
C.Roberto Francisquini
No Brasil o cooperativismo de crédito iniciou-se em Nova Petrópolis/RS, no ano de 1902 por iniciativa do Padre suíço Theodor Amstad que em conjunto com outras 19 pessoas fundou a 1ª Cooperativa de Crédito da América Latina.
Logo nos primeiros anos, as cooperativas espalharam-se pelo Rio Grande do Sul e pelo Brasil. Além das 25 cooperativas de crédito fundadas por Amstad, outras foram fundadas e transformaram a realidade de muitos municípios.
Em 1964, por ocasião da Ditadura Militar e de uma legislação mais restritiva, as cooperativas do Brasil enfrentaram duras restrições e o crescimento sustentado foi retomado, apenas, após importantes conquistas por ocasião da Constituição Federal de 1988 que reconheceu a importância das cooperativas de crédito.
Atualmente, a rede de atendimento das cooperativas no Brasil representa 18% das agências bancárias do país, enquanto que os depósitos totais administrados ultrapassam 5% do total, sendo que as cooperativas de crédito, somadas, ocupam a 6ª posição no ranking do volume de ativos, depósitos e empréstimos, estando portanto entre as maiores instituições financeiras de varejo do país.
Tais números demonstram o grande desafio a ser superado pelas cooperativas brasileiras que, apesar de darem ao Brasil o 16º maior volume de ativos de instituições financeiras cooperativas no mundo, ainda possuem um mercado potencial muito grande para crescimento.
O Brasil possui cerca de 1.100 Cooperativas de Crédito, 38 Centrais Estaduais e 4 Confederações, sendo alicerçado basicamente em 5 sistemas de crédito, sejam eles, SICOOB, SICREDI, UNICRED, e CECRED, CONFESOL (representando as centrais Cresol, Ecosol e Crenhor).
A opção por reunirem-se em sistemas é uma resposta à grande concorrência encontrada no mercado financeiro brasileiro sendo esta a única alternativa para fazer frente aos grandes conglomerados financeiros existentes.
A partir da Resolução 3442/07 do CMN percebe-se uma grande ênfase à organização das Cooperativas através de Centrais.
As Cooperativas independentes (não filiadas a um sistema), também conhecidas como “solteiras”, representam cerca de 15% do número total de cooperativas de crédito e sobrevivem à custa de esforços individuais, com maior capacidade de articulação no setor rural, em face da proximidade com o ramo de produção, conforme informa o Portal Cooperativismo Financeiro.
Com tanta gente interessada em empreender, as cooperativas podem ser o caminho ideal para quem busca o sucesso nos negócios. Diante do cenário positivo é possível dizer que o cooperativismo está na moda. Para o presidente da Cooperativa Sicredi Paranapanema PR/SP, Claudio Marcos Orsini, cada vez mais pessoas têm demonstrado interesse por esta modalidade de negócio. E isso, para ele, tem a ver com um viés geracional. “Diariamente mais pessoas tem experimentado que cooperar é a melhor alternativa em nossa sociedade, pois, juntos, podemos gerar vantagens e ganhos para todos”, afirma. “O Sicredi, especialmente, tem uma estrutura de governança profissionalizada e isto é reconhecido pelos diversos órgão nacionais e internacionais”, completa.
Acompanhe os principais trechos da entrevista.
Circulando: Presidente, ao que parece o cooperativismo está na moda. Veja que os principais veículos de comunicação nacional têm dado grandes espaços em seus noticiários para o tema, em especial ao cooperativismo de crédito. Como o senhor enxerga este cenário? O brasileiro está descobrindo que é mais vantajoso cooperar?
Claudio Marcos Orsini: Cooperação e colaboração, nunca estiveram tão na moda como nos dias de hoje. O Sicredi sabe disto e pratica há 116 anos estes valores, que, construídos juntos, contribuem para o crescimento da economia, das comunidades e até mesmo para o relacionamento entre família e amigos.
Diariamente, mais pessoas tem experimentado que, cooperar é a melhor alternativa em nossa sociedade, pois, juntos, podemos gerar vantagens e ganhos para todos.
Os números apresentados mostram que o Sistema Nacional de Cooperativismo de Crédito tem crescido o dobro da média do Sistema Financeiro Nacional, estão incluídos nisso os bancos privados e públicos. Na sua visão, porque este fenômeno está acontecendo?
Este crescimento está baseado nos princípios que movem as cooperativas, sendo a transparência ao estar próximo dos associados prestando contas e o compromisso em desenvolver as comunidades onde atuam, sempre buscando um modelo mais justo, um atendimento mais humano para que todos possam crescer juntos. Um belo exemplo é o movimento de prestação de contas que, só na nossa cooperativa, Sicredi Paranapanema PR/SP, ocorre duas vezes por ano, reunindo milhares de pessoas. Uma oportunidade ímpar dos associados ouvirem os dirigentes e dos dirigentes ouvirem os associados. Quem você conhece que faz isso?
