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A comoção exagerada sobre a demissão do Ministro Mandetta

O "fica em casa" escondeu a falta geral de equipamentos, leitos, hospitais e sobrecarregou os profissionais de saúde.

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Cassio Faeddo
17/04/2020 às 16h18
A comoção exagerada sobre a demissão do Ministro Mandetta
Cassio Faeddo é Advogado. Mestre em Direitos Fundamentais. MBA em Relações Internacionais - FGV SP

Com a demissão do ex-Ministro da Saúde, Henrique Mandetta, e a consequente substituição pelo ministro Teich, abriu-se mais uma vez a esperada guerra política.

Para quem acompanha de fora as atividades da Ministério da Saúde só é possível analisar seu desempenho com base nas notícias veiculadas na mídia. E, lamentavelmente nestas semanas, acompanhamos a verdadeira correria no Ministério da Saúde visando fornecer ao país equipamentos como máscaras, aventais, respiradores, álcool, além de medidas urgentes de criação de novos leitos de UTI.

Porém, resta claro que o Dr. Mandetta não chegou ontem ao Ministério da Saúde, e acompanhando as medidas tomadas no combate ao Covid-19, concluímos  que o “fica em casa” tornou-se o mote central das ações no Brasil.

Junto com este slogan também se somaram as buscas por equipamentos. Par e passo com essas atividades, os Estados brasileiros também se apressaram na busca de equipamentos e leitos.

Mas o “fica em casa” escondeu a falta geral de equipamentos, leitos, hospitais e sobrecarregou os profissionais de saúde.

Rapidamente governadores e outras autoridades vestiram-se com o traje formal da competência e com tom solene diário discursam como se fossem catedráticos da gestão pública e com  histórico irretocável de realizações na área da saúde.

Para o atônito cidadão comum, se analisar com frieza,  ficará a impressão de que não havia no referido Ministério da Saúde um plano de ação para epidemias, não só para o gravíssimo Covid-19, mas também para outras epidemias que pudessem surgir.

Será que somente nesta data percebeu-se as falhas na produção de equipamentos no Brasil? As autoridades federais da saúde somente agora perceberam que tudo se produz na China? É correto um Ministro da Saúde desrespeitar a hierarquia e espetacularizar diariamente a pandemia sob o pretexto de que está prestando informações para a sociedade?

Não observamos nos últimos dias que houvesse alguma previsão, algum norte para a sociedade, mas que temos que nos quedar inertes em casa ou o implacável vírus a todos consumirá.

Sabemos que a Organização Mundial da Saúde já havia notificado, bem como médicos estrangeiros, logo em janeiro, sobre a capacidade nuclear de contágio do Coronavírus.

Um Ministério com mais de doze meses de gestão da saúde pouco ofereceu ao país quando a pandemia chegou, além de determinar que fiquemos em casa e que todos estão se esforçando para a compra de equipamentos, evidentemente se houver algum no mercado internacional.

Como todo respeito, não é uma luta da ciência contra as trevas como o ex-ministro declarou no discurso de despedida.

Afastada a emoção da luta politica do eterno Fla x Flu veremos que o Ministro Mandetta, politico que é, soube capitalizar muito bem a pandemia.

Logo, a substituição do ministro não será o apocalipse alardeado por alguns. Merecemos o planejamento anunciado pelo novo Ministro Dr. Teich, e muita paz de espírito. Menos conversa e mais gestão!

 

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