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Alliance reposiciona Cambará no mapa industrial do Paraná
A Alliance nasce a partir da parceria entre o Grupo Certano e a SL Alimentos, ocupando uma área que carrega forte peso simbólico para a economia local: o antigo complexo industrial que durante anos pertenceu à General Mills
28/06/2026 15h54 Atualizada há 6 horas
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Da redação
Ricardo Dias, Luiz Menegjhel Neto, Roberta Setti Meneghel, Luís Dias e Antònio Dias - Foto: Antônio Francisquini Neto - Arquivo Rede Circulando

 

Por Carlos Roberto Francisquini 

Fotos: Antônio Francisquini Neto 

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A inauguração do condomínio industrial Alliance, realizada nesta semana em Cambará, no Norte Pioneiro do Paraná, representou mais do que a abertura formal de um novo empreendimento privado. O evento consolidou um movimento que combina expansão industrial, reocupação estratégica de ativos produtivos e o fortalecimento de uma articulação cada vez mais evidente entre iniciativa privada e poder público como vetor de desenvolvimento regional.

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No centro desse processo esteve os discursos de Roberta Setti Menghel diretora executiva da SL Alimentos e de Luís Dias, diretor executivo do Grupo Certano, cuja fala sinalizou não apenas a celebração de um investimento empresarial, mas uma manifestação pública de posicionamento econômico, visão de longo prazo e afirmação de liderança regional. 

A Alliance nasce a partir da parceria entre a Grupo Certano e a SL Alimentos, ocupando uma área que carrega forte peso simbólico para a economia local: o antigo complexo industrial que durante anos pertenceu à General Mills.

A desativação daquela unidade, responsável pela eliminação de mais de mil postos de trabalho, produziu um dos períodos economicamente mais delicados da história recente de Cambará. A decisão impactou diretamente a renda, o comércio e a dinâmica produtiva do município.

É justamente nesse contexto que o novo empreendimento adquire relevância econômica maior do que seus números iniciais sugerem.

Ao recuperar essa área industrial e transformá-la em um condomínio capaz de receber múltiplas operações produtivas, o projeto estabelece uma nova lógica de ocupação econômica baseada na diversificação industrial e na atração de investimentos de médio e longo prazo.

No discurso de inauguração, Luís Dias apresentou uma narrativa que ajuda a compreender o modelo de gestão empresarial que sustenta esse movimento.

Luís Dias,  Roberta Setti Meneghel e Luiz Menegjhel Neto - Foto: Antônio Francisquini Neto - Arquivo Rede Circulando

 

Ao relembrar o processo de sucessão familiar iniciado em 1993, quando assumiu responsabilidades empresariais aos 19 anos após a morte do pai, o executivo apresentou uma mensagem clara de continuidade institucional, formação empresarial construída sobre capital familiar e desenvolvimento baseado em relações de confiança estabelecidas ao longo de décadas.

Em ambientes corporativos, especialmente em projetos de grande porte, a associação entre trajetória familiar e expansão empresarial cumpre função relevante na consolidação de reputação institucional, elemento cada vez mais valorizado em operações de parceria e projetos estruturantes.

Outro aspecto importante do pronunciamento foi a ênfase dada ao papel do Estado como agente facilitador do ambiente de negócios.

A presença do governador Carlos Roberto Massa Júnior, do presidente da Assembleia Legislativa Alexandre Curi e do secretário de Infraestrutura Sandro Alex foi incorporada ao discurso como reconhecimento explícito da importância da infraestrutura pública para viabilizar investimentos privados.

Ao destacar a implantação do trevo de acesso ao novo parque industrial, obra articulada em parceria com o governo estadual, Luís Dias reforçou uma visão hoje consolidada entre setores produtivos brasileiros: competitividade regional depende diretamente da capacidade de integração entre investimento privado e eficiência pública na entrega de infraestrutura logística.

A fala também evidencia um aspecto importante da estratégia econômica do empreendimento.

Mais do que instalar operações próprias, a Alliance foi concebida como plataforma industrial aberta à atração de novos investidores.

Empresas como a Yazaki, além das operações da Certano e da SL Alimentos, já iniciam atividades no complexo, enquanto outras empresas estudam instalação futura.

Luís Dias e Roberta Setti Meneghel - Foto: Antônio Francisquini Neto - Arquivo Rede Circulando

 

Na prática, o projeto cria um novo polo de desenvolvimento industrial em uma região historicamente carente de grandes investimentos estruturantes.

Talvez o trecho mais emblemático do discurso tenha sido a referência ao encerramento das atividades da General Mills.

Ao lembrar que “muitos enxergaram apenas o fim de um ciclo”, o empresário construiu uma leitura econômica baseada em recuperação produtiva e reocupação de capacidade instalada.

A mensagem transmitida foi objetiva: onde antes houve retração econômica, agora se constrói uma nova etapa de expansão.

Ao afirmar publicamente “eu sou filho desta terra”, Luís Dias faz algo incomum no ambiente corporativo tradicional.

Assume não apenas a posição de investidor, mas a condição de agente econômico diretamente comprometido com a transformação estrutural do território onde atua.

Esse movimento merece atenção.

Historicamente, municípios do interior brasileiro frequentemente dependem de investimentos externos ou de decisões tomadas fora de seus próprios centros econômicos.

O que se observa em Cambará é o surgimento de um modelo distinto: o protagonismo de um grupo empresarial local assumindo papel ativo na reorganização econômica regional.

A inauguração da Alliance simboliza exatamente isso.

Mais do que recuperar uma área industrial historicamente importante para a cidade, o empreendimento reposiciona Cambará dentro da estratégia industrial do Paraná e sinaliza que o Norte Pioneiro começa a construir uma nova agenda econômica baseada em investimento privado, geração de empregos e capacidade de atração industrial.

No ambiente empresarial, movimentos dessa natureza costumam produzir efeitos que vão além dos balanços financeiros.

Eles alteram percepção de mercado, elevam confiança institucional e redefinem expectativas de desenvolvimento.

Cambará, ao que tudo indica, inicia um novo ciclo.

Momento histórico para Cambará e o Norte Pioneiro - Foto: Antônio Francisquini Neto - Arquivo Rede Circulando

 

E os discursos de Luís Dias e de Roberta Meneghel deixaram claro que essa transformação não acontece por acaso, mas a partir de uma visão empresarial que entende que desenvolvimento econômico exige planejamento, coragem de investimento e liderança disposta a assumir compromissos de longo prazo.