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Curso de medicina gera crise política na região

Governadora assina, nesta sexta-feira, em Cornélio Procópio, autorização para UENP iniciar processo de criação de curso

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
06/07/2018 às 10h45
Curso de medicina gera crise política na região

Benedito Francisquini - Via Tribuna do Vale

 


 

O anúncio, feito na noite de terça-feira (03), de que a governadora Cida Borguetti (PP), participa na manhã desta sexta-feira (07), em Cornélio Procópio, de solenidade de assinatura autorizando a reitoria da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) a iniciar estudos para a criação do curso de medicina na instituição está se transformando numa crise política sem precedentes na região do Norte Pioneiro.


O convite, distribuído pela Casa Civil do Governo do Estado fala em “assinatura para a instalação do curso de medicina” da UENP, mas não informa que, na verdade, trata-se de autorização para início de realização de estudos para a implantação do curso.


Para agravar ainda mais a situação, texto distribuído à imprensa e nas redes sociais destaca que, em maio, os deputados Alex Canziani (PTB) (federal) e, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), (estadual) juntamente com o prefeito de Cornélio Procópio, Amin Hannouche (PSDB), realizaram pedido à governadora Cida Borghetti, que resolveu autorizar a universidade a promover a “elaboração e tramitação em seus Conselhos Superiores do projeto para a implantação do curso de medicina no campus de Cornélio da instituição”.


A informação caiu como uma bomba entre as lideranças do Norte Pioneiro. Há um clima de revolta entre os prefeitos e setores da sociedade, que se sentem desrespeitados, principalmente pelos deputados Canziani e Romanelli, classificados como “traidores” dos municípios da Amunorpi. Dentro da própria UENP a informação causou profundo mal estar, conforme revelou na manhã de ontem um membro de conselho da instituição. Ele classificou o anúncio de “estelionato eleitoral”, citando a moratória estabelecida pelo Ministério da Educação que suspendeu a criação de cursos de medicina pelo prazo de cinco anos, o conselheiro esclareceu que a medida se aplica às instituições federais e privadas, sem incluir as universidades estaduais, mas o governo do estado, na sua avaliação, “ao propor a criação de novo curso vai na contramão do discurso de austeridade”.


“Além do que a UENP está numa crise sem precedentes, basta visitar qualquer um dos prédios onde funcionam os cursos para constatar isso, nem a manutenção básica dos equipamentos é feita por absoluta falta de recursos. O próprio convite já explica que a implantação do curso nem passou pelos Conselhos da UENP, isso significa que nem internamente essa sandice será aprovada”, acrescentando que, “ao menos a maior parte da UENP ainda  mantém a seriedade e o profissionalismo.


Revolta dos prefeitos

Quando o assunto é abordado com os prefeitos do Norte Pioneiro, o que se percebe é uma revolta geral. O prefeito de Ribeirão Claro, Mário Augusto Pereira (PSC), que respondeu pela presidência da Amunorpi até o início deste ano, não conteve a emoção ao ser inquirido, por telefone, sobre a possibilidade do curso de medicina ser instalado em Cornélio Procópio. “Isso desanima, dá vontade de abandonar a política. Tenho sofrido muito! Apesar de meus 68 anos, não arredo pé de minhas convicções. Estão tratando o Norte Pioneiro abaixo de sola de sapato”, desabafou.


Mário Pereira não poupa os deputados Romanelli e Canziani. “O Romanelli não é meu deputado. Quanto ao Canziani, estava seriamente pensando em apoiá-lo para o Senado, mas, depois desta traição ele que vá pedir voto em outro lugar”, esbravejou. O prefeito minimizou o papel da governadora Cida Borghetti na polêmica, assinalando que ela estaria sendo “enrolada” pelos dois parlamentares.


O deputado estadual e líder do Governo na Assembleia Legislativa, Pedro Lupion (DEM), disse no final da tarde de ontem que o evento que acontece nesta sexta-feira em Cornélio Procópio é o resultado de articulações entre os deputados Alex Canziani e Luiz Romanelli, mas deixa claro que o documento que a governadora vai assinar não define onde o curso de medicina será instalado. "Tem todo um estudo a ser realizado pelos conselhos superiores da universidade. Não existe definição de cidade. É preciso levar em conta a estrutura já existente na área do campus de Jacarezinho. Está havendo falhas na comunicação”, frisa.


O presidente da Amunorpi e prefeito de Santana do Itararé, Joás Michetti (PDT) informou na tarde de ontem que vai consultar seus colegas da região para definir um posicionamento da instituição. Ele lamentou que o assunto tenha sido tratado em Curitiba sem que as lideranças do Norte Pioneiro tenham sido ouvidas.


A maioria das lideranças ouvidas pela Tribuna do Vale classifica a polêmica em torno do curso de medicina como um desgaste desnecessário à governadora e aos próprios deputados, principalmente em um momento em que Cida Borghetti está registrando crescimento nas pesquisas. É preciso lembrar que Norte Pioneiro já decidiu eleições ao Palácio Iguaçu. Quem não se lembra do pleito em que o atual senador, Roberto Requião (MDB) derrotou Osmar Dias (PDT), graças aos votos dos municípios da Amunorpi.   

 

 

Campanha – Em 2013, a região se uniu para trazer um curso de medicina para o Norte Pioneiro. Uma campanha bem elaborada distribuiu cartazes, adesivos, faixas em todas as cidades da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi). Lideranças políticas e comunitárias chegaram a ir a Brasília em busca de apoio.  Santo Antônio da Platina e Jacarezinho eram candidatas a sediar o curso, por reunirem condições necessárias, como hospitais, UTIs e locais apropriados para receber os alunos. Com o anúncio oficial do governo federal que não seriam abertos novos cursos, a campanha perdeu força. 

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