
Fonte: Redação Tribuna do vale

Foto / reprodução
O prefeito de Carlópolis, Hiroshi Kubo (PSDB), começa a viver seu inferno astral na política e tudo indica que o município caminhe para mais um período de turbulência, caso a Câmara de Vereadores acate pedidos de abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) baseada numa série de supostas irregularidades envolvendo a administração do tucano, que na vida privada é empresário do setor imobiliário, tendo na cidade um dos empreendimentos turísticos de maior sucesso da região.
Uma fonte que prepara a apresentação das denúncias, mas que pediu anonimato até o momento oportuno, apresentou à reportagem da Tribuna do Vale, com exclusividade, uma série de documentos, que se comprovados a veracidade das eventuais irregularidades colocarão o prefeito numa situação jurídica delicada.
Segundo relatos da fonte, antes de ser eleito prefeito de Carlópolis Hiroshi Kubo tinha dois funcionários em sua empresa, a KF Empreendimentos (Residencial Ilha Bela), Júlio de Andrade e Sandra Santos Pascon, esta última, trabalhando também como sua secretária nos assuntos relacionados ao partido e ao grupo político que estava criando para sustentar sua candidatura a prefeito.
Ainda segundo os mesmos relatos, com sua eleição, em dezembro de 2016, Hiroshi Kubo demitiu os dois empregados particulares e, em janeiro de 2017, os nomeou para ocupar cargos comissionados na Prefeitura de Carlópolis. Júlio de Andrade assumiu como diretor do Departamento Rodoviário; e, Sandra Pascon, nomeada diretora do Departamento de Recursos Humanos.
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Irregularidades
Com essas nomeações, duas irregularidades aconteceram logo no início do mandato do prefeito: Júlio não poderia ser nomeado porque para o provimento do referido cargo uma lei municipal da época exigia curso completo de ensino médio, porém, ele sequer tem o ensino fundamental completo, segundo assegura o denunciante. O então encarregado do departamento de pessoal da prefeitura, Jaime Egivaldo Soares, pediu que Júlio apresentasse o certificado que o habilitava para o cargo, porém, Hiroshi Kubo teria interferido e determinado que tal exigência não fosse aplicada.
Posteriormente, em janeiro de 2018, a estrutura administrativa do Município de Carlópolis foi alterada, porém, a exigência do curso de ensino médio para o cargo de diretor foi mantida, desta feita na Lei 1345/2018, mas, ainda assim, Júlio de Andrade foi mantido no cargo.
No caso de Sandra Pascon, a situação é tão ou mais grave. Ela foi nomeada em janeiro de 2017 para o cargo de diretora do Departamento de Recursos Humanos (RH), porém, segundo a denúncia, jamais trabalhou um dia sequer em tal setor, sendo que, embora dando expediente na prefeitura, continuou assessorando Hiroshi Kubo em seu escritório particular.
Em janeiro de 2018, Sandra foi exonerada do cargo de diretora de RH, e, no mesmo dia, nomeada para o cargo de diretora do Departamento de Tributação, porém, continuou fazendo o mesmo trabalho, na mesma sala, e, conforme a denúncia, jamais esteve por um dia sequer nas dependências do departamento de tributação, aliás, jamais atendeu as demandas do departamento de tributação, cujos serviços são prestados pelos mesmos funcionários de sempre.
Mais casos
Na gestão da prefeitura Hiroshi Kubo age como se a administrasse sua empresa particular, ou seja, sem dar satisfações a ninguém de seus atos. Um exemplo são outros fatos registrados em 2018. Neste ano ele nomeou Nilton José Teles para o cargo de Secretário de Turismo e Marcelo Sgroi para o cargo de Secretário de administração. Porém, o provimento do cargo de secretário municipal exige curso superior, e até esta segunda-feira (18), nenhum dos dois havia apresentado certificado de conclusão de curso superior. Segundo comentários dos meios políticos, nenhum deles possui tal condição, porém, mais uma vez, o prefeito garantiu os dois no cargo ao argumento de que quem manda na prefeitura é ele, e a lei não precisa ser observada.
Escândalo sexual
Outro escândalo em Carlópolis diz respeito às diárias do prefeito. A mesma fonte tentou obter o montante de recursos da prefeitura para pagar as viagens de deslocamento de Hiroshi, que teria se utilizado de muitas diárias, especialmente, no último semestre de 2018 e no início deste ano. Neste mesmo período veio ao conhecimento público um romance extraconjugal, cuja moça está grávida de um filho do prefeito, fato que ele mesmo confirmou em entrevista ao jornal Pérola do Norte, órgão oficial do município.
