
C.Roberto Francisquini
A escola de karatê do Professor Rogério Frutuoso, de Cambará, será representada na Bahia por três revelações da modalidade no campeonato nacional que será realizado em Salvador – Bahia entre os dias 13 e 14 do mês de outubro.
Giovana Cezar de Carvalho, 10 anos, Nicolas Luz Assis de Oliveira, 11 e Gustavo Leme de Oliveira, 12, compõem delegação cambaraense.
Eles estiveram na redação do Circulandoaqui para falar sobre o assunto. Giovana Cezar de Carvalho é faixa marron e fera no estilo – Wado-ryu ki ku kai, categoria sub 12. Ela tem no currículo títulos de campeã paranaense, campeã paulista e campeã da etapa do brasileiro de karatê. Nicolas Luz Assis de Oliveira é faixa preta e também já conquistou os títulos de campeão paulista, campeão brasileiro e é atualmente campeão brasileiro. Gustavo Leme de Oliveira é faixa preta e também conquistou o título de campeão brasileiro e campeão Paulista. Eles são treinados por Rogério e Kelvin e sonham em participar do campeonato nacional.
Sem patrocínio, os pais dos atletas fazem o que podem para assegurar que seus filhos participem do campeonato.
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Mesmo enfrentando estrutura precária da academia, os jovens atletas cambaraenses dão demonstração de comprometimento com o esporte e contam com apoio dos pais para participar dos campeonatos regionais. A academia sempre faz bonito nas competições que participa. A mais recente aconteceu em Presidente Prudente onde se classificou em terceiro lugar no quadro geral da competição, ganhando como prêmio R$ 500,00 em dinheiro.
Com nível das competições cada vez mais exigente, os atletas da cidade, mesmo que bem preparados, nem sempre chegam ao campeonato em nível dos atletas adversários, que contam com ótima estrutura.
Em Cambará, a Associação de Karate é administrada por Rogério Frutuoso, que sozinho mantem o sonho dos campeões com aulas regulares e apoio de voluntários. O Professor Kelvin é um exemplo disto. Ex-aluno da escola, aplicado e multicampeão, Kelvin se tornou professor e dá aulas regulares de forma voluntária.
A situação poderia ser diferente se a academia tivesse com as documentações em dia. Algumas empresas como o Instituto Bourbon já se prontificou em colaborar, mas esbarra pela falta de documentação. Rogério Frutuoso confirmou a reportagem do Circulandoaqui que a documentação está irregular.
A ausência do documento faz com que a academia participe das competições representando cidades como Ourinhos, por exemplo. A situação irrita alguns pais que querem que os títulos de seus filhos sejam conferidos para Cambará.
A academia conta com bom espaço para os treinamentos, mas precisa de investimentos para ampliar. O teto tem goteiras e quando chove os treinamentos são interrompidos. O tatame precisa ser trocado, assim como os materiais para treinamentos, tais como luvas entre outros assessórios.
A falta de uma solução para o caso também gera desconforto entre os pais. “Reconhecemos todo o esforço que eles fazem por nossos filhos e queremos ajudar”, disse uma mãe que afirmou estar vendendo pizza para ajudar a cobrir as despesas com a viagem do filho para Salvador.
A reportagem do Circulandoaqui conversou com o professor Kelvin que confirmou as dificuldades.
“Na verdade, a gente tem uma parcela de ideia da situação, e hoje atualmente a gente está sem o registro fixo e isso acaba prejudicando um pouco o crescimento da academia”, destacou. Ele não tem remuneração, mas alega que a iniciativa tem cunho social. “Dentro desse problema, a gente está procurando mesmo, sem a remuneração, por meio de uma iniciativa social, fazer com que o pessoal que está frequentando aqui, cresça com um pouco mais de qualidade, e evolua dentro do Caratê, mas por outro lado dentro dessa situação da academia atualmente, a gente precisa de uma solução com relação a isso, procurar um registro, de repente se tiver algum problema aqui está amarrando a solução pra tentar resolver e pelo menos assim, fazer com que a academia cresça, e estar lá representando Cambará, e consequentemente o nome dos atletas no país”, sugere.
