggi Neto (PMDB) motivou a Câmara Municipal de Cambará a requerer informações da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos sobre essa possibilidade. Em resposta, a secretária da pasta, Maria Tereza Uille Gomes, esclareceu através de ofício datado de 21 de setembro (quinta-feira passada) que no projeto de construção de 6 novas cadeias públicas e 8 ampliações de estabelecimentos penais já existentes no Paraná, Cambará não foi contemplada. E reforçou: “Destaco que o Governo do Estado não tem nenhum outro projeto para construir penitenciária no município de Cambará”.
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| Deputado Federal Fernando Francischini |
Na última semana, o deputado federal e delegado da Polícia Federal licenciado, Fernando Francischini (PEN), também comentou o assunto: “É uma grande bobagem o que estão falando em Cambará. Não tem nenhuma penitenciária sendo construída ou prevista. O Governo do Estado consultou os municípios que pudessem ter interesse, mas Cambará nem foi cogitada”, declarou Francischini, que colabora com o governador Beto Richa no planejamento de políticas para a segurança pública no Estado. “Isso é campanha política da mais rasteira possível”, afirmou o deputado.
Sobre a produção e veiculação de adesivos tratando desse assunto, Fernando Francischini foi taxativo: “eu acho um absurdo gastar dinheiro para fazer um adesivo com mentira para colar nos carros, enganando a população. Usa esse dinheiro para fazer o que vocês não fizeram na Saúde, contratar médico, pagar um salário melhor para o professor que está humilhado na sala de aula”, ponderou. Francischini ganhou notoriedade internacional por coordenar as operações que levaram à prisão do traficante Juan Carlos Abadia.
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| João Mattar com o Deputado Estadual Reinhold Stephanes Junior |
O Deputado Estadual Reinhold Stephanes Junior (PMDB) também manifestou indignação sobre o caso. Stephanes Junior esteve na cidade no último final de semana visitando as bases e declarando apoio a seus candidatos. Questionado pelo Circulandoaqui se tramita algo sobre o assunto na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado negou veementemente e afirmou categoricamente que esta história de penitenciária é “maluquice” de quem não tem propostas para apresentar à população. Stephanes Junior disse ainda, que lamenta que a política venha sendo usada de forma leviana e sem propósito. “É maluquice o que estão fazendo, sou deputado Estadual, se tivesse algum projeto sobre o assunto tramitando na Assembleia Legislativa, até daria razão, mas não existe, tudo o que estão fazendo é para confundir o eleitor e isto não é política séria” declarou o deputado.
Leia a íntegra do ofício enviado por Maria Tereza Uille Gomes, Secretária de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos à Câmara Municipal de Vereadores de Cambará.