
FONTE www.brasil247.com
Brumadinho e Mariana são os dois crimes mais recentes, nos quais a Vale está envolvida. Desde que foi privatizada, a companhia coleciona acusações graves em diversos países – principalmente na América do Sul e África, mas também no Canadá – que incluem crimes contra a humanidade. O rebaixamento dos padrões éticos da empresa, após sua privatização, nivela a mineradora brasileira ao modelo de comportamento da maioria das maiores multinacionais do planeta, nas quais os dividendos dos acionistas estão acima de tudo e a responsabilidade social não passa de um discurso de marketing.

QUEM SÃO OS CULPADOS
Após a tragédia anunciada de Brumadinho, em Minas Gerais, um dos temas mais frequentes na mídia, nas redes sociais e nas conversas em qualquer lugar é apontar os culpados. Há culpados e são muitos.
Um grupo dos culpados inclui executivos da VALE, autoridades do executivo (mineiro e brasileiro), parlamentares, além dos funcionários públicos de médio e baixo escalão, pelos quais passaram os processos de licenciamento, assim como os empregados da empresa, além dos técnicos de emprersas contratadas para produzir os estudos que fundamentaram a aprovação das operações em Brumadinho. A quantidade de pessoas envolvidas nos processos legais e operacionais, que viabilizaram a operação da Vale em Brumadinho é tão grande, que caracteriza facilmente a formação de uma quadrilha. Todos participaram de um "combinado", como se diz em Minas Gerais, para dar aparência de legalidade técnica e jurídica à fraude que gerou o maior crime ambiental e trabalhista do Brasil.
Considerando que os envolvidos estavam cientes da ameaça contra vidas humanas, decorrente se suas decisões e ações, essas pessoas são responsáveis por um crime de assassinato. Ou, pior, um crime de genocídio.
Toda quadrilha tem seus chefes e em qualquer crime, das dimensões do que ocorreu em Brumadinho (e também em Mariana), sempre há um mentor intelectual.
A investigação de um crime complexo exige um olhar mais amplo, procurando captar toda o contexto, a fim de compreender a natureza do que ocorreu. Os bons detetives procuram compreender o cenário amplo, para que os detalhes façam sentido. Quem lê os livros de Sherlock Holmes, criação do escritor britânico Conan Doyle, conhece esse método cuidadoso e perspicaz de investigar, a partir do contexto, afinal todo crime tem uma motivação.
Observando o contexto mais amplo, chama a atenção para o fato de que a VALE é reincidente na prática criminosa. A empresa tem participado com insistência em malfeitos de diversas naturezas. As denúncias contra a companhia são inúmeras e não ocorrem somente no Brasil. A atuação da VALE em boa parte do planeta, principalmente na África e na América Latina, acumula uma série de denuncias graves, que vão dos crimes ambientais, passando pelo trabalho escravo, a desorganização do modo de vida de comunidades tradicionais, espionagem de movimentos ambientalistas e sociais, até a violência contra para reprimir protestos contra abusos da empresa.