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Esquerda, direita e democracia

É comum nas redes sociais, que influenciam a nossa convivência do dia a dia, a pregação de ideólogos de esquerda e direita, com comentários dos adeptos de uma ou de outra corrente ideológica

Por:
25/06/2018 às 09h36 Atualizada em 25/06/2018 às 10h37
Esquerda, direita e democracia

 

Homero Pavan Filho


 

É comum nas redes sociais, que influenciam a nossa convivência do dia a dia, a pregação de ideólogos de esquerda e direita, com comentários dos adeptos de uma ou de outra corrente ideológica descendo o sarrafo uns nos outros.

 

Muitos, desiludidos com o noticiário político, entendem que tanto faz, pois os políticos são todos uns ladrões, e é aí que a coisa pega. Já foi dito que a democracia é o pior sistema político que existe, mas ainda não inventamos um melhor.

 

Governos de esquerda e de direita, como a própria denominação indica, são antagônicos. Um é o oposto do outro.

 

É assim com claro e escuro, dia e noite, bem e mal. Faz toda a diferença em sua vida, mesmo que você não perceba.

 

Os candidatos que se apresentam como postulantes à Presidência da República, em vídeos que começam a aparecer com frequência na Internet, estão apresentando ao eleitorado suas ideias.

 

Tem aqueles que defendem o Estado Mínimo, isto é, eliminar a influência dos governantes em empresas estatais, privatizando-as; defendem a diminuição de impostos e a eliminação de regulamentações que amarram a iniciativa das pessoas e das empresas; sugerem a independência do Banco Central, mesmo que não expliquem exatamente de quem; advogam o fim ou a diminuição drástica de programas sociais, redução de aposentadorias.

 

Enfim, defendem a liberdade do mercado, que solto, sem muitas regras que o amarram, promoveria o desenvolvimento econômico e, por consequência, o aumento da qualidade de vida das pessoas por meio do próprio esforço e trabalho.

 

Ditos candidatos são chamados de direitistas. Andavam meio camuflados mas, de uns tempos para cá, começaram a perder o medo de expor suas ideias.

 

Em contraposição há candidatos que defendem a presença do Estado na área econômica, seja através de empresas como a Petrobras, Eletrobras, ou do sistema financeiro, como o Branco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES.

 

A atuação do governo sobre a atividade econômica teria o condão de direcionar os investimentos, atender setores regionais ou sociais onde a iniciativa privada não tenha ganhos consideráveis, e assim promover maior equilíbrio entre ricos e pobres.

 

Para isso é preciso dinheiro, que sai dos impostos pagos pela população. Onde não seja possível investir, propõem que se distribua benefícios em maior escala, proporcionando um mínimo necessário à sobrevivência das pessoas.

 

Tais candidatos são considerados esquerdistas, e por alguns, de socialistas ou comunistas. Estavam com a corda toda, mas de 2014 para cá, quando acentuou-se a crise econômica, passaram a ser vistos como ultrapassados.

 

As diferenças também se dão no campo dos costumes, mas isso fica para um próximo texto.

 

Sem entrar em considerações de qual é o melhor sistema, e considerando a complexidade, as assimetrias e desigualdades existentes no Brasil, não tenho medo de errar: os dois são necessários.

 

Um depende do outro, atuam como contrapesos, amenizam os efeitos de uma ou outra política. Deixar o capital totalmente livre pode ser um erro, assim como o excesso de regras.

 

Direitos trabalhistas e previdenciários são necessários, e se há abusos ou regalias, essas, sim, devem ser combatidas, e não eliminar ou cortar a torto e a direito. A política existe para que esse debate democrático se dê e as divergências cheguem a bom termo.

 

A crise vivida no Brasil não pode – ou não deveria – ser usada como pretexto para eliminar a política. Entendo que seja exatamente o contrário, ela nunca foi tão necessária.

 

Também é inegável que muitos políticos deixam a desejar, e a solução para esses casos é a troca, e não a eliminação sumária do debate, ou a pregação da volta da ditadura.

 

Precisamos participar mais, conversar e aprender uns com os outros. Só assim vamos adiante. Qual é a sua, meu amigo?

 

Homero Pavan Filho, jornalista.


Facebook.com/homeropavan

 

 

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