
Por Carlos Roberto Francisquini
Em Cambará, no Norte Pioneiro do Paraná, o apito da saudade voltou a soar forte nesta terça-feira (18). E o motivo é especial: relembrar uma das iniciativas esportivas e sociais mais marcantes da região entre 2004 e 2008 a Escolinha de Futebol São José, orgulho do Conjunto Habitacional São José e celeiro de talentos dentro e fora das quatro linhas.
Quem conta essa história é Claudemir Rufino, que publicou uma nota em sua rede social.
Segundo o Repórter Mil, como é mais conhecido a garotada se dividia em três categorias: Sub-11, Sub-13 e Sub-15. Os treinos aconteciam religiosamente no Estádio Municipal João Pereira Lima, no alto da Vila Rubim, sempre nas segundas, quartas e sextas-feiras.
E quando chegava sábado, domingo ou feriado nacional, ninguém queria saber de descanso: era dia de amistosos por Cambará, pelo Norte Pioneiro e até pelo Sul do Estado de São Paulo.
“Era futebol, amizade, responsabilidade e alegria. A molecada esperava a semana inteira por esses jogos”, lembra Claudemir Rufino, o Mil, diretor de esportes do projeto.
Nos anos de ouro, a Escolinha São José contou com o apoio total da Prefeitura Municipal de Cambará. O então prefeito Mahamad Ali Hanze, o popular Mamede, foi peça fundamental para o sucesso da iniciativa. Seu filho, Fabiano Hanze, também fazia parte do projeto, colocando a mão na massa ao lado da comunidade.
A diretoria mostrava a força do trabalho coletivo:
Presidente: Celso Teixeira
Vice: Nestor Frediani
Diretor de Esportes: Claudemir Rufino (Mil)
Sub-11: Marcinho
Sub-13: Marcos Antônio de Oliveira
Sub-15: Ismael Tomaz, o saudoso Miúdo
Mordomo: João Carlos de Oliveira, o Caio
O esporte só acontece quando a comunidade acredita. E em Cambará não foi diferente.
A Paraná Norte Sementes, do empresário Sérgio Aparecido Ferreira, o Serginho, sustentou o projeto com materiais esportivos.
A Gráfica Romano, de Hélio e Reinaldo Romano, cuidava dos blocos de impresso e cartões do projeto.
Mil desta também o comércio local que sempre apoiou o projeto e citou a Zanon Calçados (Beto) — bolas, Farmácia Droganova (Sr. Osmar dos Anjos), medicamentos para os atletas e não dá para esquecer dele: João Luiz, o Cafu do Matsubara, massagista e auxiliar que dava aquela força indispensável.
Em 2008, após o falecimento do prefeito Mamede, o projeto perdeu o apoio que o mantinha firme. Sem o respaldo do poder executivo, a Escolinha São José encerrou suas atividades — deixando uma lacuna, mas também uma herança afetiva e social inestimável.
O objetivo principal sempre foi claro: educar pelo esporte.
Mil e sua comissão acompanhavam de perto notas, comportamento e presença dos alunos nas escolas do município. Para muitos garotos, a Escolinha foi proteção contra maus caminhos — e um portal para a cidadania.
Hoje, aqueles meninos são pais de família espalhados por Cambará, pela região e até por outras partes do país. Levaram consigo disciplina, amizade, memórias e o amor pelo futebol.
Mil hoje segue nas ondas do rádio e guarda as lembranças na parede.
Atualmente, Claudemir Rufino segue atuando no rádio, comandando seu programa esportivo e mantendo viva a paixão que o acompanha desde os tempos de escolinha.
Segundo ele, daqueles anos gloriosos restam imagens emolduradas e já desbotadas pelo tempo, penduradas na parede lembranças que funcionam como um lembrete silencioso de que tudo na vida passa, mas o que ficam são as boas histórias.
O tempo passou, mas a Escolinha São José permanece viva no coração de quem viveu essa história. Uma lembrança que ainda emociona e que merece ser celebrada como um gol de placa.
Porque recordar, como diz o velho ditado, é viver.
E em Cambará, viver o futebol sempre foi motivo de orgulho.