
| População lotou o plenário da Câmara para pedir que vereadores não votassem a Lei do nepotismo. Em vão, em primeira votação - Foto: C.Roberto Francisquini - arquivo CIRCULANDOAQUI |
C.Roberto Francisquini
Desde a noite de 23/10/2017, em que os vereadores Ângelo Raia (Zoinho) Cris Liga, Jair Eletricista, Marcos Roberto de Oliveira (Tetinha), Raffaello Frascati e Rogério do Karatê, todos da base do prefeito na Câmara, votaram a favor da proposta de emenda para alterar o artigo 138 da Lei Orgânica cambaraense que veda o nepotismo na administração local, a Câmara vem sendo alvo de críticas pela maioria dos eleitores e habitantes da cidade.
Foi registrado naquela noite a maior manifestação de repúdio a um ato público da história de Cambará. A sessão ordinária da Câmara daquela segunda-feira (23) foi uma demonstração de forças entre os legítimos representantes do povo, eleitos pelo povo vs o próprio povo. Tudo em nome de uma lei que garante ao povo que a coisa pública seja tratada com ética e transparência.
Mas naquela noite o povo foi traído por seus representantes legítimos.
Seis, dos nove vereadores sucumbiram a vontade popular e cederam aos caprichos de José Salim Haggi Neto, o prefeito, e votaram a lei que favorece o nepotismo. CLIQUE AQUI E RELEMBRE
A pressão popular fez com que a vereadora Cris Liga recuasse e se manifestasse via rede social que sua decisão seria diferente em segunda votação. Com a decisão da vereadora o projeto foi retirado de pauta e a Lei, embora não respeitada, continua intacta, para o bem de Cambará. CLIQUE AQUI E RELEMBRE: O problema é que até hoje não se inventaram algo capaz de recuperar cristal quebrado e desde então o Parlamento local vive sob a sombra da dúvida.
De lá pra cá, a guerra de poderes tem sido intensificada e os discursos tem mais atendido aos interesses político/partidário do que qualquer outra coisa.
Dois casos recentes contribuem ainda mais para fragilizar o já desgastado poder legislativo local. O primeiro foi protagonizado na sessão ordinária do dia 1º de abril, em que foi levantada a questão do Portal de Transparência que está sendo, até que se prove o contrário, mal gerido pelos órgãos competentes. O vereador Marcio Albertini (PR) cobra uma resposta da equipe do Poder Executivo, mas os vereadores da base caminham na outra direção, na tentativa de desviar o foco a exemplo do Vereador Marcos Roberto - Tetinha (DEM), que procurou atenuar o caso criticando o discurso do vereador Albertini. E o mais preocupante é o silêncio dos demais. Com exceção dos Vereadores Walcir Joaquim (PSDB), Gil dos Anjos (PSC) e Marcio Albertini que se posicionaram publicamente favoráveis a investigação, ninguém se posicionou a favor de que se apurasse o caso.
Na última sessão do dia 8 de abril, foi jogada mais uma pá de lama na imagem da Câmara e foi protagonizado por quem não deveria fazê-lo. O Presidente Raffaello Frascatti (MDB).
O assunto desta vez diz respeito a taxa de iluminação pública que vem sendo cobrada da população. Os Vereadores Marcio Albertini e Walcir Joaquim cobram do Prefeito José Salim Haggi Neto (MDB) as documentações que comprovam os gastos pagos pela população com a taxa da Cosip. Desde 2017 o prefeito não encaminha as planilhas para Câmara para que se faça a revisão dos índices cobrados. Vale lembrar, que segundo a LEI, as planilhas devem ser enviadas anualmente ao Poder Legislativo.
Diante do impasse, Marcio Albertini quer cópias de todas as notas fiscais pagas com o dinheiro da Cosip. O prefeito não enviou as planilhas ainda e tão pouco, as documentações requeridas pelo vereador.
O Presidente da Câmara Raffaello Frascati, em seu discurso no grande expediente, fez duras criticas ao requerimento, alegou dificuldades do departamento da prefeitura de se juntar as documentações e afirmou que as notas fiscais originais não podem sair da prefeitura.
Raffaello sugeriu que o vereador Marcio vá à prefeitura e “veja com seus próprios olhos”, as documentações. Que ingenuidade.
Ora, o que pretende o Presidente com esta medida? Não é dever de ofício dos vereadores fiscalizar e cobrar transparência dos atos do Poder Executivo? Não sabe ele que com esta postura abre ainda mais margem a dúvidas sobre a atuação do governo municipal sobre este assunto? Há algo escondido nesta história?
Ninguém está acusando ninguém, mas as manobras dos vereadores da base do prefeito, os que debatem o assunto no púlpito da Câmara e principalmente os que se calam diante do cenário, elevam as desconfianças.
A base do prefeito na Câmara deveria ser a primeira interessada em trazer luz ao caso e afastar de vez quaisquer motivos que leve a dúvida.
Enquanto isto, a taxa de iluminação pública continua sendo cobrada e a população, especialmente os comerciantes que reclamam dos altos valores da Cosip, estão pagando pela ineficiência daqueles que deveriam dar uma resposta.