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Vereador mais votado do Paraná é cassado pela câmara de Londrina

Dos 19 vereadores que participaram da sessão de julgamento, 14 votaram a favor da retirada dos direitos políticos de Emerson Petriv; defesa vai recorrer da decisão

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
16/10/2017 às 11h27
Vereador mais votado do Paraná é cassado pela câmara de Londrina

 

"Fui cassado como se fosse um bicho", disse Emerson Petriv após a sessão de julgamento


Folha de Londrina



O mandato do vereador Emerson Petriv (PR), mais conhecido como Boca Aberta, foi cassado pela Câmara Municipal de Londrina na tarde deste domingo (15) por quebra de decoro parlamentar. Dos 19 vereadores que participaram da sessão de julgamento, 14 votaram a favor e cinco votaram contra. 


Boca Aberta foi acusado de estelionato pela enfermeira Regina Amâncio por ter feito uma "vaquinha" virtual para pagar uma multa eleitoral de R$ 8 mil. Conforme relatório da CP (Comissão Processante), ele teria usado inverdades para pedir dinheiro a eleitores. A condenação pela Justiça Eleitoral foi por pedir votos em uma UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) durante as eleições de 2016. 

A cassação retira os direitos políticos de Boca Aberta por oito anos após o final do atual mandato. Na prática, ele terá que esperar pelo menos 11 anos para voltar a concorrer em uma eleição. O advogado de defesa do vereador cassado, Eduardo Duarte Ferreira, afirmou que vai recorrer da decisão e "entrar com as ações competentes para reverter o quadro". "Vamos entrar com medidas em Curitiba e também em Brasília", anunciou. 

Boca Aberta foi o vereador mais votado da história de Londrina e também das eleições no Paraná em 2016, com 11.480 votos. Com a cassação, a vaga em aberto será ocupada pelo suplente Roque Neto (PR), que atualmente ocupa um cargo comissionado na Secretaria Municipal de Assistência Social. 

Os vereadores que se manifestaram favoráveis ao relatório da CP são Mario Takahashi (PV), Vilson Bittencourt (PSB), Rony Alves (PTB), Junior Santos Rosa (PSD), Amauri Cardoso (PSDB), Péricles Deliberador (PSC), Ailton da Silva Nantes (PP), Filipe Barros (PRB), Eduardo Tominaga (DEM), Estevão da Zona Sul (PTN), Felipe Prochet (PSD), Jamil Janene (PP), Pastor Gerson Araújo (PSDB) e João Martins (PSL). Votaram pelo arquivamento da denúncia Roberto Fú (PDT), Daniele Ziober (PPS), Gui Belinati (PP), Jairo Tamura (PR) e o próprio Boca Aberta. 

Bastante exaltado ao final da votação, Boca Aberta subiu às galerias da Câmara para agradecer o apoio de correligionários, que não pouparam xingamentos aos vereadores que permaneceram na plenária da Casa. "Fui cassado como se fosse um bicho. Vou entrar com recurso porque houve ilegalidade no procedimento. Londrina está assistindo a um dos maiores golpes contra o povo", lamentou, não sem antes fazer ataques pessoais a vários vereadores que se manifestaram favoráveis à cassação. 

O mais atacado foi o relator da CP, Rony Alves, com quem Boca Aberta afirmou ter "problemas pessoais". Ao final da sessão, Alves afirmou entender que os ânimos estivessem exaltados, mas que apenas relatou as peças do processo de acordo com o previsto no Código de Ética Parlamentar. "É o que se espera de um relator", pontuou ele, destacando que eventuais dificuldades no campo pessoal serão resolvidas no campo jurídico. 


LONGA ESPERA


A sessão de julgamento do vereador Boca Aberta começou às 8h04 e durou quase nove horas. A leitura de aproximadamente 170 páginas do processo se estendeu até o início da tarde. Menos de 50 pessoas passaram pelas galerias da Câmara, já que para ter acesso era necessário fazer um cadastro prévio. Pouco mais de cem pessoas se cadastraram, mas em nenhum momento as galerias ficaram cheias. 

A denunciante, enfermeira Regina Maria Amâncio, compareceu para assistir à sessão e disse ter sido ameaçada por duas mulheres. Ao meio-dia, ela deixou o prédio, sob escolta da Guarda Municipal, e embarcou em um táxi. 

O advogado de Boca Aberta aguardava a decisão do TJ (Tribunal de Justiça) em recurso para anular a CP, com o argumento de que havia extrapolado o prazo para conclusão dos trabalhos, o qual foi negado. Também havia solicitado, no plantão do Judiciário, a suspeição de quatro vereadores, mas a medida não foi apreciada. A juíza Thais Marcorin de Martin entendeu que não se tratava de matéria urgente, a ser analisada em plantão, pois há muito se sabia da suposta suspeição.

 

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