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FIQUE EM CASA: O ISOLAMENTO SOCIAL E A SITUAÇÃO DE RUA

O Movimento Nacional da População em Situação de Rua estima que sejam mais de 5.000 pessoas nessa condição na Capital do Paraná

19/06/2020 15h38 Atualizada há 4 meses
Por: Nathália Bonhole Fonte: MPPR
Imagem reprodução da internet
Imagem reprodução da internet

A partir da recomendação de isolamento social advinda das autoridades sanitárias, ficar em casa deixou de ser uma opção e tornou-se medida de saúde essencial para diminuir o número de contaminações e mortes. Temos todos que evitar lugares públicos e aglomerações, além de lavar as mãos com frequência. Mas e quem não tem casa onde possa se manter em distanciamento social? E quem não tem água nem produtos de higiene para lavar as mãos e produtos de limpeza para esterilizar objetos e roupas? Os dias de pandemia de Covid-19 têm trazido à luz  problemas graves que até então estavam invisíveis para grande parcela da sociedade.

Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que, em 2015, existiam 101.854 pessoas em situação de rua no Brasil. Em nota técnica publicada neste mês, o Ipea apresenta uma nova estimativa de que, no mês de março deste ano, aproximadamente 221.869 pessoas estavam nessa condição no país.  A cidade de São Paulo, em quatro anos, apresentou aumento de 53% no número de pessoas em situação de rua, saltando de 15.905 em 2015 para 24.344 em 2019, segundo censo realizado pela administração municipal. Já na capital paranaense, com base em dados extraídos do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, até março de 2020, havia 2.498 pessoas utilizando as ruas como espaço de moradia e de sustento, ou buscando as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória, dados que concentram apenas uma parcela dessa população, tendo em vista que nem todos estão inseridos no referido cadastro. O Movimento Nacional da População em Situação de Rua estima que sejam mais de 5.000 pessoas nessa condição em Curitiba.

Entre os fatores que podem levar uma pessoa a viver nas ruas, destacam-se o desemprego (ampliado significativamente a partir de 2014) e o trabalho informal. São milhares de pessoas vivendo, por exemplo, da coleta de materiais recicláveis, na guarda de carros ou vendendo produtos em semáforos, com geração de renda insuficiente para o atendimento das suas necessidades básicas, incluindo a moradia.  Embora os dados sejam antigos, pesquisa realizada em 2007 pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pelo Instituto Meta, em 71 cidades brasileiras, incluindo Curitiba, já apontava que 71% da população em situação de rua era composta por trabalhadores com alguma atividade remunerada, destacando-se: catadores de materiais recicláveis (28%), flanelinhas (14%) e trabalhadores da construção civil (6%) e do setor de limpeza (4%), mas somente 2% com carteira assinada. O estudo constatou ainda que 16% das pessoas em situação de rua pediam dinheiro como principal meio de sobrevivência, e 25% delas não possuíam sequer documentos de identificação, dificultando a obtenção de empregos formais e o acesso a serviços e programas governamentais. Atualmente, é notório que a geração de renda a partir do trabalho informal torna-se ainda mais inviável, contribuindo significativamente para que a população em situação de rua não possa atender às recomendações de saúde estabelecidas para o combate à pandemia de Covid-19.

Assim, para esse grupo vulnerável, pode-se dizer que as orientações dos órgãos de saúde não fazem sentido, pois lavar as mãos, usar álcool em gel, manter a imunidade em alta com uma boa alimentação e usar máscaras não são medidas acessíveis para quem não tem água para beber e alimentação adequada (não raras vezes comendo o que encontra no lixo), assim como o próprio uso de máscaras torna-se fator de risco, pois, ainda que as obtenham, não conseguem guardá-las ou higienizá-las de modo correto. Isso sem falar na absoluta impossibilidade de tais pessoas obedecerem ao distanciamento social, vivendo apinhadas embaixo de marquises, de viadutos, em caixas de papelão ou em espaços de acolhimento que reúnem muitas vezes, em um único local, mais de 100 pessoas.

Além de tudo isso, em algumas regiões do Sul do Brasil, enfrentaremos nos próximos dias e meses quedas intensas de temperaturas. Durante o último inverno curitibano, antes da pandemia de Covid-19, diversas vidas foram perdidas para o frio, tendo em vista que tal condição climática agrava ainda mais os riscos de doenças relacionadas ao sistema respiratório, sobretudo daquelas pessoas que se encontram na situação

Olympio de Sá Sotto Maior Neto

 

 

 

Keity Fabiane da Cruz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rafael Osvaldo Machado Moura

 

 

 

Ana Carolina Pinto Franceschi

 

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