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Vale sabia de falhas em sensores de barragem dois dias antes da tragédia de Brumadinho

Troca de emails entre a Vale e duas empresas ligadas à segurança da barragem está sendo analisada pela Polícia Federal (PF). Teor foi divulgado por engenheiros presos dias depois do rompimento da estrutura

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07/02/2019 às 09h21 Atualizada em 07/02/2019 às 09h25
Vale sabia de falhas em sensores de barragem dois dias antes da tragédia de Brumadinho

Fonte: Gabriel Ronan , João Henrique do Vale, em.com.br


 

Foto: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)


A Polícia Federal (PF) analisa e-mails trocados entre a Vale e duas empresas ligadas à segurança da Barragem de Brumadinho, que se rompeu em 25 de janeiro. Os documentos mostram que dois dias antes do rompimento, a mineradora tinha sido informada dos problemas em dados de de sensores que faziam o monitoramento da estrutura. 


As informações fazem parte do depoimento prestado por Makoto Namba e André Jum Yassuda, dois engenheiros da Tüv Süd Brasil, empresa contratada pela mineradora, a que a TV Globo teve acesso. Os dois profissionais foram presos dias após o rompimento da barragem. Nessa terça-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liberdade aos dois e outros três funcionários da Vale. 

 

Os engenheiros são responsáveis pelos laudos e estabilidade da barragem, que foi feito em setembro de 2018. Eles foram ouvidos pela PF em 1º de fevereiro. Nas oitivas, mensagens de e-mails trocadas entre funcionários da Tüv Süd Brasil e da Vale, responsáveis pela barragem, foram reveladas pelo delegado. Um engenheiro da Tüv Süd, Dênis Valentin, citado no depoimento, enviou as primeiras mensagens, em 23 de janeiro, a vários interlocutores. Elas foram respondidas por Hélio Cerqueira, funcionário da Vale, no dia seguinte. 

 

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Em 24 de janeiro, foram trocadas novas mensagens respondidas por Anderson Fernandes, outro funcionário da Vale. O assunto do e-mail era a discrepância de dados dos piezômetros, que fazem o monitoramento da barragem e são automatizados.  Eles apresentaram falhas em 10 de janeiro. Outro ponto questionado nas mensagens é o não funcionamento de cinco aparelhos. 



Segundo o depoimento, o engenheiro Makoto Namba chegou a ser questionado pelo delegado da PF sobre o que faria se o filho dele estivesse trabalhando na barragem. Ele respondeu que após a confirmação das leituras, ligaria imediatamente para o filho e diria para ele sair do local. E também ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do plano de emergência da barragem Mina do Feijão para as providências cabíveis.

 

Além disso, o engenheiro afirmou, no depoimento, que em reunião com Alexandre Campanha, funcionário da Vale, ouviu a pergunta: “A Tüv Süd vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”. Makoto Namba informou que, diante do questionamento, respondeu que iria assinar se a Vale adotasse as recomendações indicadas na revisão periódica de junho de 2018.  Disse, ainda, na oitiva, que apesar da resposta, sentiu que a pergunta foi uma maneira de pressionar a empresa a assinar a declaração de condição de estabilidade. 



Por meio de nota, a Vale informou que está colaborando com as investigações. “Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal. A companhia se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”, disse. 



Já a TÜV SÜD informou, também por meio de nota, que os dois funcionários que foram temporariamente detidos pelas autoridades brasileiras foram libertados. “Por conta das investigações em andamento pelas autoridades do Brasil, com as quais estamos contribuindo, a TÜV SÜD não está atualmente em posição de fornecer quaisquer informações adicionais”, afirmou. 


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