Segunda, 06 de Julho de 2026
12°C 24°C
Cambará, PR
Publicidade

COMO SÃO ELABORADAS AS ESTIMATIVAS DE SAFRA?

Projeções atualizadas constantemente levam em conta uma série de critérios técnicos, para avaliar o desempenho de cada ciclo

Por: Fonte: FAEP
18/03/2021 às 15h07
COMO SÃO ELABORADAS AS ESTIMATIVAS DE SAFRA?
No caso do Paraná, além de técnicos da própria entidade, os informantes são, principalmente, o Deral e cooperativas agrícolas.

 

O agricultor já está acostumado. A todo início de safra, diversos órgãos e consultorias privadas estimam qual será o volume produzido pelas lavouras brasileiras. Ao longo do ciclo – da semeadura à colheita –, esses dados são atualizados, com base, por exemplo, na evolução do plantio, no nível de desenvolvimento das plantas e na eventual ocorrência de sinistros climáticos, que podem causar impacto na produtividade. Essas estimativas, é claro, não são feitas ao acaso: se consolidam por meio de critérios técnicos e de dados coletados a partir de uma rede de atores do setor agrícola. Por que, então, os números variam significativamente de um órgão para outro? Simples: por diferenças na metodologia usada pelas entidades responsáveis por cada levantamento.

Dentre as instituições públicas, fazem a estimativa de safra a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Nacional de Geografia e Estatísticas (IBGE). Nos diversos Estados, cada um tem uma entidade, que faz o levantamento em âmbito estadual – no caso do Paraná, o responsável é o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). Em nível mundial, os principais dados são estimados e divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês).

“As diferenças decorrem da metodologia de cada órgão. Essa diferença faz com que os números sejam mais divergentes antes do início da safra, mas a tendência é que eles vão se afinando e fiquem muito próximos, senão iguais, no fim do ciclo. Essa diferença de metodologia se dá em razão dos objetivos de cada órgão. O IBGE, por exemplo, usa os dados no cálculo do PIB [Produto Interno Bruto], enquanto a Conab tem os olhos mais na produção agrícola, mesmo”, explica a analista de mercado Daniele Siqueira, da AgRural.

Enquanto o IBGE faz suas projeções para o ano civil, a Conab elabora sua estimativa para o ano-safra – de julho de um ano até junho do ano seguinte. Com a definição das datas de previsão de início de plantio, a Companhia se volta as perspectivas climatológicas para o período. Os técnicos também levam em consideração o “pacote tecnológico” que os produtores de cada região têm usado nos anos anteriores – o que tem relação direta com a produtividade das áreas.

“Como nós também fazemos o levantamento dos custos de produção, temos o acompanhamento de o que o produtor tem usado: o tipo de tecnologia de sementes, a adubação… Com isso, conseguimos projetar a produtividade, com base nesse pacote tecnológico”, diz Cleverton Santana, o superintendente de Informações do Agronegócio da Conab.

Em seguida, a partir de sua rede em todos os Estados – composta por mais de mil informantes –, a Conab faz o levantamento da intenção de plantio, verificando se haverá oscilação da área plantada por cultura. No caso do Paraná, além de técnicos da própria entidade, os informantes são, principalmente, o Deral e cooperativas agrícolas. Com base nesses quatro pontos – perspectivas climáticas, pacote tecnológico, área plantada e médias de produção de anos anteriores –, a Conab faz seu levantamento inicial, a partir de um modelo estatístico adaptável à realidade de cada Estado que remonta a quatro décadas.

“O Deral é uma instituição de excelência, que trabalha com dados muito confiáveis. Seria muito bom se tivéssemos um órgão do nível do Deral em cada Estado”, comenta Santana.

Paraná

No Paraná, o Deral também parte da estimativa de área plantada de cada um dos 399 municípios e das respectivas médias de produtividade. Para fazer esse levantamento, os técnicos coletam informações diretamente nos municípios e regionais, ouvindo fontes de cooperativas, sindicatos rurais e prefeituras. Uma das diferenças é que o Deral leva em conta a produtividade potencial – ou seja, a média entre as faixas de produção máximas e mínimas esperada para cada município. A Conab, por sua vez, trabalha com a produtividade normal, em um modelo estatístico que já prevê perdas em razão de possíveis eventos climáticos. Essa é a explicação para os números iniciais do Deral serem mais otimistas.

“Conforme há a ocorrência de fatores climáticos e a safra vai evoluindo, vai mudando a nossa produtividade esperada e vamos ajustando a produtividade obtida. Essa revisão vai sendo feita constantemente”, aponta Carlos Hugo Godinho, o coordenador da Divisão de Estatísticas do Deral.

 

Atualização

Como se vê, o trabalho não se encerra no levantamento inicial, mas passa por acompanhamentos e atualizações constantes, com checagem em campo e com a consulta aos setores técnico e produtivo de cada município das 23 regiões do Paraná.

“Essas revisões de atualização são feitas semanal e mensalmente. O IBGE utiliza os nossos dados, com a nossa metodologia”, informa Godinho.

A Conab, além de se valer das atualizações promovidas pelo Deral, também faz outros tipos de acompanhamento agrometeorológico: um deles, em que os analistas e técnicos acompanham, semana a semana, o índice de precipitação, as previsões do tempo e as condições de umidade do solo, prevendo eventuais impactos à lavoura; outro, em que a técnicos fazem o acompanhamento a partir de dados repassados a cada 16 dias e captados por um satélite da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.

