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Rejeitado no Matsubara, zagueiro baiano é convocado para Seleção

Único novato da 1ª lista de Felipão, Dante é também um dos mais velhos

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24/01/2013 às 17h47 Atualizada em 24/01/2013 às 17h55
Rejeitado no Matsubara, zagueiro baiano é convocado para Seleção

 

 

Martín Fernandez

Redação Folha de são Paulo


 

Dante havia acabado de subir para o profissional do Juventude e fazia um de seus primeiros treinos com o time. Ricardo Gomes, então técnico, chamou-o num canto. "Ô da Bahia, vem cá. Você não é volante. É zagueiro."

O novato demorou um pouco a ser convencido sobre a mudança. "Você vai ter mais oportunidade na carreira se jogar atrás", ouviu.

Dez anos, cinco clubes e três países depois, Dante, 29, é titular intocável do Bayern de Munique, melhor defesa da Europa, e desfruta de sua primeira convocação para a seleção brasileira --Luiz Felipe Scolari o chamou para o amistoso contra a Inglaterra no dia 6 de fevereiro.

Da Alemanha, o zagueiro falou por telefone à Folha sobre sua trajetória, a ansiedade para defender o Brasil e a expectativa de ser treinado por Pep Guardiola.

Folha - Já se sente diferente por ser um jogador de seleção?
Dante - As pessoas continuam me ligando. Tento controlar a ansiedade, não criar euforia. É muito bom.

A seleção só faz um treino antes de enfrentar a Inglaterra. O que dá para mostrar ao técnico em tão pouco tempo?
Às vezes, um treino pode ser suficiente. É uma oportunidade. O que eu vou fazer é dar o máximo, dar tudo.

Se for reserva, tudo bem?
Falaram muito isso quando vim para o Bayern, que eu seria reserva, que não jogaria. Virei titular. Em primeiro lugar, está o time, o que o treinador vai pensar. Eu quero primeiro conhecer todo mundo, ter contato.

Como é ter a primeira chance sem ser conhecido no Brasil?
Todo jogador de seleção já teve uma primeira vez, e isso não pode depender de ele ser conhecido. Não tem sentido. E não estou na Ucrânia, no Qatar, onde há jogadores excepcionais, mas estou num num grande clube europeu.

Em quase dez anos de Europa, teve chance de voltar?
Tive. Mas nunca pensei em voltar ao Brasil. Tive momentos difíceis na Europa, mas eu quis ficar para vencer aqui.

Quais foram as dificuldades?
Cheguei ao Lille [time francês] em janeiro de 2004. Não falava uma palavra de francês, não tinha amigos, não conhecia a cultura. Fazia muito frio. Senti falta de calor humano, de hospitalidade, daquela coisa de alguém te levar para jantar. Depois, passei quase um ano machucado, mas dei a volta por cima.

Você chegou a sofrer com racismo em algum momento?
Não, nunca. Nem na França nem na Bélgica, países que têm muitos africanos, nem na Alemanha. Fui muito bem tratado por todos. Seria muito chato, ficaria muito triste. Nunca aconteceu.

Como foi sua passagem pelo futebol brasileiro?
Saí de Salvador aos 15 anos para fazer testes. Fui recusado no Fluminense, na Portuguesa, até no Matsubara do Paraná. Fui aceito no Juventude. Foi uma caminhada dura, com pouco dinheiro, viajava de ônibus. Mas foi um grande aprendizado. Joguei dois anos e fui para a França.

O que você ouvia quando era recusado nos testes?
Era sempre uma desculpa genérica. "Você é bom, mas o elenco está completo", ou "Já tem gente na sua posição". Na época, eu era volante. Quem me inventou como zagueiro foi Ricardo Gomes, no Juventude, em 2002.

Como recebeu a notícia de que será treinado por Guardiola?
Foi uma surpresa, porque Chelsea e Manchester City estavam brigando por ele, clubes que têm milionários por trás. Ele escolheu o Bayern pelo projeto esportivo, pela grandeza e história do clube. Tenho curiosidade para trabalhar no dia a dia com ele.

O Barcelona baseia a defesa na própria posse da bola. Pode ser difícil para um zagueiro jogar tão exposto?
Hoje, jogamos com a zaga alta [avançada], também temos grande posse de bola. Não seria problema, mas algo normal para um time grande como o Bayern.

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