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Aumenta risco de doenças após tragédia em Brumadinho

A região sudeste, onde a barragem I da Mina do Córrego do Feijão se rompeu em 25 de janeiro, pode registrar nos próximos meses surtos de dengue, febre amarela e doenças infecciosas, assim como doenças mentais

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06/02/2019 às 08h42
Aumenta risco de doenças após tragédia em Brumadinho

Fonte: em.com.br


 

Foto: Shutterstock


Baseando-se nas primeiras evidências e na experiência de tragédias anteriores, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz - vinculada ao Ministério da Saúde - publicaram um estudo sobre os impactos na saúde do rompimento da barragem, que deixou 134 mortos e 199 desaparecidos em Brumadinho, uma localidade de 39.000 habitantes em Minas Gerais.


O epidemiologista Diego Xavier, um dos coordenadores do informe, falou com a AFP sobre os efeitos a curto, médio e longo prazo da tragédia.


P: Quais são as consequências para a saúde da população a curto prazo?


R: No primeiro momento, tem esse período de resgate, contabilização de óbitos, gravemente feridos. Tem esse impacto agudo. No segundo momento, especialmente em caso de rompimento de barragens, a gente tem relatos de contaminação por metais pesados, contaminação com água, de pessoas que estavam trabalhando na área. Diarreia, difteria, náuseas, vômitos, que possivelmente estão relacionados com o contato com a água contaminada.


P: Quais são as consequência a médio prazo?

 

R: No prazo de semanas e meses, a gente observou em outros desastres, um incremento em doenças infecto-parasitárias.


Se você tem serviço de coleta de lixo interrompido, você passa a ter lixo acumulado, aumenta a presença de roedores e consequentemente aumenta a possibilidade de que a pessoa contraia leptospirose.


Supondo que o rio Paraopeba seja contaminado, as pessoas vão buscar soluções alternativas para armazenagem de água, e pode vir a haver um surto de dengue.


Esse tipo de impacto muda o que a gente chama de ecologia do vetor. Ele pode alterar locais de reprodução de mosquitos, de caramujos. Brumadinho é uma área endêmica para esquistossomose, que é uma doença do caramujo, e para a febre amarela [transmitida pelo mosquito Aedes aegypti].


Outra coisa que pode acontecer é que os serviços de saúde nessas situações de desastre são interrompidos.


A gente verificou que unidades físicas não foram atingidas, mas os recursos humanos provavelmente sim [pelo número de mortos e familiares afetados]. Então serviços de rotina como acompanhamento de diabéticos, hipertensos, pacientes renais podem ser interrompidos.


P: Que medidas devem ser tomadas de imediato?


R: Estamos em um processo de resgate ainda. Mas como temos conhecimento acumulado de outros desastres que a gente já observou, a ideia é ir atrás dessa população que não foi vacinada para febre amarela e vacinar. Ir atrás dessas pessoas que estão em comunidades isoladas, quem são essas pessoas, se são hipertensos, diabéticos, grávidas, pessoas que precisam de tratamentos de rotina que não podem ser interrompidos. A gente tem trabalhado junto com o Ministério da Saúde, com a secretaria estadual de Saúde, a Fiocruz de Minas, para tentar unir esforços para aplicar essas intervenções que são necessárias.


P: Quais são as consequências a longo prazo?


No longo prazo a gente tem um problema muito sério que é o problema de saúde mental. A pessoa sofre um trauma desse tamanho, precisa de um companhamento psicológico por um bom tempo para evitar problemas como depressão, ansiedade e em última análise também o suicídio.


[Com o passar do tempo] a população acaba sendo esquecida, a mídia se desmobiliza, passa a comoção e tudo fica com o SUS. (...) Acredito que a gente precisa aprender com o que aconteceu agora e pensar estratégias que combinem esforços tanto públicos quanto privados. Não é admissível que o setor público de saúde fique com todo o ônus de uma tragédia desse tamanho enquanto a empresa que causou essa tragédia fique com todos os lucros e se isente completamente de qualquer cuidado que tem que dirimir para a população.


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