Este caso virou piada nas redes sociais, pois o prefeito confessou estar traindo a esposa com outra mulher, anunciando a vinda do quarto filho e pedindo desculpar à comunidade, classificando adultério como uma falha grave, principalmente na cultura japonesa, da qual é descendente.
Carrão de luxo
Ainda em 2018, apesar das dificuldades do Município de Carlópolis, Hiroshi Kubo comprou um automóvel de luxo para uso exclusivo do prefeito, que custou mais de R$ 150 mil para os cofres públicos. O inconformismo da população só aumentou, pois o prefeito usa o veículo de domingo a domingo, inclusive, em suas atividades particulares, pois, é visto na Ilha Bela ao final de semana com o veículo, e também em viagens de lazer.
Usucapião
Outro fato escandaloso é que o prefeito usou a sua empresa, KF Empreendimentos, para requerer usucapião de uma área de 7.000 metros quadrados no local denominado CTG, em imóvel que hoje está avaliado em mais de um milhão de reais. Ocorre que o próprio Hiroshi entende que o terreno que pretende regularizar em nome de sua empresa está localizado em área pública, pertencente ao município, pois, a prefeitura de Carlópolis teria contratado uma empresa para expedir escrituras em favor dos ocupantes de lotes no entorno do imóvel de Hiroshi, através da Lei de Regularização Fundiária.
No entanto, a regularização fundiária tal como pretendida por Hiroshi só é possível em imóvel público, e, com isso, não pode fazer usucapião da área da qual está de posse.
Escola
Outra polêmica envolve a construção de uma escola em área ao lado de um terreno de propriedade do prefeito. Hiroshi encaminhou à Câmara de Vereadores, pedido de aprovação para execução das obras. Há suspeita de que a obra pública beneficiaria a propriedade particular, pois o aterramento da área teria que ser extensivo ao lote do prefeito.
A Câmara pediu orçamento das obras, sendo que existem estimativas de custo superior a R$ 300 mil, além da supervalorização do imóvel do prefeito, que não gastaria sequer um real para aterrar seu imóvel. Isso gerou revolta em setores da comunidade, pois, o prefeito demoliu uma quadra de esportes para iniciar as obras da nova escola, desperdiçando milhares de reais, além do que, é sabido que o município possui outros terrenos nos quais a escola poderia ser construída, porém, em outros terrenos.
Frutfest 2017
Outro escândalo que está sendo investigado é a realização da Frutfest de 2017. Para promover o evento, Hiroshi não convocou licitação e optou por contratar diretamente, sem realizar concorrência, através da Rádio Carlopolitana FM, emissora comunitária local, a qual posteriormente foi substituída no contrato pelas pessoas físicas de Jorge Costa Junior e Nilton José Telles, os quais teriam assumido a responsabilidade total pela realização do evento.
Ocorre que existem fortes suspeitas de que, na verdade, a festa foi realizada por Hiroshi Kubo, e que Jorge Costa e Nilton Telles seriam apenas ‘laranjas’ do prefeito, pois, parte do dinheiro das vendas de camarotes e de cartelas de um bingo teria sido depositada na conta da KF Empreendimentos, empresa que Hiroshi utiliza para os seus negócios particulares.
Hiroshi teria ‘doado’ um terreno para a realização da festa, no valor de R$ 120 mil, porém, o terreno foi destinado para um bingo e foram vendidas 250 cartelas de R$ 1 mil cada, com o que, somente com a realização do sorteio foi arrecada a importância de R$ 250 mil.
Apesar da ausência de licitação para a realização da festa, o município arcou com as despesas de infraestrutura da Ilha do Ponciano, local onde ocorreu o evento, especialmente, na área de energia elétrica, e ainda contratou os shows musicais, em valores superiores a R$ 350 mil. Estima-se que o lucro da Frutfest 2017 foi superior a R$ 500 mil.
Segundo a fonte que repassou as informações à reportagem, a situação chegou a tal ponto que um grupo de cidadãos resolveu apresentar à Câmara Municipal um pedido de abertura de processo para apurar os fatos irregulares noticiados e, inclusive, votar a cassação do prefeito Hiroshi Kubo, se for o caso.
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