
Leandro Filtre Bonacin*
“E agora, quem poderá nos salvar!” “Eu...... o Chapolin Colorado!”. O Besouro vermelho, sátira do mexicano Roberto Gómez Bolaños aos muitos heróis de plantão, que desde criança temos em nossas mentes, surge do nada com todas as respostas e soluções para os nossos problemas, e a partir deste surgimento, não temos que fazer mais nada, a não ser aplaudir esse super-herói e torcer para que no próximo problema ele novamente esteja por perto.
Infelizmente, ultimamente parece que o povo Brasileiro deixou de querer fazer a sua parte, e está na espera de uma intervenção milagrosa para sentar e aplaudir o desenvolvimento de seu país.
A falta de puro DISCERNIMENTO, tem levado pessoas até ditas “esclarecidas” a tomarem medidas que muitas vezes nos fazem duvidar que tais atitudes tenham vindo delas.
Vamos aos exemplos: Durante manifestações legítimas, em que uma classe de trabalhadores (caminhoneiros) reivindicavam (evidente para si) melhorias nas condições de trabalho, uma parcela dos manifestantes com uma parcela bem maior da sociedade
| "O voto nulo é a pior maneira de negligenciar o seu papel na democracia, pois o voto nulo é semelhante a ficar sentado esperando que tudo se resolva sozinho" |
começou a pedir por uma intervenção militar. Sou um 1º Tenente da reserva da Marinha do Brasil, e conheci a estrutura e funcionamento de grandes Organizações Militares, e posso dizer a todos, que, independente da lisura e honestidade, os militares ainda não adquiriram os super poderes para em um “click” salvar a Pátria e mesmo assim, dentro dos nossos princípios e regras constitucionais, a única forma LÍCITA de um militar ocupar a presidência da república seria a ELEIÇÃO DIRETA, pelo voto do povo, sendo ele um candidato como outro qualquer, e governando seguindo a democracia já consolidada em nosso País.
Também sobre esse tema: eleições, é sempre a nossa grande chance de mudar algo na estrutura administrativa, mas volto a dizer, se não fizermos a nossa parte, nada mudará, e ao que me consta, Clark Kent, Peter Park ou Bruce Willis não são candidatos e o último candidato eleito que se julgava um super-herói, se auto intitulando de “caçador de marajás” teve seu mandato ceifado pela metade em um vergonhoso processo de impeachment. Não seria a hora para pensar que as semelhanças podem não ser mera coincidência.
Então, se não se tem candidato bom, vamos votar nulo. Essa é a pior maneira de negligenciar o seu papel na democracia, pois o voto nulo é semelhante a ficar sentado esperando que tudo se resolva sozinho.
Neste afã de querer consertar o mundo em apenas uma postagem, ou na maioria das vezes por pura maldade, surgem as famosas “Fake News”, que já seria horrível apenas pela tradução literal de noticias falsas, todavia, elas tomaram um rumo no qual ficou muitas vezes difícil diferencia-las da verdadeira. Ou seriam as noticias verdadeiras que estão cada vez mais absurdas que muitas vezes parecem mais falsas que as “fake”. O fato é que cada um tem que se sentir responsável pelo que propaga, então, que tal ao invés de simplesmente repassar a noticia não dar uma olhadinha no Google e checar a autenticidade, ou simplesmente, passar apenas aquelas notícias que além de você ter certeza que é verdadeira, também de alguma forma irá ajudar no desenvolvimento e felicidades das pessoas ou do País.
Então neste momento de crise, eu diria que a palavra de ordem é DISCERNIMENTO, para suplantar qualquer traço de Fanatismo e Ignorância, que são em última instância o algoz do pensamento LIVRE, CRÍTICO e INTELIGENTE.
*Leandro Filtre Bonacin
é circurgião dentista em Cambará
autor da coluna EMPAUTA editada mensalmente
na revista Circulando versão impressa.