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Decisão do STF começa a fechar janela de combate à corrupção, diz Deltan

Em derrota para Lava Jato, Supremo decide que corrupção associada a caixa dois deve ir para Justiça Eleitoral

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
15/03/2019 às 10h43
Decisão do STF começa a fechar janela de combate à corrupção, diz Deltan

Um dos principais nomes da Operação Lava Jato em Curitiba, o procurador Deltan Dallagnol criticou a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que nesta quinta-feira (14) decidiu que crimes como corrupção e lavagem de dinheiro, quando investigados junto com caixa dois, devem ser processados na Justiça Eleitoral, e não na Federal. As informações são da Folha de S.Paulo.

 

"Hoje, começou a se fechar a janela de combate à corrupção política que se abriu há 5 anos, no início da Lava Jato", escreveu Deltan em redes sociais após o fim do julgamento no Supremo.



Nas últimas semanas, procuradores fizeram uma ofensiva pública contra a remessa de processos à Justiça Eleitoral. O próprio Deltan já havia dito que essa definição seria catastrófica e poderia levar à anulação de casos já julgados na Justiça Federal.



A Transparência Internacional também condenou a decisão. Em nota, a entidade afirmou que o resultado irá "impactar de forma grave a luta contra a corrupção". "[A decisão] ameaçará seriamente os processos já em curso, com risco real de impunidade, além de prejudicar o desenvolvimento de novos casos anticorrupção."



“Eu não vejo esse risco [anulação] neste momento, mas é preciso avaliar tudo isso com muito cuidado e não perder o foco”, afirmou a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao chegar para a sessão do STF.



Por 6 votos a 5, o plenário do Supremo consolidou o que a Segunda Turma do STF, responsável pela Lava Jato, já vinha fazendo: investigações sobre políticos suspeitos de caixa dois e, ao mesmo tempo, de corrupção devem ser remetidas para os tribunais eleitorais.



Assim, um político que recebeu propina desviada de obras públicas e usou parte do dinheiro na campanha será processado na Justiça Eleitoral.



Na avaliação de Dodge e de membros da Lava Jato, os tribunais eleitorais não têm estrutura para julgar crimes complexos e neles pode haver impunidade.



Como a Folha noticiou na quarta-feira (13), tribunais eleitorais têm deixado em segundo plano investigações da Lava Jato.



Além de ser sobrecarregada com prazos e demandas relativos às eleições, a Justiça Eleitoral é vista por advogados de réus como atrativo para punições mais brandas.

link da notícia
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/03/decisao-do-stf-comeca-a-fechar-janela-de-combate-a-corrupcao-diz-deltan.shtml

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