
C.Roberto Francisquini/Por Nicolás Satriano, G1 Rio/Luiz Guilherme Bannwart
O efeito da paralisação dos caminhoneiros levou motoristas de Cambará a enfrentarem longas filas para garantir o abastecimento de seus veículos nas redes fornecedoras de combustíveis da cidade. Cambará conta com cinco postos de fornecimento de combustível e, em todos eles, a procura foi constante ao longo desta quarta-feira (23). As filas chegaram a dobrar quarteirões. Não houve incidentes no período e, os motoristas consultados pela reportagem, não demonstraram irritação com a demora nas filas. A maioria apoia a paralisação e lamentaram que a situação tenha chegado a este ponto. “Não estou contente estando nesta fila, mas não reclamo dela, reclamo da falta de governo que ocasiona esta situação”, disse um motorista.
Não há mais combustível disponível nos postos de Cambará. O Posto Serenata, localizado na área central da cidade, os frentistas sinalizaram que o combustível havia acabado no início da tarde. Os postos Central, São João e Nacional os estoques duraram um pouco mais, não o suficiente para atender a demanda. O maior fornecedor de combustível da cidade, o auto Posto Guairacá, a funcionária Ana Paula Raia Pirozzi, que é caixa no estabelecimento, informou que o abastecimento sustentou até pouco antes das 20horas. “Acabou, não tem nem mais nem uma gota de gasolina, etanol ou diesel aqui”, informou por telefone.
PETROBRAS REDUZ PREÇO DO DIESEL NAS REFINARIAS EM 10% PARA CONTER GREVE
Por Nicolás Satriano, G1 Rio
O presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou na noite desta quarta-feira (23) a redução de 10% no preço do diesel nas refinarias e disse que a redução será mantida por 15 dias. Em nota, a estatal informou que o novo preço entrará em vigor nesta quinta-feira (24) nas refinarias e terminais.
Segundo Parente, a redução anunciada significa uma queda de 23 centavos no preço do litro nas refinarias e de 25 centavos para os consumidores. Parente deixou claro que a decisão sobre o diesel não abre margem para que o preço da gasolina também caia.
"É uma medida de caráter excepcional. Não representa uma mudança de política de preço da empresa", afirmou o presidente da estatal durante entrevista coletiva. "São 15 dias para que o governo converse com os caminheiros", acrescentou.
Ainda segundo o presidente da petroleira, a empresa não cedeu a pressões de movimentos sociais ou mesmo do governo federal. Parente classificou a medida como sendo um gesto de "boa vontade" da empresa.
"Não tivemos pressões do governo ou de movimentos sociais. Estamos fazendo uma avaliação realista da situação do país", explicou.
Segundo ele, o presidente Michel Temer foi informado momentos antes da coletiva de imprensa sobre redução do preço do diesel.
"Não foi uma decisão fácil. Não foi uma decisão simples. Mas eu tenho serenidade em dizer que tenho horror a dogmas", ressaltou o presidente da Petrobras.
Protestos se espalharam
A subida do preço do combustível nas últimas semanas provocou uma série de manifestações no país.
Paralisação afeta 23 estados brasileiros e o DF. Correios suspenderam entregas agendadas, e companhias aéreas pedem que passageiros se informem sobre voos antes de ir para o aeroporto.
Os protestos dificultaram o escoamento e a exportação de diversos produtos e o funcionamento de serviços básicos: supermercados já reclamavam de desabastecimento; empresas de ônibus reduziram a frota; e a Infraero informou que cinco aeroportos tinham combustível suficiente para abastecer as aeronaves somente até esta quarta-feira.
Antes do anúncio da Petrobrás, o governo tinha como principal proposta para acabar com o protesto costurar um acordo com o Congresso Nacional para eliminar um dos tributos que incidem sobre o diesel. A condição era que o Poder Legislativo aprovasse o projeto de reoneração da folha de pagamento das empresas - a votação ainda não tem data confirmada.
Norte Pioneiro
Luiz Guilherme Bannwart
Os primeiros reflexos da paralização dos caminhoneiros iniciada em todo o País na manhã de segunda-feira (21) em protesto ao preço do óleo diesel foram percebidos nesta quarta-feira (23). O terceiro dia de manifestações começou com filas de veículos em todos os postos de combustíveis do Norte Pioneiro, o que fez esgotar os estoques da grande maioria das empresas antes mesmo do meio-dia.
A falta de álcool, gasolina e diesel nos postos de combustíveis da região é apenas um prenúncio do que está por acontecer nos próximos dias caso nenhuma medida emergencial for anunciada pelo governo federal. Ainda que numa proporção inferior, alguns supermercados da região já registram falta de alimentos nas prateleiras, principalmente os perecíveis como carne, frutas, verduras e hortaliças.
De acordo com representantes da categoria, responsáveis pela mobilização em Santo Antônio da Platina, as tratativas junto ao governo federal não avançaram e o protesto seguirá por tempo indeterminado. “Existem muitos áudios falsos circulando nas redes sociais anunciando o fim das manifestações, mas continuaremos firmes na luta pelos interesses do povo brasileiro, que é quem paga esses políticos que deixaram o País nesta situação lastimável”, pondera o empresário do setor de transportes Sandro da Silva Delfine.
Segundo os organismos de segurança, até o fim da tarde desta quarta-feira (23) havia 90 pontos de paralização em todo o Paraná. De acordo com a PRF, os trabalhadores cumprem a determinação judicial de que as rodovias não devem ser completamente bloqueadas. Em caso de bloqueio total a multa é de R$ 100 mil por hora.
A última alta do produto ocorreu na segunda-feira (21), quando a Petrobras aumentou o preço da gasolina em 0,9% e do diesel 0,97%. Na terça-feira (22) a Petrobras anunciou queda nos preços dos combustíveis, mas afirmou que a medida não foi adotada por pressão política e sim devido à queda do dólar.
Também na terça-feira, o governo realizou diversas reuniões para tratar do tema ‘combustíveis’ e afirmou que vai diminuir a incidência de impostos sobre o diesel, o que não ocorreu até o fim da tarde desta quarta-feira.
REFLEXOS
Na tarde desta quarta-feira, a Prefeitura de Jacarezinho informou que parte dos serviços no município será suspensa a partir desta quinta-feira (24) pela falta de combustíveis em consequência do protesto dos caminhoneiros.
Conforme o diretor municipal de Trânsito Aparecido Donizete Elero, somente os trabalhos emergenciais serão realizados. "Pedimos para que a população evite jogar entulhos e lixos nas ruas, pois não serão coletados até normalizar a situação da greve dos caminhoneiros", destacou.
A empresa responsável pela coleta de lixo doméstico na cidade informou que os trabalhos serão realizados somente até terça-feira (29). No setor da Saúde, por ora, o atendimento continuará normal.