
| Leandro Filtre Bonacin é Cirurgião Dentista em Cambará
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*Leandro Filtre Bonacin
Acordei, um belo domingo, único dia da semana que me dou ao luxo de acordar com o sol já brilhando, e quando abri a porta para a Kate e a Arya (meus pets) saírem para o quintal, eis que me deparo com um mar de fuligem, cinzas ou como é mais conhecido, a famosa “queimada de cana”, quase não se enxergava o alaranjado do piso, apenas uma grossa camada preta.
Nesta época de culparmos as queimadas sazonais da Amazônia por toda causa do aquecimento global, me interroguei o que naquele momento estaria causando mais mortes de seres humanos, a queimada na Amazônia ou a queimada no canavial, que geram um Biocombustível tido como 100% limpo que é o Etanol. Quando fiz a minha pós-graduação em Saúde Pública e Meio Ambiente, há algum tempo, em uma Faculdade da Região, verificamos estatisticamente que tínhamos um alto índice de mortes por DPOC (Doenças Pulmonares Obstrutiva Crônica) nesta região. Talvez pela prática de queimadas ser quase inevitável naquela época, ou pelo dono da faculdade ser Usineiro, o caso foi logo abafado. Eu fui um dos que ponderaram que, embora prejudicial, pelo menos o cultivo da cana na época gerava muitos empregos e era o sustento de muitas famílias. O tempo passou, as técnicas mecanizadas foram implantadas, e hoje não há o que justifique atear fogo em uma lavoura de cana e colhê-la com máquinas, tudo talvez por causa do ínfimo aumento do índice de sacarose da mesma, mesmo que isso custe a vida de muitos.
| "Primeiro temos que cuidar de nós mesmos, do nosso corpo, dos nossos entes queridos, da nossa comunidade, do nosso município" Leandro Filtre Bonacin
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O que eu estou querendo dizer com tudo isso, é que muitas vezes, nos preocupamos demais com o todo, e esquecemos do detalhe, quando a preocupação deveria ser ao contrário. Primeiro temos que cuidar de nós mesmos, do nosso corpo, dos nossos entes queridos, da nossa comunidade, do nosso município e gradativamente ampliarmos o espectro para que possamos também cuidar de nosso planeta, mas sem a demagogia e extremismos, que vimos nos últimos episódios, seja ele um Macron (o da mulher feia) ou Bolsonaro; o que temos visto, é muita gente querendo entender do que não entende, querendo falar que sozinho irá salvar o planeta, sem, contudo dar o exemplo de como cuidar de sua própria casa.
Só iremos salvar o planeta quando salvarmos a nós mesmos, quando as atitudes de preservação forem pautadas apenas em dados científicos, sem ideologismos ou autopromoção, levando sempre em consideração o progresso do ser humano, das comunidades locais e do país como um todo, só assim teremos o tão falado, mas tão pouco entendido DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL!