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OPINIÃO: Brasil, Pátria Pária Educadora.

Se é na educação que está o verdadeiro caminho para o desenvolvimento de uma nação, a quem interessa a “deseducação” do povo brasileiro?

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
18/09/2018 às 18h19 Atualizada em 19/09/2018 às 16h11
OPINIÃO: Brasil, Pátria Pária Educadora.

OPINIÃO 

Brasil, Pátria Pária Educadora.

 Fabrício Cardoso da Silveira


Assistindo ao debate entre os candidatos à Presidência da República, chamou-me à atenção que alguns candidatos apresentaram propostas de investimentos na educação de base.

De fato, a educação de base merece muita, mas muita atenção mesmo.


Nos meus tampos como professor universitário constatei, estarrecido, que muitos dos alunos que me chegavam apresentavam deficiência, mais do que notável, em termos de conhecimento. Não me refiro apenas ao conhecimento específico, necessário para o estudo do direito, mas de conhecimento em geral: quase analfabetos funcionais, incapazes de interpretar satisfatoriamente um texto ou de se expressar, com qualidade, pela linguagem escrita; conhecimento de história, de geografia quase inexistente; pensamento lógico? O que é isso?


Outro dia, a título de brincadeira/experiência, fiz algumas perguntas a dois estudantes do ensino médio (o antigo secundário), perguntas estas que, “no meu tempo”, qualquer estudante primário responderia sem titubear e, para minha surpresa, não foram eles capazes de responder a nenhuma delas.


Este fato chamou-me, mais uma vez, à reflexão acerca da metodologia de ensino praticada no Brasil.


Embora tenha atuado como professor, não sou titulado como tal. Não cursei pedagogia, não fiz mestrado e por isso sempre disse a meus alunos que era eu, também, apenas um estudante, embora mais “estudado” que eles, e que minha metodologia se baseava naquilo que havia experimentado ao longo da vida escolar, me espelhando nos muitos Mestres – não em sentido acadêmico, mas em sentido próprio – que tive, que se dedicavam, de verdade, não apenas a transferir conhecimento como se certificar que o aluno tivesse aprendido, ou seja, não apenas ensinavam as matérias como também ensinavam o aluno a apreender, compreender e a aprender.


"Somente depois de formados é que nossos filhos conhecerão a necessidade de saber superar obstáculos, de ser melhor que seu concorrente, que o mundo não é complacente"

Naquele tempo os professores tinham, e mereciam ter, autoridade, essa que derivava não apenas de sua elevada postura moral, como também das ferramentas de disciplina que dispunham, não falo de castigos físicos que se praticavam nos tempos dos meus pais, mas da possibilidade de repreender o aluno, de mandar para a sala do diretor. Os alunos eram examinados através de provas que, se não fossem realmente capazes de medir conhecimento, pelo menos os faziam estudar, às vezes por dias porque, se não alcançassem a nota, seriam reprovados, sendo essa repetência motivo de grande desonra perante a comunidade estudantil.


Do pouco que sei sobre educação é que o processo do conhecimento exige disciplina, sistema e método.


Nestes novos tempos a escola fundamental se tornou complacente; professor não pode mais disciplinar o aluno, não existe mais a repetência. Tudo para não traumatizar o aluno, ou seja: para terminarem as violações à disciplina removeram-se as normas, para acabar com a repetência, ao invés de investir em qualidade de ensino, acabaram com “a” repetência.


O resultado, me parece, é que não se estimula mais o aluno a vencer pela competência; o ensinam que mesmo incapaz, em nome de um princípio de igualdade, receberá recompensa igual à daquele dedicado e estudioso.


O problema é que se igualam os alunos por baixo, se o aluno relapso não precisa estudar para passar, o bom aluno também deixa, pouco a pouco, de se dedicar, porque não existem metas a serem vencidas, tanto faz, de um jeito ou de outro, será aprovado. E o professor? Qual o estímulo tem? vendo-se, diante dessa massa de fracassados potenciais.


Sim, fracassados. Que chance terá o cidadão, formado nesse modelo complacente, quando for disputar uma vaga com aquele, filho da classe alta, formado em escolas particulares? A resposta seria: nenhuma.


Ocorre, entretanto que, para se minimizar a visibilidade dos efeitos desse sistema desastroso, criou-se um sistema de cotas nas universidades, garantindo acesso daqueles que, ainda que sem capacidade, mesmo que não por sua culpa, não teriam acesso ao curso superior.


Acontece que não basta também garantir o acesso às universidades se não forem formados profissionais, também com capacidade para atuar no mercado, onde não existem cotas, onde o que vale é a capacidade, a competência.


Somente depois de formados é que nossos filhos conhecerão a necessidade de saber superar obstáculos, de ser melhor que seu concorrente, que o mundo não é complacente.


Mas, afinal, as pessoas que governam a educação do país não sabem disso? Tenho certeza! Sabem muito mais do que eu.

Então me vem uma nova reflexão: não seria esse o objetivo desses governantes? A geração de um povo incapacitado, necessitado, ignorante.


Se colocarmos essa reflexão diante de certas políticas públicas, esse pensamento do tipo “teoria da conspiração” não me parece tão absurdo.

Aqui e ali pululam – expressão exata nesse caso – notícias de pregação ideológica nas escolas, de professores que defendem a desagregação da família ou dos valores familiares, a desvalorização da propriedade como fruto do trabalho.


Ao mesmo tempo esses mesmos dirigentes, professores e teóricos pregam a desescolarização ou a limitação da grade escolar.

Se é na educação que está o verdadeiro caminho para o desenvolvimento de uma nação, a quem interessa a “deseducação” do povo brasileiro?


"Se é na educação que está o verdadeiro caminho para o desenvolvimento de uma nação, a quem interessa a “deseducação” do povo brasileiro?"

Interessa aos abutres, aos vampiros que se alimentam da desgraça e da desesperança de um povo, que troca sua liberdade, seu voto, por um lenitivo qualquer; que encontram nessa massa terreno fértil para a semeadura de suas promessas de um dia melhor, que nunca chegará; que capturam a fidelidade, quase canina, deste povo miserável para formar seu exército de zumbis políticos, que segue, inconscientemente, a esses líderes balbuciando seus irrefletidos jargões.


É preciso, mais que nunca, reagir. Essa reação não se resume à escolha do novo presidente da república, nenhum desses candidatos que aí se encontram irá resolver o problema. É necessário refletir e, mais que isso, vigiar, retomar as rédeas da educação de nossos filhos, participar ativamente nas escolas, enaltecer, no âmbito das famílias, não apenas os valores morais e religiosos, como também reviver a ideia de que somente com esforço e dedicação é que se chega a algum lugar.


Chega de esperar que aumente o valor do salário mínimo, é preciso trabalhar para se chegar ao máximo; basta de contar com uma cota, um jeitinho ou uma indicação para conquistar uma vaga: lute, dispute, vença pela competência.


É verdade que, segundo esse modelo, uns vencerão, outros não. E isso acontecerá porque as pessoas são diferentes, uns mais capazes que outros para certas e determinadas tarefas, mas, não tenho dúvida, que seguir esse formato atual de educação, agora empregando a expressão em seu sentido mais amplo, levará a absoluta maioria do povo brasileiro à plena igualdade da miséria. 

 

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