Terça, 07 de Julho de 2026
14°C 23°C
Cambará, PR
Publicidade

Compliance anticorrupção na era Moro

Novos tempos sugerem grande teste para empresas

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
03/12/2018 às 11h05
Compliance anticorrupção na era Moro


Fábio Medina Osório

Sabe-se que o conceito de "compliance" remete a categorias amplas e a uma transversalidade disciplinar. Pode-se falar em "compliance multissetorial", na medida em que essa expressão traduz, em essência, a necessidade de um ajuste do setor, seja público ou privado, ao ambiente normativo complexo, a partir de uma autorregulação organizacional.

Os universos normativos estão cada vez mais sofisticados, pois sugerem integrações nacionais, subnacionais, regionais e internacionais, um autêntico emaranhado normativo a exigir tecnologia para acompanhamento e atualização. Há que se combinar o detalhe e o principialismo, a simplicidade e a sofisticação. A finalidade última de um "compliance" é o ajuste dos comportamentos às regras essenciais a determinadas áreas da organização. 

Um "compliance" notadamente transdisciplinar é o dirigido anticorrupção, que afeta muitas áreas de qualquer empresa ou entidade. Curioso constatar que a maioria --senão a totalidade-- das grandes empresas flagradas na Operação Lava Jato (tida como a maior operação anticorrupção do mundo) possuía programas de "compliance" em andamento, alguns com forte aparência de robustez. 

Muitas delas financiavam eventos e seminários com agentes públicos no Brasil e no exterior, enquanto entabulavam contatos espúrios para confecção de normativas em seu benefício junto aos Poderes constituídos. O "compliance" que possuíam era de "fachada", tal como definido pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) --ou seja, aquela espécie de programa superficial, mascarado, que não é aplicado na cultura corporativa da empresa. 

Será que esse ambiente mudou ou ainda vivemos um espaço de "compliance" de fachada em inúmeras empresas? Penso que o grande teste ocorrerá nesses novos tempos de alta fiscalização e combate à corrupção pública e empresarial que passaremos a vivenciar, a partir do momento em que esta agenda não é apenas do Ministério Público ou das autoridades administrativas independentes, mas também do próprio Poder Executivo, na versão do futuro ministro Sergio Moro. 

A responsabilidade das empresas por organização defeituosa de suas estruturas pode ser aferida em razão da impunidade de quem pratica ilícitos em suas organizações, e isso se torna possível numa perspectiva de múltiplos fatores.

Para que as empresas possam ter imunidade frente à responsabilidade objetiva por atos de terceiros, é necessário contar com uma estrutura de "compliance" dotada de independência, autonomia contratual, capacidade operacional e autoridade para imposição de um programa efetivo de integridade. 

É imperioso que a empresa esteja apta a fiscalizar o cumprimento permanente das normativas adequadas, com canais de denúncias ajustados, notadamente voltados à proteção dos denunciantes de boa-fé. Nenhuma organização está imune a ato de corrupção praticado por algum funcionário ou fornecedor. O problema é a lacuna da reação ou dos mecanismos de coerção e fiscalização. 

O avanço maior da cultura do "compliance" será na fiscalização dos concorrentes e do aperfeiçoamento do mercado. Esse será um passo decisivo das empresas. O verdadeiro "compliance" pressupõe não apenas a checagem interna, mas do próprio mercado, dos ambientes organizacionais como um todo, eliminando-se cartéis e práticas espúrias. 

Se uma empresa investe pesado em seu "compliance" interno, é decorrência lógica que fiscalizará seus concorrentes, ou apostará em entidades associativas que façam esse trabalho, pois todo um setor pressupõe ligações recíprocas.

Nenhuma empresa suportará a concorrência desleal, muito menos práticas espúrias de seus pares, na medida em que o contágio de um ato ilícito se espalha como um vírus por todo um segmento, podendo manchá-lo perante a comunidade internacional.

Fábio Medina Osório
Advogado e ex-ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (mai/set. 2016, governo Temer)

link artigo
https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/12/compliance-anticorrupcao-na-era-moro.shtml

imagem
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Cambará, PR
14°
Parcialmente nublado
Mín. 14° Máx. 23°
14° Sensação
1.43 km/h Vento
94% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
07h01 Nascer do sol
17h48 Pôr do sol
Quarta
23° 11°
Quinta
25° 10°
Sexta
27° 11°
Sábado
29° 14°
Domingo
24° 17°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,13 +0,00%
Euro
R$ 5,89 -0,01%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 343,743,74 -1,48%
Ibovespa
172,447,58 pts -0.93%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias