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BELLA GENTE Personalidade

Entrevista: Yeda Maria Teixeira Fritegotto

“Fui uma criança feliz, uma adolescente resolvida e uma adulta determinada”

09/04/2018 14h10 Atualizada há 3 anos
Por: Carlos Roberto Francisquini
Entrevista: Yeda Maria Teixeira Fritegotto

C.Roberto Francisquini

 


 

 

A Professora Yeda Maria Teixeira Fritegotto é considerada por ex-alunos e pela sociedade local um dos Baluartes da educação cambaraense. Nesta entrevista ela revela parte de sua vida como professora. Ela também recordou que sua infância foi fértil e feliz. “Fui uma criança feliz, uma adolescente resolvida e uma adulta determinada”, contou. Professora atribuiu as suas professoras a formação pessoal e profissional que teve. Filha dos pioneiros Isabel Teixeira e Manoel Teixeira Filho, Professora Yeda é casada com Luiz Fritegotto há 48 anos. O casal formou uma bonita família com duas filhas, Fábia Teixeira Fritegotto Gimenez e Adriana Teixeira Fritegotto Junqueira e quatro netos, Vinícius, Isadora, Anna Beatriz e João Vitor.


Formada em História da 1ª turma da faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho, hoje Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP, recorda com saudosismo dos tempos de faculdade, onde foi eleita Miss Universitária em 1960. “Foram momentos intensos”, brincou.


Professora Yeda disse em tom de revolta que receber a proposta em dinheiro de uma mãe para passar sua filha foi o episódio mais triste de sua carreira. “Foi uma experiência única, negativíssima, doída...”, recordou. Ao resumir sua trajetória de vida, disse que faria tudo novamente, exatamente igual. “Aprendi com muitos, transmiti conhecimento e palmilhei por uma estrada feliz e tranquila”.


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Acompanhe os principais trechos da entrevista.

 

O que a motivou a escolher a profissão de professora?

Me inspirei muito na minha primeira professora Maria dos Anjos Santos Palomares, que me ensinou o hino nacional, que eu cultuo até hoje.  Eu tinha cinco anos, estava no jardim da infância no grupo escolar Dr. Generoso Marques, hoje Colégio Estadual. Ela era o céu na terra, era linda! Foi a minha grande inspiração.  Foi o exemplo de professora dedicada ao magistério em Cambará. 

 

Dos tempos de sala de aula o que mais lhe marcou, positivamente?

Foi muito feliz, muito gratificante o trabalho das professoras que me acompanharam até a quarta série. Aprender o hino nacional e todos os hinos pátrios, foi sem dúvidas muito marcante na minha vida. 


Por que aprender os hinos pátrios foi importante para a sua formação profissional e pessoal?

Porque despertou em minha a brasileira que sou. Despertou o sentimento patriótico tão necessário em nossas vidas. 

 

E dos tempos em que lecionou, o que lhe acrescentou o sentimento cívico?


Quando foram acrescentados a grade curricular as disciplinas de Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil e Estudos de Problemas Brasileiros, disciplinas estas que nunca deveriam ter saído da grade curricular, pude, com a bagagem cultural adquirida na escola primária, ter uma melhor compreensão do conteúdo e, aplicá-lo em sala de aula foi um facilitador para transmitir o conhecimento, sobretudo foi uma experiência motivadora, para mim em especial e para os alunos. 

 

Professora, a senhora é considerada um dos baluartes da educação cambaraense e não é raro ver e ouvir depoimentos positivos sobre sua atuação. A senhora deve ter grandes histórias para contar?

Se ficarmos uma semana conversando não repetirei uma só história (risos). Mas lembro-me de uma que vale destacar, foi um gesto nobre de uma autoridade política de nosso estado, o que não é usual nos dias de hoje. No dia do início do funcionamento do Colégio Estadual, hoje Professor Silvio Tavares, no início do ano de 1962, veio a Cambará o Governador Ney Braga e comitiva. Ao subir a rampa da entrada principal, avistando a fita inaugural, ele parou e confabulou com um assessor que de imediato solicitou a direção que retirassem faixa, pois o prédio já havia sido inaugurado pelo governador anterior, Moisés Lupion, por volta de 1959. Não sabemos por que razão o colégio demorou tanto a funcionar, mas o gesto nobre, cívico, ético e moral do Governador Ney Braga, de não inaugurar o colégio duas vezes, marcou-me profundamente. 

 

Há algum acontecimento negativo que mereça comentar?

Sim. Tive uma experiência única, negativíssima, doída. (faz uma longa pausa) Era dezembro de 1963. Recebi em minha residência, uma mãe de uma aluna que, depois de uma conversa amistosa, me fez uma proposta indecorosa, ou seja, “Quanto a senhora quer para aprovar minha filha?” Eu não respondi. Chocada, me ausentei da conversa e pedi a minha mãe que solicitasse que ela “fosse embora”. Até hoje sinto uma revolta pela lembrança do fato.

 

O seu método de ensinar adquirido ao longo do tempo, teria sucesso nos dias de hoje?

Eu mantinha disciplina. Respeitando a individualidade de cada um. A chamada era feita pelo nome e sobrenome, não pelo número como era usual. Isto de certa forma dava um aspecto de importância para o aluno. Conhece-los primeiro e permitir que me conhecessem também, criava uma relação formal no ambiente na sala de aula. Depois, dominar o assunto a ser aplicado, sanar todas as dúvidas do estudante garante uma relação de confiança e o aproveitamento é geral. Não há segredos nisso. Não tenho dúvidas que teria sucesso nos dias atuais.

 

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Quando se afirma que os pais terceirizaram a educação dos filhos quer dizer o quê?

A família está desestruturada na medida em que ela abre mão dos valores: Morais, éticos, espirituais... A ausência da mãe deixa uma lacuna na formação da personalidade da criança, forma um vazio existencial que muitas vezes não tem retorno. A vida moderna fez com que a mulher saísse para o trabalho, isto aconteceu comigo quando passava praticamente o dia na escola, porém não permiti que faltasse o diálogo com as minhas filhas. Isto é essencial na formação da personalidade da pessoa.

 


No campo da política, qual sua opinião sobre a declaração do ex-presidente Lula quando afirmou que – um operário que mal sabe escrever e que nunca leu um livro na sua vida, chegou ao mais alto cargo mandatário da República.

Ele errou. Ele esqueceu de agradecer o que recebeu de Deus: excesso de inteligência e carisma. Com sua afirmação ele estimulou o estudante que para ser alguém na vida não precisa estudar, não precisa ler. Foi infeliz na declaração.

 

O que faria e não faria se tivesse a oportunidade?

Faria tudo de novo, igualzinho foi feito. Sou muito feliz ao afirmar isto.

 

Qual orientação a senhora pode passar para os jovens professores?

Amor e dedicação a profissão que abraçaram.

 

Para finalizar, resuma sua via em uma frase...

Fui uma criança feliz, uma adolescente resolvida e uma adulta determinada. Aprendi com muitos, transmiti conhecimento e palmilhei por uma estrada feliz e tranquila. 

Colaboraram

Eriel BarreirosMarco Antônio Margutti


 

 

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