
Eli Araujo
Redação Folha de Londrina
A Justiça do Trabalho ainda não definiu a nova data para a realização do leilão da usina de açúcar e álcool Casquel Agrícola e Industrial S/A, de Cambará.
A juiza titular da Vara do Trabalho de Jacarezinho, Emilia Simeão Albino Sako, em correspondência enviada ao Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba, admite que os antigos donos da Casquel já praticaram ''diversas manobras'' para impedir o leilão. Ela cita ''ocultação de bens, desvio de patrimônio, alienação em fraude à execução, simulação de venda, etc''.
Um advogado representante da Casquel, que pediu para não ser identificado, diz que a usina não existe mais com esse nome e que a nova denominação é Usina Cambará S/A Bioenergética.
No mês passado, a reportagem da Folha observou o movimento de um pequeno grupo de pessoas nas instalações da usina, que se localiza em uma estrada secundária, a seis quilômetros da BR 369, em Cambará. Outra pessoa, que também preferiu não se identificar, garantiu naquele momento que a empresa havia sido adquirida por um novo grupo e que entraria em operação ''em breve''.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fabricação de Álcool de Jacarezinho e Região, José Ramos Vasconcelos, não acredita que a empresa tenha sido adquirida por outro grupo empresarial. Segundo ele, os supostos compradores são usados como ''laranjas'' para tumultuar o processo.
Para Vasconcelos, somente a realização de um novo leilão vai atender às ''expectativas'' dos trabalhadores. O presidente do sindicato espera que isto aconteça em fevereiro ou março.
O leiloeiro Fernando Serrano, da empresa responsável pelo leilão, diz que a mudança de nome ou a formação de uma nova sociedade não interfere em nada no processo porque a empresa que suceder a Casquel vai herdar também todas as dívidas já existentes.
A definição é aguardada com grande expectativa pelos ex-funcionários e antigos fornecedores da empresa.

Caso
O leilão da Casquel seria realizado no dia 27 de novembro na Justiça do Trabalho, em Jacarezinho, mas foi suspenso pelo Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba, no momento que seria iniciado. A decisão frustrou centenas de trabalhadores que esperam para receber seus direitos há mais de dois anos.
A usina deve ir a leilão para o pagamento de dívidas trabalhistas e junto a fornecedores. Há mais de mil ações de ex-funcionários na Justiça do Trabalho em Jacarezinho e em outras comarcas. A estimativa é que somente a dívida com pessoal chegue a R$ 25 milhões.
O leilão da Casquel será o maior já realizado no estado do Paraná e um dos 10 maiores do Brasil. O patrimônio da empresa foi avaliado em R$ 180 milhões por um perito nomeado pela Justiça, mas o lance inicial foi fixado pela Justiça em R$ 108 milhões.