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Mesmo renovada, Assembleia Legislativa do Paraná ainda está na mão de caciques

Alep teve mudança em um terço das cadeiras, mas a influência dos deputados mais antigos segue soberana na Casa

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11/02/2019 às 16h05 Atualizada em 11/02/2019 às 16h18
Mesmo renovada, Assembleia Legislativa do Paraná ainda está na mão de caciques

Com um certo tom de nervosismo, voz levemente trêmula, o recém-eleito Soldado Fruet (Pros) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa na tarde de quarta-feira (6), na primeira sessão plenária ordinária do ano da Casa. Ele é um dos 22 novos deputados estaduais que tomaram posse nesta legislatura, no início do mês, na média de renovação que empata os recordes da Alep – superou os 40%. Durante poucos minutos, o primeiro orador dentre os novatos não mostrou a velha habilidade de discurso de figurões conhecidos da política, tampouco empolgou os presentes. Mas trouxe bandeiras que o ajudaram a conquistar uma das 54 cadeiras no Legislativo estadual. “Não sou oposição, não sou situação, sou um representante do povo. Se eu tiver que escolher um lado, escolherei o lado do meu povo”, declarou, em um manifesto contra os preços de tarifas de empresas de capital misto, como Copel e Sanepar. Informações da Gazeta do Povo.

 

Além de Soldado Fruet, Galo (Pode), Homero Marchesi (Pros), Delegado Jacovós (PR), Michele Caputo (PSDB) e Mabel Canto (PSC) foram os calouros a discursar – três a mais do que na legislatura anterior (2014-2018). Poderia parecer uma demonstração de força da “Assembleia renovada”. Mas está longe disso. Poucos dias antes, um dos veteranos da Casa, Ademar Traiano (PSDB) havia sido reconduzido à presidência da Alep, com apenas um voto contrário – a negativa do novato Matheus Viníccius Ribeiro Petriv, o Boca Aberta Jr. (PRTB), foi engolida pelos 48 votos que garantiram o presidente no cargo.



Da mesma forma, a mesa diretora eleita teve pouco espaço para os novatos. Apenas um deles: Marcel Micheletto (PR), que é o 3º secretário. Ainda assim, embora novato na Alep, Micheletto tem história política e já foi prefeito de Assis Chateaubriand. Os calouros também estão fora da disputa pela presidência de comissões fundamentais, como a de Constituição e Justiça (CCJ).



“Há uma certa frustração em um primeiro momento”, admitiu um dos novatos, em off. “Mas sabemos que é assim mesmo. O objetivo é ganhar espaço aos poucos. Temos que aprender a nos articular para ter voz. Se você observar, a maioria dos novatos veio de partidos pequenos. E todos precisam estar vinculados a líderes mais tarimbados”, justificou.



O mais jovem da bancada, Boca Aberta Jr., também admitiu estar articulando com pares para tentar avançar seus projetos e ter espaço. “Sou novo no meio político e muitos [dos deputados] já foram reeleitos, já estão há mais tempo, mas acho que não terei problema”, diz, de forma otimista, o jovem deputado, de 23 anos. Ele tenta usar o trunfo de seu pai, Boca Aberta (PRTB), eleito deputado federal, para conseguir barganha e bom trânsito na Casa.



É estratégia diferente da calculada por Goura (PDT), ex-vereador que chega pela primeira vez à Casa. À Gazeta do Povo, ele indicou que tentará formar um grupo em torno de pautas progressistas, sobretudo dos transportes alternativos. Para ele, tais temas são sobrepujantes a discussão de ideologias políticas ou interesses internos.



Novo desafio
Mas ter voz em um plenário é tarefa difícil, destaca o cientista político Doacir Quadros. “Uma coisa é o parlamentar em período eleitoral, outra coisa é ele em mandato. Ele geralmente tende a seguir suas lideranças partidárias”, destaca o professor do grupo Uninter, também doutor em Sociologia. “Faltará a estes parlamentares uma experiência no Legislativo para que possam se articular em torno de suas defesas. Pega a bancada da bala, por exemplo [grupo formado majoritariamente por deputados do PSL]. A grande maioria deles é parlamentar em primeira gestão. Isso tem um peso. É a inexperiência”, diz.



Sem apoio, o novo parlamentar corre o risco de passar pela Casa sem ter feito, de efetivo, nada. Isso porque o deputado reeleito tem mais chance de aprovar seus projetos. O regimento interno da Alep facilita a vida daqueles que conseguiram renovar o mandato, permitindo que suas proposições continuem tramitando do lugar em que pararam, sem ter que passar novamente pelas comissões. Na última legislatura, 780 projetos apresentados pelos deputados nem chegaram ao plenário, mas 300 deles podem ter nova chance por pertencerem aos reeleitos. Os calouros deverão ter boa dose de articulação para não ter seus PLs engavetados como os outros 480 da última gestão.

link da matéria
https://www.gazetadopovo.com.br/politica/parana/mesmo-renovada-assembleia-legislativa-do-parana-ainda-esta-na-mao-de-caciques-74yr88tr1ctv0zoy6nd7klguz/


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