A prateleira de produtos oferecida pelas cooperativas é muito semelhante a dos bancos. Qual a vantagem de ser um cooperado?
Primeiramente, você faz parte do quadro social, você não é apenas um cliente, mas um associado que tem um atendimento diferenciado, tem os melhores produtos e serviços financeiros e além disto, tem voz nas assembleias e reuniões de prestação de contas. Você se torna dono e participa das tomadas de decisões da cooperativa!
O Banco Central acompanha de perto a evolução do sistema e lhe agrada o formato de governança e transparência das cooperativas. O que mais tem contribuído para o avanço do cooperativismo no Brasil?
O Sicredi, especialmente, tem uma estrutura de governança profissionalizada e isto é reconhecido pelos diversos órgão nacionais e internacionais.
Outra questão que tem contribuído com o avanço no Brasil é o próprio modelo adotado pelo mercado financeiro tradicional, que muitas vezes está longe dos seus clientes, utilizando uma estrutura que não gera um bom atendimento ao público. As Pessoas querem agilidade no seu dia, porém quando tem projetos maiores, ainda querem ter com quem conversar para se aconselharem em busca de melhores alternativas.
As cooperativas de crédito até há pouco tempo, se mantinha forte nas pequenas comunidades, em especial as que são predominantemente agrícolas, mas com a livre admissão provocou o crescimento do sistema também nos grandes centros urbano, está presente na indústria e no comércio. Como o senhor vê este crescimento?
A livre admissão, ou seja, poder atuar com todos os públicos, trouxe uma grande vantagem, pois a população em geral, tanto dos pequenos, como dos médios e grandes centros, hoje, podem contar com os benefícios de terem uma alternativa como as cooperativas.
As pessoas cada vez mais querem cuidado, proximidade e humanidade, e o Sicredi que há 116 anos nasceu e cresceu mais nas comunidades agrícolas e atualmente também vem se destacando em centros maiores, como a presença no centro financeiro nacional, na Av. Paulista na capital paulista, tem demonstrado isso desde sempre, atuando de forma simples, próxima e ativa como propósito.
| "O Sicredi busca aliar a tradição e a inovação, somos pioneiros, somos a instituição financeira privada mais antiga do Brasil" |
O Sicredi é a primeira cooperativa de crédito do Brasil, portanto é pioneiro no assunto. Já são mais de 116 anos de história, inclusive. Com a ascensão do cooperativismo no país, ao que me parece ficou mais fácil encontrar uma cooperativa para chamar de sua. Como o Sicredi está se comportando neste cenário tão competitivo?
O Sicredi busca aliar a tradição e a inovação, somos pioneiros, somos a instituição financeira privada mais antiga do Brasil, entretanto, preservar os valores dos fundadores do nosso modelo e acompanhar a evolução tem sido constante no Sicredi. Nosso jeito de atender e desenvolver as comunidades onde atuamos não muda, além disso, o Sicredi busca sempre estar à frente das novidades, como a aproximação e apoio às startups.
Neste ano lançamos o Woop, a conta digital do Sicredi, a qual é possível abrir uma conta e se tornar associado de casa mesmo num sábado à noite através do aplicativo Woop Sicredi baixado no Google Play ou na App Store.
Outras grandes novidades é pra quem já é associado ao Sicredi e pode baixar o aplicativo do Sicredi e fazer saques sem cartão, por exemplo.
Estamos preparados e inovando diariamente para continuarmos crescendo juntos e fazendo a diferença na vida das pessoas.
A nossa cooperativa apresentou recentemente em assembleia geral extraordinária, nova área de atuação com a inclusão de seis novos municípios no Estado de São Paulo. O que isto significa na prática para o cooperado tradicional?
Na prática significa que nos próximos anos teremos ainda mais comodidade em encontrar o Sicredi por onde quer que o associado esteja no Brasil. Nos últimos anos temos crescido especialmente no estado de São Paulo e também no Nordeste. A inclusão de mais municípios permite que possamos atender mais pessoas e dentro de um plano de expansão possamos abrir novas agências no estado de São Paulo. O Sicredi com mais de 1.650 agências espalhadas pelo Brasil inteiro, tem neste ano o 100 como uma marca, pois só em 2018 foram abertas mais de 100 novas agências do Sicredi no Brasil e ultrapassamos a marca de mais de R$ 100 bilhões de recursos administrados. Tudo isto é reflexo de novas áreas em que o Sicredi está atuando para atender cada vez melhor os nossos associados. E falando em novas agências, neste mês de dezembro estamos entregando a comunidade de Assaí mais uma agência do Sicredi, um projeto em conjunto que é um desejo da comunidade e hoje já é realidade.
| "As Cooperativa fazem a diferença na vida das pessoas e do Brasil" |
2018 foi um ano muito difícil para a economia brasileiro de maneira geral. Diante dos números apresentados no último balancete semestral, a nossa Cooperativa Sicredi Paranapanema PR/SP/RJ remou contra a correnteza do pessimismo e avançou. Qual o segredo para driblar o desânimo econômico e crescer?
