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BELLA GENTE Homenagem

PARA CLAUDIA BATISTA

UND ALLE SIND WIR ALLE BRÜDER

22/08/2019 17h29 Atualizada há 2 anos
Por: Carlos Roberto Francisquini
PARA CLAUDIA BATISTA

 

 Por *José Machado BOTELHO

 


 

 UND ALLE SIND WIR ALLE BRÜDER 

(TODAVIA SOMOS TODOS IRMÃOS)

 

 Talvez a memória da frase que li, ainda menino, nos primeiros anos do pós-guerra, na de há muito desaparecida Revista O CRUZEIRO, em alemão, língua que não falo, fosse outra, mas a tradução que o repórter escreveu: E TODAVIA SOMOS TODOS IRMÃOS, essa eu nunca esqueci.


Os comunistas já aprisionavam metade da nação alemã, mesmo antes do famigerado muro existir na sua forma posterior, mas O CRUZEIRO mostrava uma foto em que uma igreja, meio demolida, fazia justamente parte da linha de demarcação; na porta, em letras góticas, a frase.


Esta verdade profunda sempre foi a existência e obra de Cláudia Batista; Cláudia Helena Negrão Batista, como a tenho registrada em meu celular, empresária menina, adolescente e mulher imparável nos seus sonhos e nas suas ações. Não distinguia classes, cor de pele, raças, nada. Éramos todos irmãos, a humanidade com suas caras e suas crenças, só a humanidade Cláudia servia.


Decorrido quase dez anos de a ter conhecido, lembro ser apresentada como esposa do Prefeito Neto, mãe de duas lindas e inteligentes jovens, Júlia e Heloisa; me contaram era paisagista, decoradora, mulher de mil instrumentos. Conhecia tanta gente de talento, natural nela que era talentosa em tantas áreas, por isso tornou-se foi minha fonte mais preciosa para contratar, através do Instituto Bourbon, instrutores que trouxessem às nossas queridas crianças matérias e cultura não inclusas no currículo escolar oficial.


 Suas mãos plantaram árvores e flores, decoraram festas, ensinaram artes, artesanato, não há como se resumir aqui tudo que fez por tanta gente; dava-lhe igual fossem crianças, idosos, carentes de tudo ou sobreviventes da geada negra encostados na cidade. Um turbilhão em ação, ideias em tantas direções e seu vibrante entusiasmo na fala rápida era fácil de se admirar e difícil de acompanhar.


        

 "Não choramos você, Claudia; choramos por nós, todas aquelas pessoas que sua mágica e forte presença tocou, ontem paralisados dentro e fora da igreja, cheia a igreja, cheia a praça e a cidade vazia de você"
 

 Muitas pessoas se enternecem frente a uma situação, imaginam soluções, pensam mas não agem. Cláudia fazia e fazia fazer. Ou fazia ela mesma, ensinava ela mesma, cozinhava ela mesma, ou as pessoas sob sua orientação febril cuidavam de fazer, aprender, buscar o novo, o que não sabiam. Cláudia, sempre professora de vida e arte, ensinava.


 Cláudia, suas flores, suas árvores, suas obras ficaram; e mais ficaram os ensinamentos, os sonhos em milhares de cabeças que você transformou. Foram só 53 anos, Cláudia, que se fossem vividos 150 por outras pessoas não dariam metade do resultado que você conseguiu.


Não choramos você, Claudia; choramos por nós, todas aquelas pessoas que sua mágica e forte presença tocou, ontem paralisados dentro e fora da igreja, cheia a igreja, cheia a praça e a cidade vazia de você. Ontem prometemos a você que dormia o sono dos justos, serena porque acolhida pelo Deus que você sempre amou, o sonho não acabou.


Seus sonhos vivem em todos os cambaraenses, jovens e velhos, que sonham despertos a vida melhor, a vida saudável, a alegria de viver porque a vida é dom de Deus; e os cambaraenses adotivos, meio fascinados pelo número de pessoas boas, talentosas e inteligentes que você nos apontava porque a todos conhecia e em todos fazia crescer capacidades latentes que mudam vidas, nós também sonhamos a Cambará que você sonhava.


 Gostaria de ter conhecido melhor suas filhas; sei pouco de Heloísa, sei apenas que herdou seu talento e sua garra; preciso lhe dizer, no entanto, que a julgo ser como Júlia a quem vi, meio escondido eu no fundo da sala, ser a professora que domina com facilidade e mesmo fascina as crianças que ensinava. Você nos deixa uma linda família e temos orgulho de sermos seu amigo certos de que Neto está, na dor imediata dessa partida nunca prevista tão cedo, abraçado às duas meninas que o confortam. Essa família terá sido sua melhor obra, mulher de tantos talentos.


Na idade que tenho, havendo percorrido tantos lugares, conhecido tanta gente e culturas diferentes, vai se me afirmando a certeza de que, realmente, com as diferenças que tenhamos, com as cores e as formas, a língua ou costumes, como você demonstrou em sua vida memorável, TODAVIA SOMOS TODOS IRMÃOS.

 

José Machado BOTELHO,

 voluntário do Instituto Bourbon de Responsabilidade Socioambiental,

amigo de Cláudia Helena Negrão Batista.

22 de agosto de 2019

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