Geral Portos do Paraná
Moegão do Porto de Paranaguá atinge 95% de execução e entra na fase final das obras
Maior obra portuária em execução no Brasil, Moegão tem investimento de R$ 650 milhões com recursos próprios da Portos do Paraná e financiamento co...
02/07/2026 18h06
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Secom Paraná

Com o içamento do último dos 54 módulos de galerias metálicas que compõem o sistema de transporte de grãos e farelos vegetais, o Moegão — maior obra portuária em execução no Brasil — atingiu a marca de 95% de execução. São mais de R$ 650 milhões em investimentos, com recursos próprios da Portos do Paraná e financiamento concedido pelo BNDES.

Os módulos formam um sistema de cerca de 1,7 quilômetro de extensão que abriga mais de 4 mil metros de correias transportadoras já instaladas. As galerias, criadas exclusivamente para o Moegão, contam com três linhas de esteiras que vão operar simultaneamente, de forma independente, levando os produtos descarregados dos vagões até os terminais de exportação.

O edifício da moega está concluído, assim como o Sistema de Prevenção e Combate a Incêndio (SPCI), indispensável para a segurança operacional. Outra parte da estrutura que está pronta é a torre de elevadores, responsável por levar os produtos recebidos na moega para as correias de transportadoras aéreas.

Continua após a publicidade

O complexo da moega também é dotado de inúmeros equipamentos que já estão instalados e prontos para entrar em funcionamento. Muitos ficam no subsolo, distribuídos em diversos níveis que totalizam 14 metros de profundidade, estrutura equivalente a um prédio de quatro andares.

“O Moegão, agora em sua fase final, é um orgulho para nós da Portos do Paraná. É uma das obras com mais inovações do segmento ferroviário do nosso país, muito emblemática e importante para nossas operações”, destaca o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Continua após a publicidade

O projeto reúne características inéditas na engenharia ferroviária e portuária, ao centralizar em um único local o recebimento de cargas de granéis vegetais transportadas por trens para posterior embarque em navios. A capacidade atual do Porto de Paranaguá é receber até 550 vagões por dia. Com o funcionamento do Moegão, serão até 900 vagões descarregados ao longo de 24 horas. O ganho de eficiência operacional será de 63%.

Quando entrar em operação, o Moegão elevará o potencial de recebimento de grãos e farelos pelo modal ferroviário no Porto de Paranaguá, que poderá movimentar até 24 milhões de toneladas ao ano. Hoje são pouco mais de cinco milhões de toneladas.

Com este investimento, além de atender à demanda atual, o porto paranaense estará preparado para o aumento do fluxo previsto para os próximos anos. A obra foi projetada para atender à ampliação da Ferroeste, que terá um de seus ramais saindo do estado de Mato Grosso do Sul, e da Malha Sul, que também será reestruturada. “O Moegão é uma obra de infraestrutura que antecipa movimentos, deixando o Porto de Paranaguá preparado para absorver o fluxo de cargas a partir da ampliação do complexo ferroviário”, reforça Garcia.

O Moegão atenderá a 11 terminais portuários do Corredor de Exportação Leste (Corex), responsáveis pela armazenagem e pelo embarque dos produtos nos navios. Cada empresa ficará responsável por se conectar ao sistema de recebimento de carga nas torres de transferência. Algumas empresas já iniciaram esse processo.

OBRA ENTRA NA RETA FINAL - As equipes que executam as obras trabalham de forma simultânea em diferentes frentes, como na finalização da linha férrea. “Agora faltam poucos metros de trilhos. Devemos entregar essa parte até o final de julho”, explica o diretor de Engenharia e Manutenção da Portos do Paraná, Victor Kengo.

As obras dos prédios de administração e de manutenção, que ficam ao lado da moega, estão em execução. Outro elemento fundamental para o funcionamento da megaestrutura é a montagem da subestação de energia elétrica, totalmente dedicada ao funcionamento do Moegão.

PERA FERROVIÁRIA AUMENTA EFICIÊNCIA - O complexo conta com três linhas férreas que funcionarão de forma independente, possibilitando o esvaziamento simultâneo de três vagões em cada uma delas.

Atualmente, a recepção de grãos e farelos pelo modal ferroviário não é centralizada. Os vagões são direcionados para os terminais, com a necessidade de manobras das composições. Essa operação, por vezes, interrompe o trânsito nas ruas da região portuária por mais de 40 minutos.

Sem a necessidade de divisão da composição, as passagens de nível (onde os trilhos cruzam as ruas) serão reduzidas de 16 para cinco. Com isso, o trânsito ficará interrompido apenas por alguns minutos, tempo suficiente para a passagem do trem, que leva, em média, de 10 a 15 minutos.

“Os estudos apontaram que o maior gargalo da concessionária ferroviária para atender os terminais eram as manobras necessárias para a locomotiva chegar a cada um dos terminais de maneira individual. Então, vamos melhorar esse dinamismo e ganhar eficiência ao centralizar esse recebimento em um único ponto”, explica o diretor Victor Kengo, ao lembrar que o Moegão poderá abrigar até 180 vagões de uma só vez.

Instalado em uma área de 600 mil metros quadrados, o complexo para receber os trens foi desenvolvido em formato de "pera", com acessos por dois pontos. Esse projeto circular evita o bloqueio das ruas, facilita o fluxo de entrada e saída das composições por ambos os lados e traz mais agilidade às operações de descarga.

GANHOS AMBIENTAIS - As galerias são dotadas de equipamentos que evitam a dispersão de poeira no ambiente durante o transporte dos produtos.

Da mesma forma, a moega possui equipamentos que farão a captação do material particulado gerado durante o descarregamento dos vagões. Os resíduos retornarão à moega, contribuindo para a qualidade do ar e evitando perdas de carga.