“A gente sempre vai querer o bem do pessoal, então a gente precisa sempre ter um ponto de referência dentro da cidade, e hoje nesse prédio a gente tem uma estrutura, mas a gente precisa resolver a questão documental”
Esforço dos pais
“A disputa hoje, até pelas viagens está sendo praticamente um esforço de cada pai, que apoia o filho pra poder estar viajando, e se a gente conseguisse patrocínio um apoio facilitaria ainda mais as competições, pra estarmos competindo em nível nacional, por mais que Cambará seja no interior, o nível técnico do pessoal aqui é muito alto, e cada vez mais estaremos descobrindo novos talentos, o pessoal que já está treinando vai evoluir mais ainda e tem essa situação, hoje no Brasil o karate é um esporte olímpico, e quanto mais a gente buscar a evolução dentro das competições. E melhor, mais a gente sabe que se tiver o apoio, vão ser mais campeonatos, entre 5, 10 de repente até 15 campeonato por ano, a gente consegue competir.
Alguns pais disseram que o Instituto Bourbon manifestou interesse em apoiar a academia, apoiar o esporte aqui na nossa cidade. Você tem conhecimento disto?
A princípio é uma coisa nova pra mim. Ainda não tive nenhum contato oficial do pessoal, mas a gente sabe que o pessoal está interessado, quer apoiar e com certeza com este apoio a gente vai conseguir ter muito mais benefícios pra fazer com que nossos atletas vão para os campeonatos mais preparados. Precisamos de material mais adequado, estrutura, as viagen. Com apoio a gente vai representar também, além da cidade, o instituto e se isto se concretizar, com certeza vai haver um crescimento da nossa academia, o que seria ótimo.
Você vai acompanhar os alunos no campeonato nacional na Bahia?
Nesse momento não, mas eu gostaria. A princípio não consigo pelo fato da questão do apoio mesmo, mas mesmo assim estamos nos esforçando e vamos fazer com que eles representem bem, tanto o nome deles, quanto o nome de Cambará e quem sabe para ano que vem a gente consiga estar junto deles em todas as fases do nacional.
Você é remunerado?
Atualmente não. Eu passo o ensinamento, o pouco que ainda tenho de karatê de maneira gratuita, viso sempre, por mais que não tenha essa remuneração, passar o que eu sei, mas com bastante exigência, disciplina, porque mesmo que não seja remunerado, eu consiga transmitir um pouco do karatê que eu sei fazer, para que eles futuramente consigam transmitir e passar por todo o ensinamento do esporte. Então, hoje dou aula, treino e ensino, por amor mesmo ao esporte e pelo fato de querer com que o pessoal cresça.
Você está competindo?
Atualmente não, estou fazendo tratamento no joelho, mas os treinos eu continuo semanalmente, até nos finais de semanas a gente treina.
Você foi uma promessa para o esporte quando competia. Poderia estar na seleção Brasileira, tinha totais condições pra isso. O que faltou?
Sim. No período em que eu competia estava bem próximo de estar representando o Brasil, mas pelo fato das muitas viagens que teria que fazer para competir, inclusive até pra fora do Brasil e sem patrocínio ficou um pouco difícil seguir, mas não fico lamentando por isso. Pelo contrário. Isto me motiva a estar aqui na academia treinando para que nossos alunos consigam o que eu infelizmente, no período em que competia não consegui. Espero que eles cresçam e consigam representar o Brasil pelo mundo.
Para finalizar.
Espero que os empresários deem uma determinada atenção aos nossos talentos, que valorizem o pessoal que está crescendo e enxerguem neles o mesmo potencial que a gente vê.
Acreditem, e vejo que acreditando todo mundo vai conseguir, é esse apoio que a gente precisa. Aqui dentro temos muito talentos com potencial incrível e que se bem trabalhado agora, quando chegarem à adolescência vão estar em altíssimo nível. Eu sei, dá pra ver nos olhos deles.
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