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Novo canal do IAT registrou mais de 2,8 mil denúncias de crimes ambientais em 4 meses
Entre as situações denunciadas até o momento, a maioria, em torno de 32,5%, foi enquadrada como pedidos gerais de fiscalização, sem especificidade...
29/06/2026 08h40
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Secom Paraná

O canal exclusivo do Instituto Água e Terra (IAT) para denúncias contra crimes ambientais registrou 2.800 atendimentos à população em apenas quatro meses de funcionamento. Implementado em fevereiro deste ano, o IAT-SISGOP é um canal disponível no site do órgão ambiental para centralizar e agilizar as ocorrências relacionadas à fiscalização ambiental no Paraná. O IAT é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

Entre as situações denunciadas até o momento, a maioria, em torno de 32,5%, foi enquadrada como pedidos gerais de fiscalização, sem especificidade na denúncia. Já em relação aos casos específicos, o campeão foi o desmatamento, com cerca de 18,8%, seguido de queimadas (2,7%) e maus-tratos com animais (2,1%). Também apareceram no canal situações envolvendo pesca, caça, agrotóxicos, criação de animais, poda de árvores, poluição hídrica, ocupação irregular e descarte irregular de lixo.

O portal foi implementado com o propósito de direcionar o volume de denúncias registradas pela Ouvidoria da autarquia para um canal específico e exclusivo. Antes da implementação do IAT-SISGOP, das 6.777 denúncias registradas exclusivamente no canal da Ouvidoria, em 2025, 90% eram relacionadas a crimes ambientais cometidos por terceiros, que necessitavam de fiscalização do Instituto.

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“A criação de um canal específico para acolher as denúncias de crimes ambientais cometidos por terceiros atende uma demanda estrutural do Instituto, aprimorando a prestação desse importante serviço à população, pois a fiscalização é uma das principais atribuições do IAT”, explica o agente de Ouvidoria e Transparência do IAT, Sayto Gama.

COMO REGISTRAR UMA DENÚNCIA –O acesso ao IAT-SISGOP se dá por meio do site do IAT , na aba “Institucional”, em “Fale com o IAT” e “Registre sua Denúncia de Crimes Ambientais”. Outro caminho é via “Fiscalização – Denúncia de Crimes Ambientais” e “Serviços para você! – Denunciar crime ambiental”. A plataforma permite também denúncias anônimas.

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A plataforma foi desenvolvida pela Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), mas adaptada para atender exclusivamente as denúncias de crimes ambientais para fiscalização do Instituto. Para que o órgão possa tomar qualquer atitude quanto às solicitações encaminhadas, é essencial que o cidadão descreva o fato de forma clara e informe o endereço completo do local a ser vistoriado. Fotos, vídeos ou outros documentos que sirvam de evidências do fato ocorrido também podem ser anexadas à denúncia. A ausência dessas informações inviabiliza o encaminhamento da demanda para as equipes de fiscalização localizadas nos escritórios regionais do IAT.

“Nossa central de atendimento faz uma primeira triagem dessas denúncias para verificar o que de fato se transforma em fiscalização, por isso a necessidade do maior número possível de informações corretas. As estatísticas mostram que aproximadamente metade das chamadas são canceladas por ausência de endereço, por exemplo. Por isso é fundamental que a população coloque a localização exata e descreva o fato de forma clara e objetiva para que consigamos atuar de maneira eficiente”, afirma o agente.

Ele acrescenta que para alguns tipos de ocorrência específicos, a recomendação do Instituto é entrar em contato com outros órgãos para proporcionar uma melhor ação de resposta. Do conjunto de ocorrências registradas no canal até o momento, aproximadamente 17,2% são de situações fora das atribuições do órgão ambiental, como serviços municipais de limpeza – todos os protocolos são encaminhados para entidades parceiras do IAT.

“Para atender todas as necessidades da população em todo o território estadual, não só na fiscalização, como também no licenciamento, monitoramento, regularização fundiária, geologia, cartografia, saneamento ambiental e gestão das águas, o IAT conta com 21 escritórios regionais, que dividem entre si essa tarefa. Por isso a fiscalização precisa contar com a competência de outros atores que somem suas estruturas ao controle e combate dos crimes ambientais, como a Polícia Ambiental e órgãos federais. Há, ainda, o suporte das prefeituras quando possível”, destaca Gama.

PARA QUEM LIGAR –Para casos de crimes como desmatamento, queimadas, crimes contra a flora, fauna e maus tratos de animais, o Batalhão de Polícia Ambiental é o órgão indicado e deve ser acionado pelo telefone 181.

Já para algumas situações que envolvem limpeza pública, como o despejo de lixo doméstico em um local inapropriado, é necessário acionar diretamente a prefeitura do município, principalmente em áreas urbanas. A fiscalização do lixo industrial, gerado e descartado por empresas, é responsabilidade do IAT. A exceção é Curitiba, que possui descentralização administrativa para fiscalização e licenciamento ambiental.

COMO AJUDAR –A denúncia é a melhor forma de contribuir para reduzir cada vez mais os crimes contra a flora e a fauna silvestres. Quem pratica o desmatamento ilegal está sujeito a penalidades administrativas previstas na Lei Federal nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais) e no Decreto Federal nº 6.514/08 (Condutas Infracionais ao Meio Ambiente). O responsável também pode responder a processo por crime ambiental.