O Cooperativismo é sinônimo de otimismo, acreditar e ter coragem para trabalhar juntos e esses são os ingredientes para vencermos os desafios e crescermos.
Mesmo, muitas vezes, indo até os limites da exaustão, saindo cedo e voltando tarde para casa, a dedicação e perceber a realidade das comunidades sendo mudadas com os investimentos feitos pelo Sicredi é algo recompensador.
Na nossa região somos um agente de transformação social, gerando investimentos, emprego e renda. Podemos ver esse importante trabalho em prol de nossos associados e comunidade nos diversos projetos de aviários, implementos agrícolas, entregas de tratores, financiamentos e parcerias no comércio e empresas.
Os números são importantes, como o senhor conseguiu atingir este patamar?
Os números foram atingidos com os esforços e trabalho conjunto de todos, como a dedicação do quadro de colaboradores, o apoio do nosso vice-presidente, do conselho de administração e fiscal, os parceiros da imprensa, a confiança dos coordenadores de núcleo e principalmente pelos associados que acreditam e movimentaram suas economias e realizaram seus sonhos no nosso Sicredi.
A campanha Eu Poupo Sim, que se encerra este mês alcançou os objetivos?
Sim, tivemos mais uma vez um crescimento incrível na campanha. E o mais importante é ajudarmos as pessoas a criarem o hábito de pouparem um pouco todo o mês, lembrando que o importante não é poupar muito, mas poupar sempre.
De todas as ações promovidas pela cooperativa ao longo de 2018, qual o senhor destaca que causaram maior impacto?
Fica difícil destacar apenas uma ação, pois foram muitas tanto no âmbito econômico quanto social, mas destaco as ações de educação financeira que levou a milhares de pessoas como podem fazer melhor a gestão do seu dinheiro. Falando em ações, em 2018 somente na nossa região mais de 130 mil pessoas foram impactadas por ações do Sicredi.
2019 está chegando e com ele haverá mudanças significativas na política brasileira. Que cenário o senhor vê para a economia nacional com a posse do novo governo no dia primeiro de janeiro?
O início de um novo ciclo traz renovação da esperança nas pessoas, e em geral já podemos perceber isso. Todos nós brasileiros buscarmos fazer a nossa parte na construção de um país melhor, de um estado melhor, de um município melhor, mas tudo começa por cada um de nós sendo melhor a cada dia.
E para as cooperativas? Como o senhor enxerga o novo governo?
As Cooperativa fazem a diferença na vida das pessoas e do Brasil. Como cooperativas, considerando todos os ramos, especialmente no Paraná, não dá para imaginar o desenvolvimento do nosso estado sem o cooperativismo. Hoje é um modelo consolidado, que continuará crescendo e ajudando a construir um país melhor.
Plano Safra. Ainda dá tempo de conseguir algum recurso?
Sim, neste ano especialmente, antecipamos muito a disponibilidade dos recursos para os nossos associados realizarem uma ótima compra antecipada para a Safra. O importante é um bom planejamento e nos anteciparmos.
Presidente, 2018 foi um ano de conquistas e superações, os números não mentem. Foi um ano muito promissor para a Paranapanema. 2019 será diferente?
Certamente, assim como 2018 foi o ano da nossa Cooperativa Sicredi Paranapanema PR/SP, 2019 não será diferente. Vamos continuar juntos valorizando o relacionamento, oferecendo soluções que vão além financeiras, que gere e agregue maior renda, desta forma também melhorando a vida dos associados e da sociedade.
Para finalizar: Presidente, deixe uma mensagem para nossos leitores.
Nossa gratidão a todos os leitores, associados, comunidade e parceiros que estiveram juntos em 2018. Em meu nome e em nome da nossa cooperativa, queremos desejar um feliz e abençoado Natal a todos e que em 2019 possamos continuar fazendo a diferença na vida das pessoas. Acreditamos na força do coletivo e que através da cooperação, com a união de todos, possamos fazer juntos em prol do desenvolvimento das nossas comunidades, do nosso estado e do nosso país. Um novo cheio de esperança, realizações e prosperidade!