

Marco Antônio Ribeiro Margutti
Livros de psicologia aplicada dizem que o medo é a ferramenta de um Diabo idealizado pelo homem.
Todos têm medo e como não poderia deixar de ser, tenho o meu “diabinho” que me acompanha desde que nasci, e que ao longo deste período acabamos tendo certa intimidade.
No princípio ele muito mais preparado intelectualmente e com uma inteligência acima da média, exigia ser tratado de “Sua Majestade”. Inconformado com esta situação comecei a ir buscar conhecimento para que pudesse ter condições de tomar as minhas próprias decisões usando a minha mente como forma de contato com a inteligência infinita e com isso, nivelar as nossas conversas, pois ele me dominava completamente.
Seguro disso, já não o tratava como exigia, e para não chamá-lo de diabo, comecei a chamá-lo de Napa, pois napa e nada são nada.
Estes “diabos” não têm sexo, família, amigos, pátria, só companheiros; mas convivem com você até o final da vida influenciando nas decisões, procurando levá-lo ao insucesso na medida em que você, ao longo da existência, não melhora o seu intelecto para deixar de ser medroso e enfrentar a vida em todos os seus sentidos, adquirindo experiência.
Hoje, apesar de ele me tratar com certo respeito, ainda dá as suas opiniões sempre com o objetivo de me confundir. O Diabo consegue te orientar errado, porque conhece o certo e a solução é você ser mais esperto do que ele, conseguindo a resposta correta.
Conversando a respeito das crises que o Brasil está passando e com o objetivo de obter as soluções, perguntei ao Napa:
P.: Como solucioná-las?
R.: Os Diabos estão atuando acertadamente, geraram crises sistêmicas em todas as atividades humanas: saúde, educação, segurança pública, sistema penitenciário, etc. e as duas principais: a da ética e a da moral. Conseguimos com que várias lideranças praticassem ‘maus feitos’ e hoje, por ganância, estão presas e outras que irão cumprir pena, dando péssimos exemplos à nossa juventude. A sociedade se encontra perdida não sabendo que rumo tomar por falta de lideranças que mostrem o caminho certo. Realmente devo reconhecer e parabenizar o belo trabalho executado por meus companheiros diabos.
P.: Mas Napa, como podemos sair destas crises? Certamente sabem dar a solução uma vez que foram vocês que as criaram.
R.: Não deveria, mas vou te dizer. Só tem uma saída para isso que é votar em candidatos sérios, descentes, éticos e morais; que saibam colocar os interesses da sociedade acima dos interesses pessoais e que tenham uma visão de futuro que é deixar uma sociedade melhor para quem vai nos suceder. Olha, a implantação das crises foram bem planejadas por nós, veja o resultado: o tecido social esgarçou, o filho não respeita os pais, o aluno não respeita o professor, o adolescente não respeita os mais velhos, a população não acredita mais nas instituições, principalmente executivo e legislativo. Realmente atingimos o objetivo atacando pelas bordas lentamente sem que a grande maioria, ou seja, 95% da população, percebessem.
P.: Geralmente as pessoas descentes, de boa índole, que respeitam a coisa pública e não cooptadas por vocês foram sendo engolidas praticando a omissão, por quê?
R.: Claro, procuramos trabalhar o egoísmo que é uma imperfeição dos seres humanos e isto, faz com que os bons não saiam da sua área de conforto.
P.: Mas, como resolver?
R.: Tenho conversado muito com outros diabos procurando alertá-los de que está chegando o dia em que a sociedade sairá às ruas tomando o poder e aí começará o problema para todos os diabos.
P.: Não vamos nos esquecer que este ano haverá eleições, você acha que poderá haver mudanças para melhor?
R.: Nunca é tarde para escapar do julgo do Diabo. Há candidatos com condições e qualidades, não mais submetidos a nós, os 5% restantes, com condições de solucionarem as crises com atitudes pontuais e isto nos preocupa muito.
P.: Quais seriam estas “atitudes pontuais”?
R.: Sempre a solução dos problemas que nós criamos está à vista, mas requer inteligência, cultura, respeito à ética e a moral, coragem e não medo; experiência e não amadorismo; conhecimento de causa e não ignorância; altruísmo e não interesse pessoal. Percebe como é simples? São atitudes que todos deveriam ter no seu dia a dia. A grande saída está na modalidade de governar invertendo o processo. Verifique a forma que foi criada pelos diabos e que funciona até hoje: o Presidente da República vai ao Congresso e monta um “balcão de negócios” na tentativa de cooptar apoios políticos em detrimento dos interesses da sociedade. Esta modalidade proporciona a corrupção e torna o Presidente da República o maior corrupto. Para sair desta inércia negativa: o candidato além de ter o perfil já mencionado, deverá ter uma grande capacidade de comunicação com a sociedade convencendo-a que o seu projeto é adequado e imprescindível com relação ao futuro das pessoas. O Presidente da República que tiver o apoio da população terá a arma mais poderosa e acabará tendo apoio do Congresso. Se o Presidente da República exercer o protagonismo da ética e da moral, certamente o Congresso se reabilitará mediante a sociedade brasileira. É necessário fazer um governo de pacto nacional, suprapartidário. O presidencialismo de coalizão foi criado por nós para contemplar os corruptos e eu reconheço que a sociedade já percebeu que esta modalidade está vencida. Em aparecendo um candidato com estas propostas certamente ganhará a eleição e aí, será o início do fim das crises, este é o antídoto da atual situação. Existem pessoas de bem em todos os partidos que não são mais dominadas por nós, se, se movimentarem iniciar-se-á uma nova república.
P.: Então vocês só conseguiram sucesso por causa da omissão dos não mais cooptados?
R.: Exatamente, sempre contamos com isso e até hoje obtivemos sucesso.
*Marco Margutti
é graduado em Administração de Empresas pelas Faculdades Integradas de Ourinhos – FIO,
pós-graduado em Gerência de Cidades pela FAAP/SP e membro da Comissão Própria de Avaliação – CPA
das FIO como representante da comunidade.