“Por fim, analisamos a dispersão de dados e afinamos as estimativas médias, de modo a ter uma média amostral mais homogênea. É um levantamento que já fazemos há 40 anos e que, portanto, nos dá um banco de dados bem estruturado”, aponta Santana.

No mundo Um dos levantamentos em âmbito mundial mais confiáveis e mais usados pelo mercado é o elaborado pelo Usda. O departamento estadunidense também faz suas projeções com base em dados levantados por órgãos de cada país, refinados por entrevistas com fontes do setor agrícola.

“São os levantamentos mais confiáveis que temos em nível mundial e que são atualizados constantemente. A FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura] demora anos para atualizar sua base de dados. Então, os do USDA acabam sendo os mais confiáveis”, explica Daniele, da AgRural.

Metodologia da Conab em sete passos

Veja o que a Companhia Nacional de Abastecimento leva em conta para fazer sua estimativa de safra

1º – Previsão: Com a definição do calendário de plantio, técnicos se voltam às perspectivas climatológicas para o período, analisando qual o impacto as condições devem legar à safra;

2º – Pacote tecnológico: Com base em informações do levantamento de custos de produção, técnicos estimam qual o impacto que o pacote tecnológico – como qualidade de sementes e de adubação – deve provocar nas lavouras de cada região, em termos de produtividade;

3º – Intenção de plantio: Técnicos fazem uma projeção da área a ser plantada em cada região, com base na intenção de plantio manifestada por produtores de cada localidade;

4º – Médias históricas: Modelo cruza as informações obtidas nos três itens anteriores com as médias de produção e de produtividade de cada estado, estabelecendo a primeira estimativa para a safra;

5º – Acompanhamento agrometeorológico: Técnicos fazem o acompanhamento constante das culturas, de duas formas: a partir da análise de níveis de chuva e de umidade do solo; e de dados das lavouras, captados por um satélite. Com essas informações, companhia estima eventuais impactos nas estimativas;

6º – Rede de informantes: Companhia continua acompanhando o monitoramento feito por órgãos estaduais – como o Deral, no Paraná –, que leva em conta entrevistas com cooperativas, sindicatos rurais e prefeituras, além de levantamentos em campo;

7º – Análise de dispersão: Por fim, periodicamente, a companhia faz a análise de dispersão dos dados, afinando as estimativas médias, de modo a ter uma amostra mais homogênea.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Everton Muchagata durante entrevista para a Rádio CirculandoFM - Foto: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando
Efeitos da Guerra Há 2 meses

Guerra no Oriente Médio pressiona custos e acende alerta no Norte Pioneiro

Produtores rurais já sentem impacto direto na precificação, que ultrapassa 30%, segundo representante do setor

Deputado Arnaldo Jardim e Paulo Leal - Foto: Da assessoria da Feplana/Especial para o Jornal Circulando
AGROENERGIA Há 3 meses

FEPLANA reforça protagonismo político e homenageia Arnaldo Jardim em Brasília

“Fico lisonjeado e agradecido pela oportunidade de conviver com um homem público tão íntegro, preparado e generoso. Sua trajetória nos mostra que a boa política se constrói com conhecimento técnico, diálogo e espírito público”, afirma Leal.

Luiz Roberto Saldanha Rodrigues - Foto: Carlos Roberto Francisquini/Arquivo Jornal Circulando
Cafés Especiais Há 4 meses

Produtor do Norte Pioneiro assume presidência da BSCA e reforça protagonismo do café especial paranaense

“É uma honra poder contribuir com a entidade que representa os cafés especiais do Brasil e que me acolheu desde o início da minha caminhada”, afirmou Luiz Roberto

Foto: Crédito - Shutterstock
SUINOCULTURA & CLIMA Há 5 meses

Mudanças climáticas impõem novos desafios à suinocultura e aceleram busca por soluções nutricionais

A elevação das temperaturas e as ondas de calor já impactam o desempenho dos suínos e pressionam o setor a adotar novas estratégias nutricionais, tema abordado por pesquisador da UFMG em livro lançado pela Novus.

Produtor Rural cobra agilidade nas política públicas da agricultura em Cambará - Foto: Carlos Roberto Francisquini / Arquivo Jornal Circuladno - 02/02/2026
INFRAESTRUTURA RURAL Há 5 meses

Produtores rurais cobram agilidade da gestão de Cambará em audiência pública

Audiência pública em Cambará expõe insatisfação de produtores com a lentidão da gestão municipal e concentra debate sobre obra de R$ 16 milhões que prevê a pavimentação de 10 quilômetros de estradas rurais

Cambará, PR
17°
Tempo limpo
Mín. 12° Máx. 24°
17° Sensação
1.19 km/h Vento
80% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
07h01 Nascer do sol
17h47 Pôr do sol
Terça
24° 13°
Quarta
25° 11°
Quinta
26° 10°
Sexta
28° 13°
Sábado
28° 16°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,13 -0,75%
Euro
R$ 5,89 -0,33%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 348,123,00 +2,35%
Ibovespa
172,447,58 pts -0.93%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias