
Por Carlos Roberto Francisquini
Tem gente que entra em uma cidade para cumprir agenda política. Outros chegam para rever amigos. Quando Marco Brasil desembarcou em Cambará na última quarta-feira (20), parecia mais alguém voltando para casa.
A visita ao Norte Pioneiro passou por encontros com lideranças políticas e empresariais, mas ganhou outro clima durante a entrevista ao vivo concedida à Rádio CirculandoFM. Longe do discurso burocrático que costuma engessar políticos em entrevistas, Marco Brasil preferiu abrir o álbum de memórias — e nele Cambará aparece em páginas importantes.
Nascido em Dracena, ele relembrou os tempos do futebol no início dos anos 80, quando vestiu a camisa do Matsubara, tradicional equipe da região. Antes da política, antes dos palcos dos rodeios e antes mesmo da voz inconfundível que virou marca registrada das arenas sertanejas, havia um jovem atleta rodando o interior atrás de oportunidade.
Depois vieram outros clubes, passagens pelo Paraguai e a entrada na Polícia Estadual Rodoviária, atuando na base de Ourinhos. Ao mesmo tempo, dividia a rotina com o curso de Direito em Marília. Parece roteiro de filme sobre Brasil profundo — e talvez seja exatamente isso.
Foi nesse período que o rodeio entrou de vez em sua vida. Primeiro como peão universitário. Depois, segurando o microfone. A transformação de competidor em locutor mudaria completamente seu destino.
E Cambará aparece novamente nesse enredo.
Segundo Marco Brasil, uma das primeiras oportunidades importantes como locutor aconteceu justamente na cidade, após um convite de Dona Terezinha e Valdir Stradiotto. O tom nostálgico dominou parte da conversa na rádio. Não era marketing político. Soava mais como alguém reencontrando capítulos esquecidos da juventude.
“Quando venho para Cambará, encontro amigos pelas ruas e isso é um sentimento muito bom”, contou, com a naturalidade de quem ainda guarda referências afetivas do interior.
Hoje deputado federal, Marco Brasil tenta equilibrar duas imagens públicas que, no Brasil, raramente caminham separadas: a figura popular do homem do rodeio e o parlamentar que busca espaço em Brasília. Entre os projetos defendidos por ele estão pautas ligadas ao apoio a famílias com filhos diagnosticados com autismo e outras propostas sociais já sancionadas.
Ele também relembrou a passagem pela gestão do governador Ratinho Junior, onde integrou a área ligada à Indústria e Comércio. No discurso, desenvolvimento econômico e geração de empregos aparecem como extensão natural da própria narrativa de interior e trabalho.
De olho em 2026, Marco Brasil já articula apoios para tentar retornar à Câmara Federal. Em Cambará, a principal ponte política é o vereador Paulo Nunes.
“O Paulo Bacana é como eu, do campo e da cidade”, resumiu.
Mas, no fim das contas, a sensação deixada pela entrevista foi menos a de um ato político e mais a de um comunicador consagrado que conquistou fama e prestígio sem perder a essência simples e espontânea da vida no interior. Entre histórias de estrada, futebol, arena e amizade, Marco Brasil revelou-se um personagem tipicamente brasileiro, daqueles que parecem carregar o interior inteiro na voz.
“Alô, meu povo...”